Muito se tem escrito sobre a aparente crise existencial em que a Direita portuguesa, rectior, Manuel Monteiro e uns quantos apaniguados, tem mergulhado. Longe vão os tempos em que as diversas concepções ideológicas configuravam divisões estanques: a esquerda cuidaria da classe operária, dos pequenos industriais, basear-se-ia numa doutrina socialista/comunista, ao passo que a direita velaria pelos interesses dos grandes latifundiários, da burguesia comercial e financeira então nascente, num misto de liberalismo e de alguma intervenção do Estado, entre nós, como em outros Países europeus, sob forte influência da doutrina social da Igreja.
Estes tempos estão mortos e não se antevê o seu regresso em situação de normalidade constitucional. Apenas uma ruptura de regime seria capaz de fazer voltar a dicotomia que, por paradoxal, se limitou ao modo como os parlamentares se sentavam na assembleia popular saída da Revolução de 1789.
Não volta esse tempo de antanho, na medida em que as pessoas com ideologias tão vincadas são espécies em vias de extinção. E percebe-se porquê: tendo sido historicamente útil a destrinça – e não negando que ainda o possa ser, mesmo que de forma residual –, as populações (não gosto da expressão “povo”, dado estar demasiado gasta e hoje pouco mais ser que um conceito jurídico) cedo compreenderam que a agenda de um ou de outro lado, pelas próprias características dos seres humanos, não estão como que pré-determinadas por um código genético liberal/intervencionista, mas sim por um legítimo desejo de alcançar e manter o poder.
Se assim é, mais do que as ideologias, interessam as pessoas que, com o fito de atingirem os lugares cimeiros da governação, estão condenadas a centralizar o discurso. Avisadas pois as palavras de Vasco Pulido Valente (Público, 2/9/2006): «Em Portugal não há, nem pode haver uma direita. Em Portugal pode haver e há um “centrão”, com alguns, leves, cambiantes, que absorve e paralisa o resto. No seu melhor, a direita de que por aí se fala é uma sensibilidade e um sentimento».
Acrescentaria que, mutatis mutandis, o mesmo é aplicável à esquerda. Somente a História recente de pouco mais de 30 anos de democracia tem obnubilado que a dita esquerda é também centro, hoje mascarado de poder. Na verdade, estas pretensas crises só ocorrem quando um sector político está na oposição. No Governo tudo se aglutina em torno de um filósofo socrático com ares de respondão e que gosta de lançar charme correndo no “calçadão” e gozando férias em destinos pitorescos como o Quénia.
Se Manuel Monteiro deseja tornar-se carteiro, aconselha-se a jovem contratação dos CTT a não se esquecer da caixa de correio de Sócrates. No intervalo do jogging e da leitura dos panfletos do Continente, Lidl & Ca., ele ficará grato. E Monteiro terá prestado, porventura, a mais relevante contribuição política que lhe conhecemos. A bem da Nação.
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