As sombras gigantescas projectadas nas paredes da Sala Suggia da Casa da Música, na noite passada, prenderam e envolveram a plateia, encantada com a genialidade dos três músicos que formam o McCoy Tyner Trio.
Os 69 anos de McCoy Tyner já lhe dificultam os movimentos, mas, depois de se sentar ao piano, parece recuperar 20 anos de vida. A leveza das suas mãos, que dançam freneticamente sobre o piano em solos que rasgam a opacidade do ambiente toldado de fumo, confirma o peso da sua carreira. Iniciou-se no jazz durante os anos 50, tocando com John Coltrane, e deixou a sua marca no panorama musical de então, criando harmonias e ritmos invulgares. Durante os anos 60, o pianista encetou os seus próprios projectos, reinventando tanto a música popular como estilos musicais de culturas distantes. O resultado foram 80 álbuns, 4 Grammys e o prémio Jazz Master do National Endowment for the Arts, atribuído em 2002.
Gerald Cannon e Eric Kamau Grávátt completaram o trio. Eric ocupou-se da bateria de forma competente, tendo brilhado sob os holofotes durante alguns solos. Foi, porém, Gerald Cannon quem dominou não apenas o contrabaixo mas também o público da Casa da Música.
Fica aqui uma amostra da genialidade de McCoy Tyner, já com alguns anos.
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segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Elogio ao Domingo (II)
domingo, novembro 05, 2006
Elogio do Domingo

Quem há pouco passou pela Casa da Música para assistir ao concerto da Kammerorchester Basel (Orquestra de Câmara da Basileia), não deu, por certo, o tempo por mal empregue.
Num tom intimista que este tipo de composição de orquestra proporciona, aliado a uma elevada qualidade técnica na execução, estes ilustres convidados brindaram-nos com sorrisos abertos e fáceis, não muito vistos em actuações deste género.
O repertório foi uma excelente escolha: cruzar Sergei Prokofiev com Joseph Haydn é uma ideia brilhante. Conhece-se o fascínio que o primeiro sentia pelo segundo, porventura devido ao facto de Haydn ter sido (também) um incompreendido no Neoclassicismo em que se inseriu. Longe de obras mais conhecidas do público, como é o caso da Sinfonia n.º 2 (conhecida como “Clássica”), a primeira parte abriu com uma composição que retrata a infância de Prokofiev (Dia de Verão. Suite op. 65a, de 1941), entre uma mãe que o estimulava no culto da música e um pai, engenheiro agrónomo, com outros planos para o único filho.
De seguida, o momento sem dúvida mais alto deste final de tarde de Novembro: a actuação a solo daquela que julgo ser, na actualidade, a maior violinista, na pauta do concerto para violino e orquestra n.º 2 em Sol menor op. 63, de 1936. Com apenas 23 anos, a alemã Julia Fischer é já uma certeza. A sua figura esbelta e escorreita alia-se a uma extraordinária capacidade técnica e mesmo cénica. A forma como vibra com cada nota que tira do seu violino com mais de 150 anos constituem um diálogo amoroso capaz de nos inspirar só bons sentimentos. A expressividade do som encheu a Casa da Música, perante uma solista que fazia mesmo esquecer a orquestra que tinha atrás.

Imensamente aplaudida, brindou o público com uma peça de Bach. O arco foi mesmo ficando sem linhas de cordas tanta era a vivacidade que esta jovem colocava na sua interpretação.
A segunda parte, com uma peça de ensemble (sonata para violino op. 115, de 1947) de Prokofiev foi o aperitivo para o diálogo com a sinfonia n.º 88 em Sol maior de Haydn (1787). Foi visível o humor que percorre a obra dos dois compositores que, afirmando-se nos sécs. XVIII e XX, mostram que a ironia é uma excelente arma.
Como dizia alguém no final, espectáculos como este e a uma hora tão cómoda de um Domingo, fazem-nos lembrar que o “dia do Senhor” é mais um dia para gozar em pleno e não para resmungar de forma mal-disposta com segunda-feira.
Julia Fischer, um nome a reter.
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