segunda-feira, julho 28, 2008

Do meu e-mail (XX)

ARTIGO DE NUNO MARKL P/ OS TRINTÕES
(revejo-me no artigo, até porque, numa aula há alguns meses atrás, quando disse "follow me", ninguém associou ao programa que nos fez a muitos aprender as primeiras palavras em Inglês, ou quando me referi à "pasta medicinal Couto" ou ao "desodorizante Lander"... e não me perguntem a que propósito falei eu destas matérias nas minhas aulas... ninguém sabe!)

http://mail.google.com/mail/?ui=1&realattid=0.0.4&attid=0.0.2&disp=emb&view=att&th=11afcba12b9a3348

A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida.

E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta.

O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer.

'Quem?', perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer! Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo?

A própria música: 'Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além...' era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.

Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora.

O D'Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas,lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual...

E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração: O Verão Azul.

Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.

Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos:Ele nunca subiu a uma árvore!

E pior, nunca caiu de uma. É um mole.

Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema.

Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos.

Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos.

Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra.

Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.

Confesso, senti-me velho...

Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador.

Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft.

Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros.

Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído.

Doenças com nomes tipo 'Moleculum infanticus', que não existiam antigamente.

No meu tempo, se um gajo dava um malho muitas vezes chamado de 'terno' nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse.

Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos.

Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo.

Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia.

E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade?

E ainda nos chamavam geração 'rasca'... Nós éramos mais a geração 'à rasca', isso sim. Sempre à rasca de dinheiro,sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos.

Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de presente de anos e Natal, tudo junto.

Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo.

Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta.

Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos.

Antes, só havia um cromo por turma. Era o totó de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas.

É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada.'

(Nota: ...os chocolates não eram gamados no 'Pingo Doce'... Ainda se chamava 'Pão de Açúcar'!!!)

4 comentários:

GBN disse...

Eh eh eh!
Só para repor a verdade (desportivamente): eu despudoradamente levantei o braço nessa aula!
Por alturas do "Follow Me" levava reguadas valentes na Escola Primária (hoje em dia a Professora Rosinda estava tramada: tinha à pega o paizinho, o psicólogo da criancinha hiperactiva, a Associação de Pais, e o Ministério Público muito provavelmente. Hoje chamam-lhe o I Ciclo do Ensino Básico.
Melhor! Na realidade, hoje em dia, a Professora Rosinda levava era um arreal de porrada até se lhe desconjuntarem os ossos cheiinhos de reumático que era para não se armar em parva e tirar o telemóvel ao Zézinho hiperactivo. Isto tudo enquanto alguém fazia um vídeo da "olha olha a velha a tripar".

Mas já nem creio ser preciso recuar muito. Por alturas de 1996 na FLUP os PROFESSORES escreviam-se assim mesmo, com letra grande no papel e grande reverência no momento de lhes dirigirmos a palavra. 12 anos! Como será daqui a outros tantos?
Talvez melhore quando os filhos dos que viam o Verão Azul e o Dartacão tenham os seus filhos nas Universidades...

RESSACA disse...

Aqui nasceu o Espaço que irá agitar as águas da Passividade Portuguesa...

Anónimo disse...

Que saudades daquele tempo! Vida ao ar livre, férias de 3 meses, aventuras, traquinices, noites de verão, Dartacão...
Apetece regressar ao passado...
Beijinhos! Danny

ig disse...

Este post espelha exactamente o que eu ando a querer dizer ha ja muito tempo. Esta juventude anda perdida! Por isso deixo aqui um viva a todos os elementos que nos fizeram despoletar grandes gargalhadas, a todas as feridas com ou sem sangue que surgiram quando jogavamos futebol e aos penaltis, ao grande Macgyver que, nos tempos de hoje, foi substituido por pseudoherois que nao deixam qualquer margem para entusiasmo.