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sexta-feira, setembro 23, 2011

Sodades

Esta semana tem sido só somar perdas.
É certo que a saúde já não ajudava, mas vamos todos ter muitas "sodades" da grande Cesária!
Obrigado por tudo, grande diva das maravilhosas ilhas de Cabo Verde!

quarta-feira, setembro 21, 2011

Júlio Resende


Homenagem sentida a um artista plástico que sempre amou a sua terra e por ela fez tudo quanto podia. Pelo exemplo, pela coragem, pelas magníficas composições que criou, fica a melhor forma de nos despedirmos de um Homem assim: bravo, Júlio Resende!

domingo, junho 20, 2010

O Mago do Radical






É um homem, nasceu com defeitos de homem e gostou deles.



José Saramago
, Don Giovani ou O Dissoluto Absolvido, Lisboa: Caminho, 2005, p. 20.

terça-feira, março 16, 2010

KZ- Gedenkstätte Neuengamme








Neuengamme KZ

"Vós que viveis tranquilos
Nas vossas casas aquecidas,
Vós que encontrais regressando à noite
Comida quente e rostos amigos:
Considerai se isto é um homem
Quem trabalha na lama
Quem não conhece paz
Quem luta por meio pão
Quem morre por um sim ou por um não.
Considerai se isto é uma mulher,
Sem cabelos e sem nome
Sem mais força para recordar
Vazios os olhos e frio o regaço
Como uma rã no Inverno.
Meditai que isto aconteceu:
Recomendo-vos estas palavras.
Esculpi-as no vosso coração
Estando em casa andando pela rua,
Ao deitar-vos e ao levantar-vos;
Repeti-as aos vossos filhos.
(...)"
Primo Levi, “Se isto é um homem” , Teorema, 2009.

segunda-feira, novembro 09, 2009

quinta-feira, outubro 29, 2009

Parabéns Direito à cena!

Como fãs confessos do direitoÀcena, não podíamos deixar de assinalar, aqui no T&L, o seu aniversário.
Os nossos parabéns pelos 10 anos a todos os que fazem parte desse extraordinário grupo!
Que esta seja a primeira de muitas dezenas numa longa existência! E, já agora, que nós possamos continuar a aplaudir os (muitos) futuros sucessos do dÀc!

Aproveitamos, por isso, para nos associar à divulgação de uma das iniciativas de comemoração do aniversário.
Vamos ao teatro com o dÀc?
Aqui fica o convite à FDUP para assistir com a malta do direitoÀcena, à próxima produção do TECA.


"Emilia Galotti"de
Gotthold Ephraim Lessing
dramaturgia e encenaçãoNuno M Cardoso
interpretaçãoAlbano Jerónimo, Ana Bustorff, Carlos Pimenta, David Santos, Dinarte Branco, Rita Calçada Bastos, Teresa Tavares
co-produçãoO Cão Danado e Companhia, TNSJ
Nuno M Cardoso prossegue, na nossa companhia, uma viagem pela literatura alemã, com escalas em Goethe, Fassbinder e Brecht. Desta vez, resgata da sombra a mais controversa das peças legadas pelo filósofo e dramaturgo Gotthold Ephraim Lessing, um dos mais decisivos reformadores da arte dramática europeia. Estreada em 1772, Emilia Galotti foi desde então sucessivamente amada e repudiada, permanecendo uma esfinge com muitos segredos. Nunca saberemos o que verdadeiramente aconteceu no encontro entre o príncipe Gonzaga e a burguesa Galotti. E essa dúvida, que se instala no início do segundo acto, propaga-se como uma “peste emocional” até ao desenlace trágico. Emilia foi seduzida ou seduziu? Foi vítima da arbitrariedade do poder ou da fascinação pelo poder? Lacónico e perverso, o autor não esclarece nem julga as motivações das suas personagens. Em Emilia Galotti aprendemos a desconfiar da verdade. No livro Homens em Tempos Sombrios, Hannah Arendt escolhe uma frase de Lessing que lhe parece condensar a sabedoria de todas as suas obras: “Que cada homem diga o que considera verdade, e deixe ao cuidado de Deus a verdade em si!”.
6.11.2009
21h30
Teatro Carlos Alberto, Porto
Preço dos bilhetes (15 bilhetes disponíveis)
dÀc € 5
FDUP € 7,5
Reservas até dia 31.10.2009, através do email direitoacena@gmail.com ou com os membros do dÀc na FDUP

sábado, outubro 11, 2008

Inutilidade(s)


Tive sempre uma pequena bússola - para me levar aos pais, aos amigos, aos trabalhos de que gostava. E guiou-me para as auroras boreais dos livros e dos filmes. A imaginação é um barco. E se formos inúteis, de modo nenhum o fomos completamente. Nunca.

Dinis Machado, «O navegador solitário», in: Gráfico de Vendas com Orquídea, 2.ª ed., Lisboa: Cotovia, 1999, p. 114.

quinta-feira, setembro 11, 2008

7 anos depois. Nunca serão demasiados anos depois.


O artista indiano Sudarshan Pattnaik escolheu a areia de uma praia em Puri, no sudeste da Índia, para erguer uma escultura de homenagem às vítimas dos atentados de 11 de Setembro de 2001.

sábado, maio 10, 2008

PARABÉNS!!!!!!!!!!!!!

Neste dia feliz, queremos dar os parabéns e desejar as maiores felicidades ao nosso grande amigo e treteiro-mor FilipeLamas.
A falta de tempo – estamos a aperaltar-nos para comparecer devidamente apresentadas às grandiosas festas que o Forno organiza para homenagear o seu marquis – e a falta de inspiração impedem-nos de fazer o post que ele merece!
(E parecia mal limitarmo-nos a subscrever a afirmação do e-card infra postado, não é verdade? Não é que nos faltasse vontade! Ehehe!)
Deixamos um pedacinho de uma música que já é um clássico (sim, para ti, tinha que ser!) numa voz que o filipelamas muito aprecia. Porque com amigos como ele o mundo é, sem dúvida, um "wonderful world". (Apesar de ser um lugar-comum a resvalar para o piroso - nós avisámos que estamos sem inspiração – é, neste caso, a mais pura verdade)

Com grande beijinho,
RTP
e ....
e ...
a Wally tão procurada e finalmente encontrada neste dia glorioso ... ROCKY

sexta-feira, março 28, 2008

Herculano


Alexandre Herculano nasceu no dia que hoje passa, em 1810.
Grande autor do romantismo português, a sua poética é menos conhecida quando comparada com o romance histórico.
Aqui fica um excerto de «Deus»:


Eis o Tempo, o Universo, o Movimento

Das mãos sai do Senhor:

Surge o Sol, banha a terra, e desabrocha

Sua primeira flor:

Sobre o invisível eixo range o globo:

O vento o bosque ondeia:

Retumba ao longe o mar: da vida a força

A natureza anseia!

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Nos 400 anos de Vieira


"Para falar ao vento bastam palavras; para falar ao coração são necessárias obras."

Um excelente mote para a vida que não é só uma verdade cristã, mas uma premência do ser humano se relacionar com os outros, não somente como parte de uma ética com ou sem qualquer fundo religioso, mas sobretudo como necessidade (mesmo egoísta) de nos irmos a todos suportando. E que doce pode ser esse suportar. É curioso, há palavras pesadas como esta: «suportar». Contudo, dita em som melodioso ela transforma-se em pluma. Mais: se nos lembrarmos que «suportar» também é estar próximo, sustentar outrem de quem se gosta, então a palavra recobre-se de tons mais alegres. Sim, as palavras (como as obras) são o que delas quisermos fazer.

terça-feira, novembro 06, 2007

Eternamente Sophia


Se fosse viva faria hoje anos. Quantos, não interessa.

Interessa sim saborear a completa e complexa obra que nos legou, desde a literatura dita “infantil” (que tantos “adultos” deviam ter à cabeceira), até à Poesia elevada a um expoente de perfeição.

Parabéns, Sophia, no Céu dos Poetas em que te encontras! E contempla esta Pátria tão afastada do que cantaste…

Pátria


Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exatidão
Dum longo relatório irrecusável

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento

E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas

— Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro

Eu minha vida daria
E vivo neste tormento

Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, outubro 08, 2007

Do meu e-mail (XII)


Sei bem que o texto é extenso e que o tempo é um bem cada vez mais escasso, mas o texto que a seguir se transcreve, da autoria do recentemente falecido Eduardo Prado Coelho é absolutamente divinal e deixou-me mesmo a olhar para o espelho.
Peçam um tempo extra a quem manda nessa coisa a que chamamos relógio e digam lá se EPC não era um intelectual do povo, no sentido mais profundo e afectivo do termo.
Um daqueles textos que gostaria de ter sido capaz de escrever.

Eduardo Prado Coelho – In Público

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo.

Nós como Nós como matéria-prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais o que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se falsifica a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.

Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.

Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é muito chato ter que ler) e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser compradas, sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.

Como matéria-prima de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa.

Esses defeitos, essa CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...

Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria-prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.

E enquanto essa outra coisa não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!

É muito bom ser português. Mas quando essa Portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda..

Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.

AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.

E você, o que pensa?.... MEDITE!

sexta-feira, outubro 05, 2007

A bigodaça que vem de longe...

Reunião do Governo Provisório da República (1910)

quinta-feira, setembro 06, 2007

Ciao, Luciano!



1935-2007.
O epitáfio apareceu em todos os locais do Mundo no dia de hoje. Luciano Pavarotti não mais foi capaz de lutar. Tudo o que dele se possa dizer sabe hoje a pouco e quase a oportunismo. Realço o facto de ter transformado a canção lírica em algo acessível a todos, para grande desgosto, raiva e inveja dos seus detractores. O bel'canto perde um pedagogo e um divulgador. Perdemos o tenor filho do padeiro tímido que nele projectou o seu desejo de ser uma grande estrela.
Fica, assim, para todos que o amavam, "Una furtiva lagrima".
Ciao, Luciano.

quarta-feira, agosto 15, 2007

The King

A homenagem ao rei Elvis Aaron Presley, um dia antes daquele em que se comemoram 30 anos sobre a sua morte.
Fica o "Love me Tender", em versão unplugged e adequada ao dia.

quarta-feira, julho 04, 2007

Fourth of July

Para o bem e para o mal, é a potência mundial.
Hoje comemora a sua Declaração de Independência.
Fica a música pop/country de Denny Brown, Fourth of July.

quarta-feira, junho 13, 2007

Pessoa de Portugal


Fernando António Nogueira Pessoa nasceu há 119 anos, exactamente no dia em que se comemora o Santo padroeiro da sua cidade natal. Não consta que fosse religioso, mas amava a sua cidade.
Lembrar Pessoa é sempre recordar uma parte de nós.
Que melhor forma de o homenagear que não seja através da sua poesia?
Fica aquele que é, para mim, o poema que mais necessitamos todos de ouvir, nesta época da nossa vida colectiva, e aproveitando ainda os ecos do 10 de Junho.

O MOSTRENGO

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,

E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:

«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,

Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»

E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,

E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme

E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»



quinta-feira, junho 07, 2007

Corpus Christi


Leonardo da Vinci, Il Cenacolo ou L'Ultima Cena, 1495-1498, Santa Maria delle Grazie, Milão.

E Tu, Jesus, Pão vivo que dá a vida, pão dos peregrinos, "alimenta-nos e defende-nos / conduz-nos para os bens eternos / na terra dos vivos". Amen.

in: Homilia de João Paulo II, por ocasião da Festa do Corpo de Deus, em 14-06-2001.

segunda-feira, junho 04, 2007

Jorge de Sena




Nasce em 1919 e naturaliza-se brasileiro em 1963. Toda a sua vida como Homem e Escritor foi um hino de coerência e de amizade sincera e fraterna entre os dois povos. Licenciou-se em Engenharia na FEUP, num edifício que é bem nosso conhecido!
Ensaísta de vulto e professor de renome por terras do Brasil e dos EUA.
Faleceu no dia de hoje no ano de 1978, em Santa Barbara, Califórnia, onde leccionava.

Estão podres as palavras

Estão podres as palavras – de passarem
por sórdidas mentiras de canalhas
que as usam ao revés como o carácter deles.
E podres de sonâmbulos os povos
ante a maldade à solta de que vivem
a paz quotidiana da injustiça.
Usá-las puras – como serão puras,
se caem no silêncio em que os mais puros
não sabem já onde a limpeza acaba
e a corrupção começa? Como serão puras
se logo a infâmia as cobre de seu cuspo?
Estão podres: e com elas apodrece a mundo
e se dissolve em lama a criação do homem
que só persiste em todos livremente
onde as palavras fiquem como torres
erguidas sexo de homens entre o céu e a terra.

A Portugal

Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.
(…)