É curioso como um momento de entretenimento assumidamente leve pode deixar marcas. Foi o que me aconteceu depois de assistir no Coliseu do Porto à peça «Sua Excelência, o Candidato». Exceptuando alguns momentos genuinamente hilariantes protagonizados por Wilson de Santos, que representava Eurípedes, o mordomo travesti, tratou-se de uma verdadeira travessia do deserto. Para retratar o clima de corrupção generalizada na sociedade brasileira, em geral, e na classe política, em particular, choveram clichés já muito gastos, fórmulas destinadas a arrancar automaticamente o riso e o entusiasmo da plateia. Curiosamente, nem tanto teria sido necessário: é que bastou a presença do protagonista (Reynaldo Gianecchini) para a plateia se render. Felizmente para ele, a admiração da maioria das pessoas que estiveram na plateia era incondicional, if you know what I mean…
Por isso, procurando refazer-me da experiência, deixo-vos aqui um bálsamo celestial: «Good Morning Heartache», interpretado por Eleanora Fagan Gough, mais conhecida como Billie Holiday, uma das minhas cantoras favoritas. Cada música que interpretava parecia um pedaço arrancado à sua vida, tal era o sentimento e a autenticidade com que o fazia.
Depois da referência a uma perspectiva sonhadora da vida “à la Floribela” e para ultrapassar algum cinzentismo da vida quotidiana, deixo aqui uma melodia entranhável e perfumada que é um hino à vida e à alegria de viver. A composição é de Nicola Piovani. Faz parte da banda sonoro de “A vida é bela” de Roberto Begnini. É interpretada pela voz divinal da cantora israelita Noa.
Para erradicar algum desalento e pessimismo, fica, então, o mote:
"Smile, without a reason why
Love, as if you were a child
Smile, no matter what they tell you
Don’t listen to a word they say
'Cause life is beautiful that way
(...)
Keep the laughter in your eyes
Soon, your long awaited prize
Well forget about our sorrow
And think about a brighter day
'Cause life is beautiful that way."
Como afinal não é possível "postar" o vídeo em questão, deixo o endereço do you-tube onde pode ser vista esta canção bem-disposta: http://www.youtube.com/watch?v=9HuXWD3ViW4

ouvem as mesmas músicas,
comem as mesmas notícias,
têm os mesmos cartões,
apenas de díspares cores.
Sua Excelência A Mesmidade!
Sua Excelência O Marasmo!
Vai, em direcção ao mesmo!
F.L.


Um povo rural, adormecido,
preso por grilhões de atavismo,
contemplando retratos poeirentos,
obrigado a venerar deuses impostos,
acorda em manhã simples, pura e grande.
Com armas nas ruas,
corações em sobressalto,
Capitães do sonho e da lembrança da guerra
anunciam «posto de comando»
de vontades, de fraternidade, em Grândola.
A Vila Morena e a azinheira
são campos de cravos que pululam
em espingardas, canhões, peitos agora abertos,
em vozes que gritam «Liberdade!».
Revolução quase sem mortos,
sem que muitos dela tivessem real consciência:
assim são as coisas exactas na vida dos Povos –
estão lá, omnipresentes, em hibernação,
apenas aguardando o retumbar dos tambores
para espreguiçarem a ditadura
e restituírem a escolha do caminho a seguir.
De inofensivos cravos nas mãos,
os Portugueses atónitos contemplam
esta esquecida palavra de cristal: «Liberdade!».
O que fazer com ela?
O que fazer dela?
Aí reside o seu extremo significado.
Tal como a perfeição, Abril
faz-se por aproximações sucessivas,
em jardins de cravos, e rosas, e orquídeas,
e papoilas, e margaridas, e flores campestres.
É nessa multiplicidade de cores
que ainda hoje dorme a força de Abril,
à espera do príncipe que ponha termo
à Letargia.
Este príncipe é o operário, o agricultor,
o professor, o profissional liberal, o militar.
Príncipe é quem queira de Abril
receber a capa da Fraternidade e abrir
auto-estradas de ilusão de duplo sentido,
vagas e precisas, abstractas e concretas.
Impossível cumprir Abril?
Quem disse que os sonhos se cumprem?
F.L.

objectivos desde cedo traçados: ser uma pianista genial e reconhecida como tal. São objectivos que exigem uma dedicação total à profissão, mesmo que esvaziem a protagonista de vida própria e tornem a relação mãe-filha insuportável e violenta: a mãe revista-lhe a carteira, controla-lhe os horários e destrói-lhe as roupas demasiado femininas. Cedo se percebe que os objectivos são da mãe e não da filha, que se sente subjugada. Pegando nas palavras de Michael Haneke, a família é o locus de uma guerra em miniatura. A pergunta que se impõe a cada instante é: por que é que Erika não se revolta?
Fascinado pela professora quando a ouve interpretar Schubert, declara-se apaixonado e tenta por todos os meios seduzi-la, usando dois trunfos importantes: o seu ar irresistível e o seu talento aparentemente inato para o piano. Aqui começa, porém, um jogo de recíproca submissão e dominação que conduzirá, não à esperada salvação mas à destruição. Surpreendendo todas as expectativas de Walter, Erika cede às suas investidas, mas em vez de mostrar, pela primeira vez, alguma afectividade, traz à luz do dia todas as suas neuroses: o medo das emoções, o medo de perder o controlo e o medo de se submeter mais uma vez. Erika afirma que é desprovida de sentimentos e que, se algum dia vier a tê-los, eles nunca poderão vencer a sua inteligência. A sua reacção a estes medos é inesperada: Erika exige a Walter que a torture de forma cruel, de acordo com regras rigorosamente traçadas numa carta escrita, já que estes desejos são demasiado inconfessáveis para serem ditos. Ela assume o comando da «relação», exigindo a sua própria submissão! Confirma-se: também o sexo é um palco do poder. De ser amado, a personagem
interpretada por Isabelle Huppert passa a ser abjecto, desprezado e incompreendido. No entanto, ela limita-se a transportar para a relação com Klemmer os elementos da violência, da submissão e da falta de afectividade, bem presentes na relação filial. Ela magoa e quer ser magoada, tal como terá aprendido durante a infância e a juventude. 

No âmbito do 4.º Festival Audiovisual Black & White, o qual decorreu de
A curta, intitulada “Suite”, fez furor por entre trabalhos de estudantes de cinema, num festival com obras internacionais e já com considerável sucesso, organizado pela Escola das Artes da Católica.
Estamos todos ansiosos por ver esta primeira “master piece” da dupla Guilherme/Nuno! Passem pelo “Bunker”, aqui linkado.
"Sunset" pertence a "Prophesy", álbum de 2001 de um dos meus músicos favoritos: Nitin Sawhney.O endereço é: http://www.youtube.com/watch?v=nj6JiXjErTI
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!



e entre os muitos discursos inflamados deste nacionalista (porventura hoje tido como terrorista...), há uma frase que se encontra numa lápide aposta na dita estátua e que trouxe gravada em letras que não quero esquecer: