No final da última visita ao Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, destinada a ver uma exposição temporária de que dei conta em post anterior, não resisti a subir a escadaria do antigo edifício para contemplar, uma vez mais, as obras expostas do artista que dá nome ao museu. O meu olhar curioso repousou, desta vez, sobre algumas caricaturas que me inquiriram sobre a vida de Amadeo e dos seus amigos.

Esta caricatura representa o próprio Amadeo e o seu amigo Emmerico Hartwich Nunes (1888-1968), pioneiro da banda desenhada e do desenho humorístico em Portugal, estilo a que dedicou toda a sua vida. Diferentemente, para Amadeo de Souza-Cardozo, o desenho e, em especial, a caricatura, ocuparam um lugar relevante apenas no início da sua carreira, primeiro, em Lisboa e, depois, em Paris, para onde partiu aos 18 anos de idade.
São afamadas as tertúlias animadas que Amadeo todas as noites organizava no seu estúdio parisiense, reunindo vários artistas amigos, entre eles, o indefectível Emmerico Nunes.
Emmerico deve a sua ida para Paris, em parte, a José Malhoa, que, depois de ver os trabalhos do jovem artista, aconselhou o pai, Silvestre Nunes, a enviá-lo para a Cidade-Luz. Foi apenas o princípio. Emmerico expôs a sua obra em Inglaterra, na Holanda, na Bélgica, em Espanha e nos E.U.A., por vezes em conjunto com Souza-Cardoso, tendo trabalhado para publicações alemãs e suiças. Em Portugal, tendo embora participado em diversas exposições, Emmerico nunca obteve o mesmo reconhecimento. Alvos preferenciais da ironia do desenhador humorista eram os costumes da época, especialmente os protagonizados por pequeno-burgueses e novos-ricos.
