sexta-feira, abril 22, 2011

Rio


No passado dia 19 de Abril, por ocasião da Sessão Evocativa do 25 de Abril, Rui Rio proferiu um discurso marcante, de antologia.
Para além de ter traçado com rara clarividência o percurso sinuoso que nos conduziu à actual crise, o Presidente da CMP desconstruiu mitos e dogmas e, por entre uma crítica arrasadora aos partidos políticos, traçou novos caminhos que passam, fundamentalmente, pelo esforço e pelo trabalho empenhado, pela redução da despesa e pela revitalização da economia. Goste-se ou não de Rui Rio, este foi, sem dúvida, um discurso que merecia ter ecoado na comunicação social, o que só aconteceu de jeito tímido. Mais uma prova de que aquilo que se diz a Norte pouco interessa, e isto mais por inépcia nossa do que por centralismo (também existente) da 2.ª capital do império (a primeira não é definitivamente Lisboa).
O discurso, na íntegra, pode ser lido em: http://www.cm-porto.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=cmp.stories/16423.

Já não percebo nada


O PS surge à frente nas intenções de voto nas próximas legislativas. É concedida tolerância de ponto em pleno momento em que a "troika" está entre nós. O PM mantém-se impassível a viver em um país que não existe, contradizendo-se a cada dia.
E, mesmo assim, as sondagens são-lhe favoráveis. Todos sabemos que elas podem ser - e são-no muitas vezes - manobradas, ludibriadas. Mesmo assim, uma vitória, mesmo que escassa e dentro da margem de erro, não deixa de ser no mínimo... curiosa!
Afinal, os Portugueses gostam disto. Adoram Sócrates e o que ele representa. Pois bem, então que se mantenham na mediocridade.
Cada Povo tem os líderes que merece. E, ao que tudo indica, nós não merecemos melhor que Sócrates. Ainda por cima este está a anos-luz do filósofo.

quinta-feira, abril 14, 2011

Nada de novo


Está sol e, ao mesmo tempo, o país anda cinzento.
Há gente em esplanadas, cafés e restaurantes e, ao mesmo tempo, dizem-nos que os cofres do Estado só aguentam até Maio.
Há pessoas a passarem fome e, ao mesmo tempo, o Algarve e destinos turísticos bem mais paradisíacos estão repletos de tugas.
Três equipas portuguesas estão na fase final de uma importante competição europeia de futebol e, ao mesmo tempo, diariamente são declaradas insolventes várias sociedades comerciais.
O mar continua no sítio e, ao mesmo tempo, ministros de governos europeus dizem que o nosso país é inviável, que teremos de sair da zona euro e que nos temos de acostumar a uma mediocridade que, referem, é inata aos portugueses.
Voltando ao sol, ele tem nascido todos os dias e continuamos, ao mesmo tempo, a não ter culpados pela ruína do país, o PM continua a assobiar para o lado, o PR remete-se ao silêncio ensurdecedor (desilusão).
Conclusão: nada de novo em Portugal.

Imagem: http://alvorecer-escriba.blogspot.com/2010/03/portugal-pais-que-ja-foste.html

domingo, abril 10, 2011

Congressos


Os congressos são (ou devem ser) momentos vivificantes da Democracia. Verdade insofismável em qualquer democracia de recorte ocidental. Devem, também, ser eficazes em termos de mensagem política e de unidade para dentro e para fora das paredes de quem o organiza.
Já tenho muitas dúvidas é da eficácia de um simples beija-mão com muitos "Zé, estamos contigo!", ou "Vês, Zé, não sabias se o partido estava contigo... Aqui tens a resposta!"... Ou será mesmo essa a essência dos congressos?
Conclusão: não percebo nada de congressos...

sexta-feira, abril 08, 2011

Aparências


Os acontecimentos dos últimos dias tiveram, pelo menos, a vantagem de pôr a descoberto a verdadeira natureza da UE: uma federação, independentemente do "nomen iuris" que se utilize e das comparações que se façam com os critérios constitutivos da definição jurídica de "federação".
A questão é sim a de saber se os povos europeus desejam, efectivamente, uma federação. Mas, sobre isso, ninguém quer ouvir os eleitores. Estranha democracia europeia esta...

quinta-feira, abril 07, 2011

E eis que o Fundo começa a frutificar! Abençoado seja!


Somos mesmo ingratos enquanto Povo. Então não é que, apesar de ainda não formalmente comunicado à CE, o pedido de "assistência financeira" já começou a dar frutos? Há muito tempo que Portugal não era manchete em grande parte dos meios de comunicação social internacionais! Prevê-se uma grande ajuda já para o turismo, que rejubila com este golpe publicitário sem precedentes. Este Verão virão mais "cómones" e "avecs" molhar os pés nestas águas maravilhosas e comer o "bácálao" tuga. Muito obrigado, FEEF em associação com o FMI! Esta será a terceira vez que vos teremos por cá e vocês estão cada vez a actuar mais rápido! Só não percebo como é que ainda não vos entregámos os comandos da "Nação"... Até nisto somos ineficientes.
Prevê-se ainda um "boom" nos serviços de organização de eventos, "caterings" e similares, com a grandiosa preparação para a aterragem na Portela, recorrendo à música de José Mário Branco que, tudo indica, deverá ser substituído, neste acto, por uma "boys band" de Chelas, atenta a agenda carregada de Tony e Mikael Carreira.
***

Entretanto, na Líbia, noticia-se o primeiro carregamento de um petroleiro com crude produzido pelos rebeldes, o qual, cito, será utilizado na compra de armamento e mantimentos. Com a bênção dessa coisa que é a "comunidade internacional". Não discuto que o Coronel não é um democrata, mas serei só eu que vejo um tremendo "nonsense" nesta notícia? Eu bem aprendi que o Direito Internacional Público sofre de uma tripla debilidade quando toca a caracterizá-lo como um verdadeiro ramo de Direito capaz de impor as suas normativas pela coacção pública, se necessário for. Mas é por estas e por outras que me parece que o DIP já faleceu há muito tempo. RIP.

quarta-feira, abril 06, 2011

O Fundo - parte I

Era mesmo inevitável, depois de toda a incompetência acumulada ao longo de anos e de Governos.
Eu já estou a treinar a barriga, para apertar mais.

sábado, abril 02, 2011

Spring?

Spring's coming to town? I surely hope so...

quinta-feira, março 31, 2011

Anima mea!

Alma magnífica esta que me conforta e me ampara. Tesouro escondido que paulatinamente se revela. Só tu me susténs, só tu me identificas. Em indizível Magnificat te tens vindo a transformar. Luz, paz e serenidade vens irradiando. Alegria da criação humana bebo em ti, pedindo-te emprestada a Torga. Esteio da vida pós-niilista.
Tu, Alma! Simplesmente tu!

terça-feira, março 29, 2011

quinta-feira, março 24, 2011

Pedimos desculpa pela interrupção


A crise segue dentro de momentos... agora estamos em "campanha eleitoral".
"Please do not disturb".
Vêem aí os "soundbytes" e os sacos plásticos, as canetas e as bandeirinhas. Propostas? É preciso?

segunda-feira, março 14, 2011

Já não falta mais nada

Calculismo

Aí vem a dramatização e a vitimização, depois de o agente ter incendiado todo o sistema político-constitucional. Calculismo político em estado puro, hoje, às 20 h, numa televisão perto de si...

sábado, março 12, 2011

Porra!!


Vou dizer uma banalidade: estou mesmo muito preocupado com o nosso País, com todos nós.
É certo que em matéria de crises, devemos ter sempre a perspectiva da História e Portugal é pródigo em ultrapassar algumas gravíssimas situações económicas, sociais e políticas. Todavia, o que mais me inquieta é que agora são os jovens mais qualificados que se vêem forçados a sair de cá em debandada, deixando no País aqueles que não quiseram ou não puderam aceder a uma formação mais completa. Estamos a desbaratar o nosso ouro.
Mais ainda, mesmo que com manifestações mais que legítimas, o dito "Povo" está deprimido, sem perspectivas, sem vontade ou alento. Exactamente aquilo que, nos momentos-chave nos fez dar a volta por cima.
Ficaremos como quê? Estância turística? Não conseguimos ombrear com outras bem mais cotadas e preparadas. Como País da tecnologia? Não me parece. Agricultura é uma anedota, os serviços são demasiados e a indústria, descontados núcleos de excepção, sobrevive.
O pior é que a crise actual é estrutural e não conjuntural. Contende com todos os problemas por resolver desde o fim dos Descobrimentos. São séculos em que estivemos a varrer para baixo do tapete e agora já não nos aguentamos em cima dele.
Linguagem catastrofista? Basta olhar em redor. Isto não adianta nada. Sim, claro. O ideal é ter soluções. Muitas delas têm sido aventadas, mas não se queira resolver em alguns anos o que se não quis ou soube fazer em séculos.
Continuaremos, por isso, a viver tempos difíceis em algo que não deverá andar longe de mais um quartel de século. Quem, como eu, vai tendo emprego, mantém-se por cá, mas se o não tivesse ou se o perder, o mais certo é mesmo juntar-me ao leque da "valise de carton", agora com canudos à mistura.
Raio de sina? Triste fado? Nada disso, isto é mesmo o que nós todos somos!

sexta-feira, março 04, 2011

Nikolai Lugansky



Nikolai Lugansky - Johannes Brahms, 6 Peças para piano, op.118, Intermezzo n.º 2.

Belíssimo concerto de Nikolai Lugansky, ontem, na Casa da Música.
Magnífico em Schumann (Carnaval de Viena) e Rachmaninoff (Sonata n.º 1 em Ré menor, op. 28). Sublime na interpretação das "6 peças para piano" de Brahms.

terça-feira, março 01, 2011

domingo, fevereiro 27, 2011

James Blake II



The Wilhelm Scream por James Blake

James Blake - I



Limit to your love da Feist por James Blake

Prof. Gastón Chaves


Aos bons amigos que vamos conhecendo na vida, àqueles que nos fazem pensar na beleza da criação humana, àqueles que connosco repartem sem sequer abrirem a boca, nunca dizemos adeus...

Hasta luego, Maestro!

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

The Economy


Say Hey Hey


Por Lengendary Tigerman com DJ Ride, Nel Assassin e João Doce.
Um dos momentos altos do concerto do Coliseu do Porto a 21 de Janeiro.

Verdade (in)conveniente


O Prémio Nobel, Paul Krugman, disse tudo sobre a crise do euro e da dívida, colocando o dedo na ferida e relembrando o que se vai dizendo em surdina: não são apenas os especuladores a ganhar milhões, mas também a Alemanha.

O economista considera que o sucesso da união monetária deveria ser um dos desafios mais importantes do projecto europeu mas que, na realidade, o euro está a conduzir países em risco como a Grécia ou a Espanha a uma “orgia de empréstimos financiada pelo boom das exportações alemãs”.

In: Público, 23.2.2011.

Ofensa ao Direito Penal

Vejam lá, que nas novidades da editora jurídica "Tirant lo Blanch", um certo livro é categorizado como... Direito Penal... Porque será?:)


terça-feira, fevereiro 22, 2011

Tretas sobre neve


Temos paz e cólera dentro de nós. Construção e destruição. Vida e morte. Amor e ódio.

E de tudo isto, o que fazemos? Nada. Limitámo-nos a viver tudo isto. Quantas vezes fulminando de cólera quem nos ama e amando quem nos odeia sem que saibamos. (ou mesmo não o ignorando). Nascemos, procriamos (ou não, parece que não é obrigatório) e morremos (esta sim, não se pode passar). Há quem diga que nada de nós fica sobre a terra. Que o fim é simplesmente o fim. O grande vazio, o silêncio eterno. Se assim fosse, porém, como explicar que um desconhecido nos atraia de imediato e um outro nos cause repulsa, sem sequer ter aberto a boca? Como justificar que tenhamos a sensação de ter já vivido algo que se assemelha tanto ao que está a suceder? Há momentos em que sabemos o que o interlocutor vai dizer. Palavra por palavra, como se fossemos o encenador de uma peça que só conhecemos em parte, desconhecendo sempre o fim.

Há, só pode haver, um projecto, uma força, um Ser que vive sem tempo nem espaço. Que se deve fartar de rir com os nossos melodramas, com as nossas glórias, com as nossas pedinchices. Que se ria! E que lhe saiba muito bem! De que adianta dizerem-me que são coisas menores quando são as minhas coisas? O que é humano nunca é menor. Necessita de ser integrado, de ser visto em perspectiva, por certo, mas nunca é menor. Não se criticam sentimentos. Pode e deve, quantas vezes, ajudar-se a ver outros.

***

O branco das árvores, dos seus troncos, e o leito em que a cidade está envolta convidam à reflexão que só as águas permitem. Estas, em estado mais sólido, têm a vantagem de fixar as imagens, ainda que pouco ou nada nítidas. Mas fixam-nas. E não há como a segurança para um Touro. Eu diria, para qualquer ser humano. Bem-vindos à neve!

Beautiful Tango


Por Hindi Zahra.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

The Cavern


Colour my eyes. Paint my insides.
Paul McCartney is an Evertonian

No dia em que se assinala o decurso de 50 anos sobre a data em que os Beatles se estrearam no The Cavern, eis umas recordações fotográficas de uma passagem pelo Pub de Liverpool
(nem o facto de o bar actual não se localizar exactamente no mesmo sítio do original parece ter perturbado o lendário “the most famous club in the world”)

Dominó

Cai neve em Freiburg

"Cai neve em Freiburg.
Há sol (???) no meu país..."

O grande José Cid devia-se sentir bem por estas bandas...

domingo, fevereiro 20, 2011

Indomável


"True Grit - Indomável"

Contra as minhas expectativas (e, talvez, também por isso), gostei muito de “Indomável”. O facto de ser um western não augurava um filme que apreciasse. Mas surpreendeu-me muito positivamente!
Não sei se está ao nível de outras obras de Cohen (nem tal me interessa, para ser sincera), mas parece-me um filme muito bom. Aliás, se tivesse que escolher um dos nomeados para melhor filme (e tendo visto, para além dele, “A rede social”, “O Discurso do Rei” e “O Cisne Negro”), entregaria o Óscar a “Indomável”.
E, com grande pena, as minhas certezas quanto ao merecimento da atribuição da estatueta ao Colin Firth, pela sua brilhante actuação em “O Discurso do Rei”, ficaram abaladas com a interpretação de Jeff Bridges. E isto, apesar daquele ser um dos meus actores de eleição (que pena não ter recebido o Óscar por “Um homem singular”!), e o último não ser da minha predilecção...

Early Night Posts (76)

The Road to Vetheuil, Claude Monet

“O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro.
Fala de Tahir”

Mia Couto, Terra Sonâmbula, Leya SA, 2008, p. 5.

pain

to be alone in anguishing pain

makes one suffer mistily in vain

be not prepared to this undergo

be gentle with those you may know

and now that storm has stepped aside

do not forget who was beside


FL

According to Greta

According to Greta, 2009, um interessante hino à vida. Nada de obra-prima, mas jeitoso para uns dias de forte gripe...

sábado, fevereiro 12, 2011

Carla Machado

Não tive, com muita pena minha, o gosto de conhecer pessoalmente a Prof.ª Carla Machado, Professora da Escola de Psicologia da Universidade do Minho. Apenas (e não é pouco!) tive o prazer de ler alguns dos seus trabalhos em áreas de interesse comum. Por amigos próximos, fui descobrindo a beleza da sua personalidade.
A Prof.ª Carla Machado deixou-nos há poucos dias. O seu legado, para além da obra científica, conta, de entre outros, com uma crónica que não conhecia e que me tem deixado a reflectir. Muito. Identifico-me amiúde com o «síndroma do eterno queixume português», como lhe chama o Prof. Cândido da Agra, amigo da Prof.ª Carla Machado.
Vou esforçar-me por queixar-me menos e viver mais.
Aqui fica a crónica

A vida normal

Carla Machado

Público
, 24.8.2006

Todos passamos a vida a desejar a vida que não temos. Queixamo-nos do emprego, dos colegas que são chatos, do chefe que não nos dá valor, do muito que trabalhamos e do ordenado que é fraco. Reclamamos do tempo, que chove e não se pode ir à praia, que não chove e faz mal à agricultura, do sol que é pouco ou demasiado, do suor, do frio e do vento, do calor que nunca mais se vai embora e do Verão que nunca mais chega. A família cansa-nos, mas odiamos quando esta nos ignora; dizemos mal do amigos sem os quais não sabemos passar; suspiramos pelo fim do serão em que as visitas se vão embora, mas despedimo-nos combinando um novo jantar. Estamos fartos dos filhos, mas passamos o tempo a falar deles e a mostrar as suas fotografias aos amigos. O barulho que fazem enlouquece-nos, mas o silêncio da sua ausência é insuportável. Queixamo-nos do marido ou da mulher, que não são como dantes, que nos irritam, que não nos surpreendem, mas suspiramos quando nos faltam e reclamamos quando fazem alguma coisa com a qual não contávamos. Estamos no Algarve a suspirar pela frescura do Minho, no Minho damos por nós desejosos da brisa costeira, na cidade irrita-nos o artificialismo e em Trás-os-Montes formigamos com a ânsia de fugir à ruralidade. E do país, todos nos queixamos do país até ao momento em que "lá fora" concluímos com um orgulho disfarçado que realmente "comer, comer bem, só mesmo em Portugal". De queixume em queixume, passamos pela vida muitas vezes sem deixar verdadeiramente que a vida nos atravesse. E só quando somos roubados ao quotidiano que tanto maldissemos damos conta do tempo que perdemos nos lamentos sobre o tempo que os outros nos fazem perder. Há pouco mais de um mês, numa consulta que era suposto ser de rotina, foi-me diagnosticado um tumor. Felizmente benigno, como soube após 24 horas de espera. E, tal como seria de prever, naquele momento inicial em que o espectro de algo mais grave ainda não tinha sido afastado, o meu pensamento imediato foi: "Mas afinal porque é que eu estou aqui, afundada em Braga a trabalhar, em vez de ter já há muito tempo fugido para Bora-Bora?" Passado contudo tal instante, e nas 23 horas que se seguiram, foi da vida normal que tive saudades antecipadas. A vida normal: trabalhar, ir ao cinema, abraçar quem amo, rir-me das pequenas parvoíces do quotidiano, ver a minha filha a dormir e sentir o seu cheiro. A vida normal está aqui mesmo ao lado. E aposto que Bora-Bora tem imensos mosquitos.

Vivam os auscultadores!

Em Portugal, na Alemanha, em todo mundo dito «civilizado», cada vez as pessoas se permitem menos tempo para escutar o silêncio. Escondem-se atrás de «headphones» a toda a hora, na rua, nos transportes públicos, a estudar, a trabalhar, a praticar desporto...
Parece que tememos cada vez mais estar connosco próprios, como se isso fosse demasiado assustador. Ouvir as vozes que ecoam de dentro não é fácil, mas é extremamente necessário. Imagino como farão os mais maníacos desta obsessão anti-silêncio com o sono. Será que também adormecem ao som de música ou de televisão?
Estamos cada vez mais civilizados, dizemos e dizem-nos. Sentamo-nos em cafés de cadeias internacionais do tipo «Starbucks», numa qualquer cidade europeia há poucas décadas atrás quase inacessível para um vulgar tuga. E lá estão os auscultadores...
Bem, com todas estas tretas tirei os ditos cujos e já não me posso ouvir... Vou voltar aos auscultadores e a textos bem interessantes...
A bem do meu sossego interno...

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Eu e "mim"

Quantas vezes eu não concordo comigo mesmo? Quantas vezes desconfio do que fiz e, a final, acabo no mesmo ponto? Eterno retorno ou eterna constância?

sábado, fevereiro 05, 2011

The king's speech

"O discurso do Rei" impressiona pelas duas interpretações soberbas de Colin Firth e de Geoffrey Rush. Ficamos speechless ao vê-los e a dupla funciona com marcada qualidade. Mais ainda, com um humor muito british, como se impõe. Ver um simples zé-ninguém dar ordens a um monarca na década de 30 do passado século não é para qualquer um. A leveza com que Rush o faz é de sublinhar.
Firth tem aqui um dos seus melhores papéis. O modo como interiorizou a gaguez é brilhante, assim como o misto de fleuma e de sentimentos que assolavam o interior de réis ainda em adaptação às mudanças no Império e ao dealbar da II Grande Guerra.
Vale ainda como documento histórico, relatando o processo de abdicação de Eduardo VIII por via do desejo deste casar com Wallis Simpson.
Quase que se fica com pena dos monarcas... mas se pensarmos melhor, pena mesmo era do povo que não tinha as mesmas mordomias...
Nomeações bem merecidas aos Óscares! A ver vamos!

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Suveniirid

Suveniirid de Tallinn
Imagens do perfil da cidade com o Golfo da Finlândia ao fundo


Catedral Ortodoxa Alexander Nevsky



Interior e pormenor do menu do Restaurante Medieval "Olde Hansa"





... e a presença portuguesa em Tallin

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Early Night Posts (75)

“Esta é a história do nosso bairro, ou, melhor dizendo, estas são as histórias do nosso bairro. (…)
Aquele acontecimento aumentou mais ainda a tensão que reinava no bairro. O administrador temia sobretudo uma coisa: que os habitantes se apercebessem que a união deles constituía uma força poderosa para fazer frente ao futuuwat. Por esse motivo julgava necessário acabar com Rifa`a e com todos os que podiam tomar o seu partido.
(…)
Contudo porque será que o nosso bairro sofre de amnésia?
(…)
- Só pela força haveremos de limpar o nosso bairro da podridão dos futuuwat. – continuou Qasim – É pela força que haveremos de realizar a vontade do Fundador! É pela força que haveremos de fazer reinar a justiça, a compaixão e a paz! E a nossa força será a primeira a não ser tirânica! ”

Maguib Mahfouz, Os filhos do nosso bairro, Civilização Editora, 2009, p. 1, p. 217, p. 239 e p. 301.

A actualidade fez-me recordar esta obra de Maguib Mahfouz que conta a história do bairro do egípcio Gabalawi, em que se sucedem os administradores do waqf e os seus futuwwat, sob o flagelo do esquecimento num tempo para todo o sempre volvido.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Hereafter - Outra vida

Hereafter - Outra vida. Enternecedor diálogo de como lidamos com a morte. Esse tabu supremo que nos acomoda ao desconhecido final. Estórias que se entrelaçam e que, como num "puzzle", acabam por fazer sentido no final. Dor e sofrimento sem sentido que, afinal, terão algum. Apenas algum. Não concebo grande sentido na morte de um filho, de um pai ou de um/a companheiro/a de toda a vida.
Alegoria do efémero, do fraquíssimo significado do "sucesso". Inquietação sobre a mudança (tudo muda!).
Bem realizado, excepto no que toca aos efeitos especiais: muito artificiais.

Janelas

Há uma frase que me tem "incomodado": temos de abrir janelas para a felicidade. Se isso não for possível, ao menos que se abram frestas. Mas se se puder abrir portas de par em par, então tudo vale a pena.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Impressões

É impressão minha ou estamos a assistir a uma aplicação da lei do tabaco cada vez mais descuidada, ao contrário do que parecem ser as intenções da DGS? Cada vez que saio à noite, são mais os bares em que se fuma e a extracção é péssima...
Já estava desabituado do cheiro a tabaco impregnado na roupa e no cabelo...

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Modernices


Não me consigo deleitar com a música contemporânea para órgão que ouvi no passado dia 21 de Janeiro, na Igreja da Lapa. Jean Guillou, de quase 81 anos é mundialmente conhecido e, provavelmente, o melhor executante vivo de órgão. É admirável assistir à sua arte, ainda por cima em tão vetusta idade. O pior são as suas composições... Não consigo gostar. Lamento. Sei que não deve ser muito "intelectual", mas é o que temos...

Cópia certificada

De Abbas Kiarostami, com Juliette Binoche, William Shimell e Jean-Claude Carrière nos principais papéis, surpreende pelo modo quase inusitado como termina. Uma teia de rotinas de amor, um fingimento de uma relação que não existe mas que, nessa mesma inexistência, se torna tão real porque igual a tantas relações desgastadas.
Um constante jogo documental do que se cobra entre amantes, das picardias e das grandes arrelias, aqui e além polvilhado por um humor francês?, italiano?, do Médio Oriente?

1974

Valeu a pena passar pelo Teatro S. João e ver a peça "1974", criada pelo "Teatro Meridional" e encenada por Miguel Seabra.
Os quadros retratam o Portugal antes e depois do 25 de Abril. Revemo-nos todos em tantos pormenores da nossa história colectiva. Ficamos abismados com a fraqueza dos actuais dias (o último quadro diz respeito à adesão à então CEE), agarrados aos telemóveis e aos demais bens de consumo, deambulando à toa pela cidade.
Excelente representação de um elenco de actores jovens, que dominam com mestria a movimentação em palco, o corpo e a criação de distintos sentimentos, desde a alegria da Revolução à apatia do neoliberalismo.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Desconcerto

Viver desconcertado

com a aurora da manhã,

com o sol da tarde,

com as estrelas da noite.

Passear pela cidade e

contemplar edifícios decadentes,

prédios luzidios e funcionais.

Deambular pelos rostos:

fartos de viver, uns,

sedentos de vida, outros,

irradiando calor, uns poucos,

encantados pelo bicho da vida, todos.

Por entre desabafos, sussurros e gritos,

ecoa um plano superior,

uma gaivota desagrilhoada no infinito,

um barco que faz cócegas ao horizonte,

uma criança que nos desarma a sorrir.

Contrastes, inquietações, sentimentos

poderosos de ter e não ter,

de poder e amar.

[Amar é poder ou somente poder amar?]

F.L.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Neurónio(s)


Estava há pouco a escrever uma mensagem de Boas Festas e não é que me saiu esta "coisa"??

Eu ia desejar-lhe Bom Ano de 2011, e desejo-o de igual modo, com toda a sinceridade, mas as notícias que me chegam dos economistas quase me desmotivam... Gostaria de dizer que espero que as suas previsões se equivoquem, mas creio já não ter idade para acreditar no Pai Natal...

Ele há dias em que os dois neurónios fazem faísca...

domingo, dezembro 26, 2010

Curiosidades...

Quem disse que o Direito (Penal, embora não pareça...) não tem piada? Nas investigações por distintos motivos, vejam a pérola que encontrei, tão "moderna" e adequada aos nossos tempos:

"Por consequencia o fundamento immediato do matrimonio não é qualquer consentimento, mas um consentimento racional.
Racional ou irracional que fosse o consentimento, nunca elle podia produzir effeito, se da naturesa não tivesse a humanidade recebido o elemento da sociabilidade.
É portanto, a sociabilidade o fundamento primario do matrimonio.
O fim do matrimonio é a educação da prole e a manutensão d'uma communhão physica e moral por toda a vida entre os conjuges".

Joaquim Machado Cabral e Castro, Theoria do Castigo. Principios Fundamentaes. Offerecida aos Juristas da Universidade de Coimbra de 1859-1860, Coimbra: Imprensa Literdria, 1860.

O último parágrafo parece escrito por uma política da nossa praça...

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Can you hear what I hear? - Natasongs # 22

"Can You hear what I hear?" pelos Pink Martini.

Com Votos de um Feliz Natal

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Natasongs # 21

"Last Christmas" por Florence and the Machine

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Natasongs # 20

Angels from the Realms of Glory por Annie Lennox

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Natasongs # 19

Winter Wonderland por Jason Mraz

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Natasongs # 18

"River" por Joni Mitchell