segunda-feira, fevereiro 15, 2010

desalento ou a importância da pontuação



já não há poemas

apenas palavras

desalinhadas fora de ordem imprecisas sujas

o poeta desalentou

o sangue do seu ofício já não corre

é simplesmente uma matéria

vermelha e coalhada

as palavras cortantes desenfreadas oxigenadas de vida

partiram para parte incerta

nesse estado de ausência pré-morte presumida

o poeta resiste e das sílabas faz sons

que balbucia a despropositadas horas

segundos minutos horas

palavras apenas de uma outra

que dizem ser «dia»

já não há poemas

apenas palavras

descarnadas pungentes e definitivas


FL

6 comentários:

rtp disse...

Saúdo este regresso! :-)
Estava a ver que, tal como a Rocky, também o Filipelamas desaparecera do T&L! ;-)

Amândio Sereno disse...

E que regresso...

Baudolino disse...

Excelente!
abraço

@zulebranco disse...

Bom dia,

Há já muito tempo que não passava por aqui, pelos vistos em boa hora passei....Muito mas mesmo muito Bom......Abraço

x disse...

brilhante e diferente. *

Anónimo disse...

O poeta não é poeta se não chegar a um leitor.
O leitor não é leitor se não tiver um poeta que faça magia com as palavras, com os sons.
A pontuação não é um fim em si mesmo, mas um mero caminho - o sentido, o significado das palavras "desalinhadas" está na alma de cada um. Na sensibilidade de quem interpreta...
"Adulterando" O poeta: quem escreve nunca sabe o que escreve
Nem sabe porque escreve, nem sabe o que é escrever... Porque, afinal, escrever é um modo de amar.

Pandora*