quinta-feira, outubro 13, 2011

Junto a ti

Voo para junto das águias

que miram o mundo de cima,

sempre em perspectiva vertical.

Desloco-me para junto dos ursos polares

que se alimentam da brancura do gelo

e da monotonia do silêncio.

Parto para junto de vulcões

onde sofro o vermelho da lava

e contemplo a terra irada, zangada,

aborrecida, estupidificada com a própria terra.

Venho para junto de ti

e apenas encontro quietude, um amparo amigo,

um beijo doce e terno, um afago que regenera,

um conselho que alivia as durezas do dia.

Fico em tua casa. Na nossa casa. Partilho

contigo coisas pequenas, pequeníssimas,

tão insignificantes que, no dia seguinte,

ao acordar e ao mirar de soslaio

o teu corpo nu e depois vestido,

essas minúsculas coisas parecem ser

– são-no, de certeza! –

o magma com que construímos alicerces

e a tinta muito viva com que pintamos

Esperança!


F.L.

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