terça-feira, fevereiro 20, 2007

Anatomia do silêncio


Rembrandt, Lição de Anatomia do Dr. Nicolaes Tulp, 1632, Galeria Real de Pintura Mauritshuis, Haia.


Anatomia do silêncio
Em caravelas de quietude
São setas de virtude
Em alvos escolhidos.
Gesto quedo e tranquilo
Em cabelo salpicado
De Luz d’eterno brilho
E na fronte espigado.
Momento d’espiga
Do pão por ti amassado
Em violentas pancadas
De ternura caramelizada.

O silêncio é anatómico.
Acoberta-se de jeito ergonómico!

F.L.

4 comentários:

Anónimo disse...

A poesia está em ti,nas ideias, nas palavras nas figuras, como tudo é simples e belo.....Grande abraço

Maria Strüder disse...

O silêncio mata mais que automóveis.

Samantar Mohi disse...

Em silêncio, o mundo se desmorona e as águas do poço da alma sobem e transbordam, contaminando o tempo e espaço com o que somos em nós e para nós...

Um belo poema,
abraço bloguénico

Anónimo disse...

(...)
felizmente,há os versos, último esconderijo da pureza.porque os destinos são os versos e os pombos que cruzam o céu em círculos que sempre regressam.
(...)

josé luís peixoto
«a criança em ruínas)