sábado, março 12, 2011

Porra!!


Vou dizer uma banalidade: estou mesmo muito preocupado com o nosso País, com todos nós.
É certo que em matéria de crises, devemos ter sempre a perspectiva da História e Portugal é pródigo em ultrapassar algumas gravíssimas situações económicas, sociais e políticas. Todavia, o que mais me inquieta é que agora são os jovens mais qualificados que se vêem forçados a sair de cá em debandada, deixando no País aqueles que não quiseram ou não puderam aceder a uma formação mais completa. Estamos a desbaratar o nosso ouro.
Mais ainda, mesmo que com manifestações mais que legítimas, o dito "Povo" está deprimido, sem perspectivas, sem vontade ou alento. Exactamente aquilo que, nos momentos-chave nos fez dar a volta por cima.
Ficaremos como quê? Estância turística? Não conseguimos ombrear com outras bem mais cotadas e preparadas. Como País da tecnologia? Não me parece. Agricultura é uma anedota, os serviços são demasiados e a indústria, descontados núcleos de excepção, sobrevive.
O pior é que a crise actual é estrutural e não conjuntural. Contende com todos os problemas por resolver desde o fim dos Descobrimentos. São séculos em que estivemos a varrer para baixo do tapete e agora já não nos aguentamos em cima dele.
Linguagem catastrofista? Basta olhar em redor. Isto não adianta nada. Sim, claro. O ideal é ter soluções. Muitas delas têm sido aventadas, mas não se queira resolver em alguns anos o que se não quis ou soube fazer em séculos.
Continuaremos, por isso, a viver tempos difíceis em algo que não deverá andar longe de mais um quartel de século. Quem, como eu, vai tendo emprego, mantém-se por cá, mas se o não tivesse ou se o perder, o mais certo é mesmo juntar-me ao leque da "valise de carton", agora com canudos à mistura.
Raio de sina? Triste fado? Nada disso, isto é mesmo o que nós todos somos!

6 comentários:

Carla* disse...

Estou a acabar a licenciatura. Neste momento, as perspectivas são zero. Se pudesse, por vários motivos, punha-me rapidamente lá fora. Suiça, Bélgica, quiçá... Mas se um dia tiver de sair vai custar-me muito deixar este lugar, esta cidade, os meus. Não faz sentido termos de ser nós a "pagar" (nós licenciados, nós jovens, nós escravos inteligentes, etc.) por quem, como diz, andou a varrer o lixo para debaixo do tapete. Preocupa-me muito o meu e o futuro dos meus. Muito mesmo.

filipelamas disse...

Como a compreendo...
Apesar de tudo, força!

Carla* disse...

Obrigada, bem é precisa! :)

Me, Myself and I disse...

Vivemos mergulhados numa imensidão de promessas vãs e quimeras absurdas.
E o Sócrates não é o culpado de todos os males deste país em eterno estado de promessa adiada.
Nos políticos, letrados em compromissos e lideranças e favores e acenos, vejo hipocrisia, movimentos e palavras contadas e pensadas como manobras, sem fundo e sem qualquer conteúdo que não o interesse próprio. Da esquerda à direita, do PR ao mais anónimo presidente de junta.
Na UE, a Alemanha lidera e ganha milhões à custa da desgraça das economias mais fracas e dependentes e há mais de um ano que Portugal e Espanha estão de mãos estendidas à espera que a tão propalada solidariedade europeia finalmente funcione...mas isso simplesmente não vai acontecer. Eleições na Alemanha e na França, opinião pública interna contrária a ajudas externas simplesmente não o vão permitir.
Entretanto, quem sempre teve dinheiro, investiu-o devidamente e atempadamente (vide o caso Santander e a escandalosa distribuição de mais valias da PT em vésperas da entrada dos cortes do PEC...) e aumentaram escadalosamente os seus lucros (os declarados...).
A classe média-baixa é a mais penalizada. Qualquer tentativa de constituir poupanças simplesmente não é possivel porque não há dinheiro.
Os licenciados estão completamente tolhidos. Com um pedaço de papel na mão, milhares de euros desperdiçados numa licenciatura que simplesmente não lhes serve de nada num país onde o desenrascanço e o chico-espertismo e o esperteza saloia prevalecem, condenados ao emprego que aparecer ou ao concurso que escape às malhas do PEC e abra uma oportunidade de futuro, cujas probabilidades de ser o seu são poucas ou nulas.
Caso aceda a um dos poucos estágios financiados pelo Estado, tem que pagar impostos e submeter-se à boa velha situação frequente de micro-poder e reverência perante os dinossauros que chegam ao topo da carreira e são protegidos e louvados, mesmo sendo completos robôs sem pilhas, embora no papel sejam exemplos de produtividade e recebam bónus pela classificação excelente que obtêm...
Que país é este onde durante décadas se criaram monstros sucessivos ( a função pública, o défice, as obras públicas, o amiguismo, a corrupção, a desvalorização do mérito face aos nomes certos na agenda telefónica...) e hoje os culpados são eleitos e reeleitos. E as pessoas por eles escolhidas gerem quase todas as empresas públicas dignas desse nome e se reformam quando querem com remunerações milionárias?
Que país é este onde quem chega a uma fase da vida em que noutros tempos teria acesso à cidadania plena (i.é. saía da faculdade e tinha um emprego à espera e um futuro a que se agarrar, e com isso tempo para pensar, estudar, crescer como pessoa e cidadão, ser mais do que apenas mais um número de BI e de contribuinte) hoje fica a ouvir histórias que começam inevitavelmente com a frase "no meu tempo é que era"...
O conformismo de quem teve o que precisava quando precisava embate forte com a necessidade de quem não encontra as mínimas condições para ficar no país onde nasceu e cresceu e seguir o caminho que escolheu e se preparou a vida toda para seguir.
Portugal é uma #$%&% de uma farsa!
E eu recuso-me a continuar ser actor.
Que as arruadas de hoje sejam apenas o início.
Por um amanhã melhor.

filipelamas disse...

Bem dito!

earlymorningtalk disse...

nunca foi fácil, mas agora é especialmente pior. não há perspectivas de nada. e isso assusta.