
sábado, junho 30, 2007
quinta-feira, junho 28, 2007
Volutas de humo
À propos, deixo, hoje, aqui um vídeo interessante acompanhando o poema "Volutas de humo" de Salvador Angel Molinari. Estas intensas e curiosas palavras sobre o "encanto fatal" do tabaco encontram-se muito bem recitadas no álbum "City Zen" de um repetente aqui no blog, Kevin Johansen!
Para contrabalançar um aparente teor filotabagista deste post convém recordar que: fumar provoca sérias dificuldades na consulta do T&L.
Porto de Vista Esclarecida (XV)
O domingonomundo acertou! Trata-se de um pormenor do terraço trapezoidal escavado num dos vértices da Casa da Música. Acessível através do Restaurante Kool, este ponto, no último piso da Casa da Música oferece uma interessante perspectiva sobre parte da cidade do Porto. (Aqui fica uma foto do terraço e não a da vista sobre a Rotunda da Boavista pois tendo sido tirada à noite e com fraca luminosidade, não faz jus à qualidade da perspectiva).Este Porto de Vista foi colocado oportunamente para me proporcionar o ensejo de assinalar o facto de aquele (discutido) trabalho de Rem Koolhaas ter sido agraciado, conjuntamente com mais doze projectos, pela Royal Institute of British Architects (RIBA) com o seu Prémio Europeu para 2007.

quarta-feira, junho 27, 2007
Balla - O fim da luta
E porque o terceiro Best-of não está (nem pode ser) esquecido, aqui deixo "O fim da luta" d`"A grande mentira" de Armando Teixeira, quer dizer do projecto "Balla"...
By the way, alguém me sabe explicar como se pode postar uma música em mp3? Ouvi há um par de semanas uma preciosidade e, queria colocá-la aqui no blog... Mas não sei como proceder!
Early Night Post (30)

"(...) - Vêem-no? Estão a ver-lhe a história? Vêem alguma coisa? Até parece que estou a tentar convencer-vos de um sonho – tentativa inútil porque um relato de o sonho não transmite a sensação-sonho, aquele emaranhado de absurdos e surpresas, o desespero da angústia de sermos aprisionados, a sensação de sermos presas do inacreditável que é verdadeira essência dos sonhos ...
Fez um instante de silêncio.
- ... não, é impossível; é impossível transmitir a sensação-vida de uma época que vivemos – aquilo que constrói as suas verdades, o seu significado – a sua penetrante e subtil essência. É impossível. Vivemos como sonhamos – sós ... "
* Aproveito o ensejo para sublinhar a grande qualidade da peça baseada no conto de Conrad “An Outpost of Progress” que bebe a inspiração no livro que acabo de citar, apresentada, pelas Visões Úteis em parceria com o Teatro Nacional de S.João, no Teatro Carlos Alberto. Por causa da magnífica "A frente do Progresso" (com encenação e interpretações notáveis) comprei e li o poderoso "O coração das trevas".
sexta-feira, junho 22, 2007
Se
o mundo ficaria igual.
Nada de parangonas nos jornais,
nem bandeiras a meia-haste,
caras públicas pesarosas,
lutos nacionais decretados.
Se eu hoje morrer,
apenas Tu sentirás que parto.
Somente Tu acharás que uma parte
de ti aspirou e regressou ao Infinito.
Só Tu me recordarás perante os outros,
assegurando o estrito cumprimento
do legado que Te confiei:
de jamais a memória da minha Luz
se apagar num espaço de Trevas.
Quando eu hoje morrer,
não será o sangue que deixará de correr.
Serão antes colibris mil colores
que esvoaçarão em bandos
para terras mais quentes, mais favoráveis.
Quentes? Talvez mais frias, ao invés.
O calor sempre me confundiu.
Com o frio pensava melhor,
tinha mais consciência e controlo
sobre mim.
Sim. Serão então pássaros do frio
que desenharás na minha pedra tumular.
Se eu hoje morresse,
queria que do epitáfio constasse:
«Àquele a quem viver foi um misto de fardo
e de leveza de uma pena».
Assim me recordarias:
jogo de contrastes, palavras de conflito,
palavras de paz, gestos de desmando,
gritos de raiva, adultérios de prazer.
Mas se eu viver,
mais um dia que seja,
então vou renascer e de Fénix
fazer Vida, Felicidade e Paz.
(Risos. Altos. Sonoros. Estridentes.)
– Quem estou a enganar?
Se eu não morrer hoje
tudo ficará como sempre;
ver-me-ás de idêntica forma
reflectido na expressão do teu sorriso.
– Donde, Vida ou Morte?
Que venhas Tu! Que escolhas!
F.L.
domingo, junho 17, 2007
Dicionário Alternativo
Perdidamente
Hoje queria postar a música da Ala dos Namorados "Os loucos de Lisboa". Em especial pela alusão à capital, mas também porque gostava daquele projecto musical, entretanto extinto e aprecio em particular a música em questão.
À falta no youtube dessa canção com melodia de João Gil e letra de João Monge, aqui fica uma belíssima música "Perdidamente", com melodia do mesmo compositor, mas com as palavras da grande Florbela Espanca, cantadas por Nuno Guerreiro e por Sara Tavares.
Porto de Vista esclarecida (XIV)


sábado, junho 16, 2007
La Ci Darem la Mano - Placido Domingo e Sarah Brightman
Pelas vozes inconfundíveis de Placido Domingo e Sarah Brightman.
A provar que o dissoluto Don Giovanni revelava encantos ardis que seduziam belas donzelas (ou que o seduziam a ele mesmo?).
Lembro, a propósito, as reflexões da obra homónima de Saramago, neste blog. http://tretaseletras.blogspot.com/2006/08/post-scriptum.html
sexta-feira, junho 15, 2007
Poema pe(r)dido

Henry Scott Tuke, Lovers of the Sun, 1922, Forbes Magazine Collection,
Nova Iorque.
e tolheste o encanto que
em fios de chocolate
trazia ela em vã alegria.
Consumiste-me em pequenos
tragos musicados pelo ronronar
constante do comboio
onde bebi do teu sorriso
um olhar contemplativo,
um sorriso de explosão,
uma voz surda que me chamava
ao canteiro da rosa genuína,
perdida, abandonada.
Mataste-me o corpo
com palavras escarpadas
em imorredoiras tábuas de
Salvação, em mandamentos
decassilábicos incumpridos.
Libertaste-me o prazer
de a teu lado crescer
rumo ao Sol de Agosto,
agrilhoado a estacas e endireitando
o meu natural desequilíbrio
para ti.
Enevoaste-me a alma
clareando-me o espírito
alçado em arco-íris que
contigo e em ti despontou.
De cores mil,
pintalgado de tons e sons,
de murmúrios anestesiantes
e de sinfonias exaltantes de
uma beleza que é única,
irrepetível, que és tu.
Je voudrais, j’aimerais
te dire que tu m’as trépassé
par une flèche
de poison libertaire.
Je te remercie !
Tu m’as couvert l’âme,
mais cela était la seule façon
de me faire vivre.
F.L.
quarta-feira, junho 13, 2007
Dicionário Alternativo
Aos que lidam com filipelamas, tal acontece com mais frequência. Diz-nos que se trata de um léxico específico de uma pequena terra – qual enclave! – dirigida por um Marquis, o Marquis do Forno. Acreditamos que seja um dialecto local, mas suspeitamos que tem um travo claramente geracional (;-)).
Ora, com o vasto manancial fornecido por esse linguajar, a que chamaremos fornense, e porque no T&L gostamos de lançar desafios, vamos inaugurar uma nova rubrica: o dicionário alternativo. Aqui vamos deixando palavras ou expressões menos comuns, pedindo que tentem adivinhar o que significam.
E a expressão de hoje é: "Fruta seca"
Curtas sobre metragens - Climas

Relizador: Nuri Bilge Ceylan
Interpretações: Ebru Ceylan, Nuri Bilge Ceylan, Nazan Kirilmis
Género: Drama
Classificacao: M/12
Estúdios: NBC Productions
FRA/Turquia, 2006, Cores, 101 min.
Tudo começa em período estival nas paradisíacas praias de Kas. As nuvens que toldam o semblante de Isa, apesar do sorriso com que procura iluminá-lo, prenunciam tempestades que o sereno azul do céu ainda não permitiria antecipar.
Com o vento que varre a paisagem e à medida que o estado climatérico se vai agravando, conhecemos, num passar de tempo em ritmo quase real (a lentidão de alguns planos, ainda que quase sempre compreensível, roça o excessivo), o deserto em que Isa e o seu marido se movem. A ausência de diálogo, o desencontro de interesses, a pretérita traição que intuímos são sinais (efeitos?) de uma solidão vivida a dois.
Sinais que os espectadores lêem ao mesmo tempo que os protagonistas. A tempestade instala-se então. O filme retrata-a ao mesmo tempo que nos dá a conhecer, no Outono de Istambul, o percurso proceloso daquelas duas almas melancólicas separadas por um abismo cavado na distância dos seus mundos, dos mundos que foram construindo.
A meus olhos, essa narrativa poderia ter sido desfiada de uma outra forma. Ganharia se
se descontasse a presença desnecessária de episódios anódinos ou inconsequentes (a história do PC que estranhamente aparece ligado!) e se se suprisse a ausência de episódios reveladores da essência da história contada.Tenho, no entanto, de aplaudir aquele que me parece ser o tom característico do filme: a sua genuinidade. Revelada na pureza dos sons – da chuva, dos passos, da respiração, do movimento da areia. – e na limpidez da imagem. É muito belo o plano da praia quando Isa sonha, ou aquele em que ela espreita por uma janela enevoada, já para não falar naquele que encerra o filme.
Gostei de "Climas", quarta longa-metragem de Nuri Bilge Ceylan, realizador que é também o protagonista do filme (na tela é uma espécie de George Clooney da Turquia, tomando de empréstimo uma opinião e imagem alheias!) junto da sua mulher, Ebru Ceylan.

Pessoa de Portugal

Lembrar Pessoa é sempre recordar uma parte de nós.
Que melhor forma de o homenagear que não seja através da sua poesia?
Fica aquele que é, para mim, o poema que mais necessitamos todos de ouvir, nesta época da nossa vida colectiva, e aproveitando ainda os ecos do 10 de Junho.
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»




