domingo, fevereiro 20, 2011

pain

to be alone in anguishing pain

makes one suffer mistily in vain

be not prepared to this undergo

be gentle with those you may know

and now that storm has stepped aside

do not forget who was beside


FL

According to Greta

According to Greta, 2009, um interessante hino à vida. Nada de obra-prima, mas jeitoso para uns dias de forte gripe...

sábado, fevereiro 12, 2011

Carla Machado

Não tive, com muita pena minha, o gosto de conhecer pessoalmente a Prof.ª Carla Machado, Professora da Escola de Psicologia da Universidade do Minho. Apenas (e não é pouco!) tive o prazer de ler alguns dos seus trabalhos em áreas de interesse comum. Por amigos próximos, fui descobrindo a beleza da sua personalidade.
A Prof.ª Carla Machado deixou-nos há poucos dias. O seu legado, para além da obra científica, conta, de entre outros, com uma crónica que não conhecia e que me tem deixado a reflectir. Muito. Identifico-me amiúde com o «síndroma do eterno queixume português», como lhe chama o Prof. Cândido da Agra, amigo da Prof.ª Carla Machado.
Vou esforçar-me por queixar-me menos e viver mais.
Aqui fica a crónica

A vida normal

Carla Machado

Público
, 24.8.2006

Todos passamos a vida a desejar a vida que não temos. Queixamo-nos do emprego, dos colegas que são chatos, do chefe que não nos dá valor, do muito que trabalhamos e do ordenado que é fraco. Reclamamos do tempo, que chove e não se pode ir à praia, que não chove e faz mal à agricultura, do sol que é pouco ou demasiado, do suor, do frio e do vento, do calor que nunca mais se vai embora e do Verão que nunca mais chega. A família cansa-nos, mas odiamos quando esta nos ignora; dizemos mal do amigos sem os quais não sabemos passar; suspiramos pelo fim do serão em que as visitas se vão embora, mas despedimo-nos combinando um novo jantar. Estamos fartos dos filhos, mas passamos o tempo a falar deles e a mostrar as suas fotografias aos amigos. O barulho que fazem enlouquece-nos, mas o silêncio da sua ausência é insuportável. Queixamo-nos do marido ou da mulher, que não são como dantes, que nos irritam, que não nos surpreendem, mas suspiramos quando nos faltam e reclamamos quando fazem alguma coisa com a qual não contávamos. Estamos no Algarve a suspirar pela frescura do Minho, no Minho damos por nós desejosos da brisa costeira, na cidade irrita-nos o artificialismo e em Trás-os-Montes formigamos com a ânsia de fugir à ruralidade. E do país, todos nos queixamos do país até ao momento em que "lá fora" concluímos com um orgulho disfarçado que realmente "comer, comer bem, só mesmo em Portugal". De queixume em queixume, passamos pela vida muitas vezes sem deixar verdadeiramente que a vida nos atravesse. E só quando somos roubados ao quotidiano que tanto maldissemos damos conta do tempo que perdemos nos lamentos sobre o tempo que os outros nos fazem perder. Há pouco mais de um mês, numa consulta que era suposto ser de rotina, foi-me diagnosticado um tumor. Felizmente benigno, como soube após 24 horas de espera. E, tal como seria de prever, naquele momento inicial em que o espectro de algo mais grave ainda não tinha sido afastado, o meu pensamento imediato foi: "Mas afinal porque é que eu estou aqui, afundada em Braga a trabalhar, em vez de ter já há muito tempo fugido para Bora-Bora?" Passado contudo tal instante, e nas 23 horas que se seguiram, foi da vida normal que tive saudades antecipadas. A vida normal: trabalhar, ir ao cinema, abraçar quem amo, rir-me das pequenas parvoíces do quotidiano, ver a minha filha a dormir e sentir o seu cheiro. A vida normal está aqui mesmo ao lado. E aposto que Bora-Bora tem imensos mosquitos.

Vivam os auscultadores!

Em Portugal, na Alemanha, em todo mundo dito «civilizado», cada vez as pessoas se permitem menos tempo para escutar o silêncio. Escondem-se atrás de «headphones» a toda a hora, na rua, nos transportes públicos, a estudar, a trabalhar, a praticar desporto...
Parece que tememos cada vez mais estar connosco próprios, como se isso fosse demasiado assustador. Ouvir as vozes que ecoam de dentro não é fácil, mas é extremamente necessário. Imagino como farão os mais maníacos desta obsessão anti-silêncio com o sono. Será que também adormecem ao som de música ou de televisão?
Estamos cada vez mais civilizados, dizemos e dizem-nos. Sentamo-nos em cafés de cadeias internacionais do tipo «Starbucks», numa qualquer cidade europeia há poucas décadas atrás quase inacessível para um vulgar tuga. E lá estão os auscultadores...
Bem, com todas estas tretas tirei os ditos cujos e já não me posso ouvir... Vou voltar aos auscultadores e a textos bem interessantes...
A bem do meu sossego interno...

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Eu e "mim"

Quantas vezes eu não concordo comigo mesmo? Quantas vezes desconfio do que fiz e, a final, acabo no mesmo ponto? Eterno retorno ou eterna constância?

sábado, fevereiro 05, 2011

The king's speech

"O discurso do Rei" impressiona pelas duas interpretações soberbas de Colin Firth e de Geoffrey Rush. Ficamos speechless ao vê-los e a dupla funciona com marcada qualidade. Mais ainda, com um humor muito british, como se impõe. Ver um simples zé-ninguém dar ordens a um monarca na década de 30 do passado século não é para qualquer um. A leveza com que Rush o faz é de sublinhar.
Firth tem aqui um dos seus melhores papéis. O modo como interiorizou a gaguez é brilhante, assim como o misto de fleuma e de sentimentos que assolavam o interior de réis ainda em adaptação às mudanças no Império e ao dealbar da II Grande Guerra.
Vale ainda como documento histórico, relatando o processo de abdicação de Eduardo VIII por via do desejo deste casar com Wallis Simpson.
Quase que se fica com pena dos monarcas... mas se pensarmos melhor, pena mesmo era do povo que não tinha as mesmas mordomias...
Nomeações bem merecidas aos Óscares! A ver vamos!

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Suveniirid

Suveniirid de Tallinn
Imagens do perfil da cidade com o Golfo da Finlândia ao fundo


Catedral Ortodoxa Alexander Nevsky



Interior e pormenor do menu do Restaurante Medieval "Olde Hansa"





... e a presença portuguesa em Tallin

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Early Night Posts (75)

“Esta é a história do nosso bairro, ou, melhor dizendo, estas são as histórias do nosso bairro. (…)
Aquele acontecimento aumentou mais ainda a tensão que reinava no bairro. O administrador temia sobretudo uma coisa: que os habitantes se apercebessem que a união deles constituía uma força poderosa para fazer frente ao futuuwat. Por esse motivo julgava necessário acabar com Rifa`a e com todos os que podiam tomar o seu partido.
(…)
Contudo porque será que o nosso bairro sofre de amnésia?
(…)
- Só pela força haveremos de limpar o nosso bairro da podridão dos futuuwat. – continuou Qasim – É pela força que haveremos de realizar a vontade do Fundador! É pela força que haveremos de fazer reinar a justiça, a compaixão e a paz! E a nossa força será a primeira a não ser tirânica! ”

Maguib Mahfouz, Os filhos do nosso bairro, Civilização Editora, 2009, p. 1, p. 217, p. 239 e p. 301.

A actualidade fez-me recordar esta obra de Maguib Mahfouz que conta a história do bairro do egípcio Gabalawi, em que se sucedem os administradores do waqf e os seus futuwwat, sob o flagelo do esquecimento num tempo para todo o sempre volvido.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Hereafter - Outra vida

Hereafter - Outra vida. Enternecedor diálogo de como lidamos com a morte. Esse tabu supremo que nos acomoda ao desconhecido final. Estórias que se entrelaçam e que, como num "puzzle", acabam por fazer sentido no final. Dor e sofrimento sem sentido que, afinal, terão algum. Apenas algum. Não concebo grande sentido na morte de um filho, de um pai ou de um/a companheiro/a de toda a vida.
Alegoria do efémero, do fraquíssimo significado do "sucesso". Inquietação sobre a mudança (tudo muda!).
Bem realizado, excepto no que toca aos efeitos especiais: muito artificiais.

Janelas

Há uma frase que me tem "incomodado": temos de abrir janelas para a felicidade. Se isso não for possível, ao menos que se abram frestas. Mas se se puder abrir portas de par em par, então tudo vale a pena.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Impressões

É impressão minha ou estamos a assistir a uma aplicação da lei do tabaco cada vez mais descuidada, ao contrário do que parecem ser as intenções da DGS? Cada vez que saio à noite, são mais os bares em que se fuma e a extracção é péssima...
Já estava desabituado do cheiro a tabaco impregnado na roupa e no cabelo...

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Modernices


Não me consigo deleitar com a música contemporânea para órgão que ouvi no passado dia 21 de Janeiro, na Igreja da Lapa. Jean Guillou, de quase 81 anos é mundialmente conhecido e, provavelmente, o melhor executante vivo de órgão. É admirável assistir à sua arte, ainda por cima em tão vetusta idade. O pior são as suas composições... Não consigo gostar. Lamento. Sei que não deve ser muito "intelectual", mas é o que temos...

Cópia certificada

De Abbas Kiarostami, com Juliette Binoche, William Shimell e Jean-Claude Carrière nos principais papéis, surpreende pelo modo quase inusitado como termina. Uma teia de rotinas de amor, um fingimento de uma relação que não existe mas que, nessa mesma inexistência, se torna tão real porque igual a tantas relações desgastadas.
Um constante jogo documental do que se cobra entre amantes, das picardias e das grandes arrelias, aqui e além polvilhado por um humor francês?, italiano?, do Médio Oriente?

1974

Valeu a pena passar pelo Teatro S. João e ver a peça "1974", criada pelo "Teatro Meridional" e encenada por Miguel Seabra.
Os quadros retratam o Portugal antes e depois do 25 de Abril. Revemo-nos todos em tantos pormenores da nossa história colectiva. Ficamos abismados com a fraqueza dos actuais dias (o último quadro diz respeito à adesão à então CEE), agarrados aos telemóveis e aos demais bens de consumo, deambulando à toa pela cidade.
Excelente representação de um elenco de actores jovens, que dominam com mestria a movimentação em palco, o corpo e a criação de distintos sentimentos, desde a alegria da Revolução à apatia do neoliberalismo.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Desconcerto

Viver desconcertado

com a aurora da manhã,

com o sol da tarde,

com as estrelas da noite.

Passear pela cidade e

contemplar edifícios decadentes,

prédios luzidios e funcionais.

Deambular pelos rostos:

fartos de viver, uns,

sedentos de vida, outros,

irradiando calor, uns poucos,

encantados pelo bicho da vida, todos.

Por entre desabafos, sussurros e gritos,

ecoa um plano superior,

uma gaivota desagrilhoada no infinito,

um barco que faz cócegas ao horizonte,

uma criança que nos desarma a sorrir.

Contrastes, inquietações, sentimentos

poderosos de ter e não ter,

de poder e amar.

[Amar é poder ou somente poder amar?]

F.L.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Neurónio(s)


Estava há pouco a escrever uma mensagem de Boas Festas e não é que me saiu esta "coisa"??

Eu ia desejar-lhe Bom Ano de 2011, e desejo-o de igual modo, com toda a sinceridade, mas as notícias que me chegam dos economistas quase me desmotivam... Gostaria de dizer que espero que as suas previsões se equivoquem, mas creio já não ter idade para acreditar no Pai Natal...

Ele há dias em que os dois neurónios fazem faísca...

domingo, dezembro 26, 2010

Curiosidades...

Quem disse que o Direito (Penal, embora não pareça...) não tem piada? Nas investigações por distintos motivos, vejam a pérola que encontrei, tão "moderna" e adequada aos nossos tempos:

"Por consequencia o fundamento immediato do matrimonio não é qualquer consentimento, mas um consentimento racional.
Racional ou irracional que fosse o consentimento, nunca elle podia produzir effeito, se da naturesa não tivesse a humanidade recebido o elemento da sociabilidade.
É portanto, a sociabilidade o fundamento primario do matrimonio.
O fim do matrimonio é a educação da prole e a manutensão d'uma communhão physica e moral por toda a vida entre os conjuges".

Joaquim Machado Cabral e Castro, Theoria do Castigo. Principios Fundamentaes. Offerecida aos Juristas da Universidade de Coimbra de 1859-1860, Coimbra: Imprensa Literdria, 1860.

O último parágrafo parece escrito por uma política da nossa praça...

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Can you hear what I hear? - Natasongs # 22

"Can You hear what I hear?" pelos Pink Martini.

Com Votos de um Feliz Natal

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Natasongs # 21

"Last Christmas" por Florence and the Machine

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Natasongs # 20

Angels from the Realms of Glory por Annie Lennox

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Natasongs # 19

Winter Wonderland por Jason Mraz

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Natasongs # 18

"River" por Joni Mitchell

Natasong # 17


U2 - Christmas (Baby please come home)

sábado, dezembro 11, 2010

Paloma


Veo una paloma en mi ventana abierta;

sigue girando sobre sí misma

cómo si fuera un planeta sobre su

órbita astral.

Se quedó quieta y muda,

me miró con sus ojitos de par en par

y me estropeó los sentidos.

De planeta sólo guarda el color gris y

de órbita sólo las cavidades donde aloja

a sus lámparas fosforescentes.

Paloma, palomita

cómo te extraño en Navidad…

F.L.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Manifesto anti-capitalista


Jan van Eyck. Man in a Red Turban (Self Portrait?), 1433, National Gallery, London.

Descalço e nu sou dado ao mundo.
Percorro a terrena eternidade de sapatos revestido.
Abandono o barco de novo desnudo.
Abraço o Mistério de alma vestido.
Afinal, para que queremos os trapos?

FL

Natasong # 16


Frank Sinatra - Hark! The Herald Angels Sing

quinta-feira, novembro 25, 2010

Dos Homens e dos Deuses (Des hommes et des Dieux)

Dos Homens e dos Deuses
Realização : Xavier Beauvois
Argumento: Etienne Comar, Xavier Beauvois
França, 2010, 122 min.

“Dos Homens e dos Deuses” é um filme superior. Daqueles que se demoram muito a escapar da atenção de quem os viu.

A história, baseada em factos verídicos (um conjunto de monges cistercienses que vivem num Mosteiro em Argel em harmonia e cooperação com a população local e são atingidos pelo acção terrorista de grupos de fundamentalistas islâmicos), é contada, por Xavier Beauvois, de um modo muito verdadeiro. Sem artifícios, sem excessos. No tempo devido, com vagar e placidez.

Mas a atenção do espectador não se perde na maior lentidão da narração (sobretudo no início do filme), antes podendo espraiar-se pelos preciosos pormenores de bom gosto que se multiplicam ao longo da história. Penso, por exemplo, nos momentos de reflexão e debate interior da personagem Christian num diálogo mudo com a paisagem circundante e do momento em que finalmente toma uma decisão e como que agradece o esclarecimento a uma árvore secular vizinha. Penso, também, na dança de emoções ao som de uma obra de Tchaicovsky e em tantos outros momentos.
É muito curioso, aliás, que, não havendo nos primeiros 20 minutos do filme extensos diálogos, se consiga perceber o carácter e sentimento das várias personagens (algumas sem terem enunciado uma palavra) e se consiga intuir acertadamente a resposta que darão quando forem confrontados com a decisão de partir ou ficar. A primeira resposta. Depois virão as dúvidas que com eles vivemos e compreendemos.
As interpretações são muito boas, tão boas que quando acompanhamos a história daquele grupo de monges nos esquecemos dos actores que os interpretam. É, por isso, com alguma injustiça para os demais que destaco Michael Lonsdale, como médico Luc, e Lambert Wilson, como irmão Christian.
Parece um filme de outro tempo, feito a partir de uma realidade também de outro tempo e provinda de um espaço distante. E, no entanto, é um filme demasiado próximo e actual.
Não é um filme sobre heróis, a menos que sejam uns heróis diferentes cheios de dúvidas e incertezas e com muitas humanas fraquezas. Diria antes que é um filme sobre os ramos em que os pássaros anseiam por pousar.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Do not stand at my grave and weep,
I am not there, I do not sleep.

I am in a thousand winds that blow,
I am the softly falling snow.

I am the gentle showers of rain,
I am the fields of ripening grain.
I am in the morning hush,
I am in the graceful rush
Of beautiful birds in circling flight,
I am the starshine of the night.

I am in the flowers that bloom,
I am in a quiet room.
I am in the birds that sing,
I am in each lovely thing.

Do not stand at my grave and cry,
I am not there. I do not die.

(Atribuído a Mary Elisabeth Frye, 1932)


Obrigado, L.

domingo, novembro 14, 2010

Austeridade?

Vale a pena escutar e pensar nestas palavras de um reputado economista, sobre a chamada "austeridade" e os efeitos muito perniciosos que ela pode trazer à economia mundial. Ao fim de contas (expressão aqui tão adequada...), são sempre os mesmos a pagar a crise...

Natasong#15



I'll be home for Christmas, Josh Groban (o Natal na guerra, longe de casa).

terça-feira, novembro 09, 2010

Glórias Portuguesas (ou talvez não...) 3

De novo, um regresso de outra rubrica tão aclamada...
Élvio Santiago, Vou-te bloquear no meu Hi5, grande importação de tema brasileiro original...

LINDO!!!

Natasong#14

Retomamos hoje uma linda tradição iniciada no ano transacto de ir "postando" músicas típicas de Natal, época do ano de que os Treteiros tanto gostam!
Vejam as do ano passado na etiqueta respectiva. Tentaremos não repetir!
Se tiverem sugestões, agradecemos!

Para recomeçar, aqui fica Have yourself a merry little Christmas, na voz mítica de Frank Sinatra, com letra e tudo!

Recuerdos

Um amigo da minha faixa etária (enfim, pelos 20:)lol), mandou-me o link para um sítio da internet que faz as delícias de recordar programas da nossa infância:

http://www.misteriojuvenil.com/

Dêem um salto por lá!

Mendes Corrêa (1888-1960)


Um dos erros mais banais da nossa época é o de supôr que certos valores cristalizaram em fórmulas definitivas e que muitas das nossas concepções não sofrerão no futuro as transformações profundas que o nosso tempo impoz às do passado.

***
As figuras históricas desfilam sem excepção nas galerias clínicas.

***
Antes a ignorância, a sorrir e a cantar numa atmosfera de douradas ilusões, do que uma aparente sabedoria, cruel e macabra, semeando de ruínas tristes e de lúgubres fantasmas o caminho rude da vida!

***
E quantos patifes passam a vida praticando imoralidades, sem que a lei penal os encarcere nas suas malhas!

***
A virtude não floresce na secura dos desertos da alma nem na água pútrida dos pântanos sociais.

Corrêa (A. A. Mendes), A Nova Antropologia Criminal, Pôrto: Faculdade de Sciências da Universidade do Pôrto, Instituto de Antropologia, 1931, pp. 63-64, 67-68, 268, e 318.

quinta-feira, outubro 28, 2010

"Tango, mas pouco": novela em estreia




Resumo da semana:



Dulcineia fala com Sancho e decidem sentar-se à mesa para conversar sobre os problemas que os afligem. De repente, entram mais pessoas na sala e também se sentam. Gera-se uma enorme barafunda com papéis a voar e com vizinhos a entrar casa dentro a queixarem-se do barulho.
Entretanto, Aristóteles conversa com uns estrangeiros num Inglês técnico perfeito sobre coisas complicadas, mas que metem "bancarrota", FMI e doação de um tal Portugal a quem quiser. O filósofo recebe uma chamada do Chefe Supremo a ralhar-lhe por andar a falar com os estrangeiros e a revelar segredos. De volta a Dulcineia e Sancho, dança-se o tango, mas só um bocadinho. A música pára e Sancho, afinal, decide que já não ama Dulcineia. Esta, dá pulos de contente e Sancho explica aos pais o porquê do fim do noivado.
Pôr-do-sol e muitos pobres a remexerem no lixo que, entretanto, se acumulou.

O crime da mãe ou a mãe do crime

Afinal, acabo de descobrir que os tipos legais de crime têm uma família como todos nós! Com direito a mãe e tudo:

TVI (claro...):
Maria...
Mãe do homicídio

Mais uma pérola da TV portuguesa...

terça-feira, outubro 26, 2010

Bentham







Is it possible for a man to move the earth? Yes; but he must first find out another earth to stand upon.




Jeremy Bentham
, An introduction to the principles of morals and legislation, Oxford: Claredon Press, 1907, p. 5.

Early night post (74)


Descubrí que mi obsesión de que cada cosa estuviera en su puesto, cada asunto en su tiempo, cada palabra en su estilo, no era el premio merecido de una mente en orden, sino el contrario, todo un sistema de simulación inventado por mí para ocultar el desorden de mi naturaleza. Descubrí que no soy disciplinado por virtud, sino como reacción contra mi negligencia; que parezco generoso por encubrir mi mezquindad, que me paso de prudente por mal pensado, que soy conciliador para no sucumbir a mis cóleras reprimidas, que sólo soy puntual para que no se sepa cuán poco me importa el tiempo ajeno. Descubrí, en fin, que el amor no es un estado del alma sino un signo del zodíaco.

Gabriel García Márquez, Memoria de mis putas tristes, Barcelona: Debolsillo, 2009, p. 66.

sexta-feira, outubro 22, 2010

Prémios Príncipe de Astúrias (2010)

"Mi identifico fuertemente con todo el mundo latino: Italia, España e Hispanoamérica, Portugal y Brasil, sin olvidar, por supuesto, Francia. Lo que caracteriza mejor para mí el mundo latino es su ausencia de correspondencia permanente y sólida entre sus ciudadanos y sus instituciones. Francia y los franceses, España y los españoles, Italia y los italianos, nunca fueron las dos caras de la misma moneda. Siempre hemos tenido todos con el país del cual somos ciudadanos una relación que se parece más a una relación de amor, con sus pasiones y sus conflictos, que a una identificación profesional o filosófica."
ALAIN TOURAINE, na cerimónia de entrega do Prémio Príncipe de Astúrias de Comunicação e Humanidades, 22 de Outubro de 2010

"Tal como lo expresó otro novelista, Milan Kundera, Cervantes envió a Don Quijote a hacer pedazos los velos hechos con remiendos de mitos, máscaras, estereotipos, prejuicios e interpretaciones previas; velos que ocultan el mundo que habitamos y que intentamos comprender. Pero estamos destinados a luchar en vano mientras el velo no se alce o se desgarre. Don Quijote no fue conquistador, fue conquistado. Pero en su derrota, tal como nos enseñó Cervantes, demostró que «la única cosa que nos queda frente a esa ineludible derrota que se llama vida es intentar comprenderla». Eso fue el gran descubrimiento sin parangón de Miguel de Cervantes; una vez hecho, jamás se puede olvidar. Todos los que trabajamos en las humanidades seguimos el camino abierto por ese descubrimiento. Estamos aquí gracias a Cervantes.
Hacer pedazos el velo, comprender la vida… ¿Qué significa esto? Nosotros, humanos, preferiríamos habitar un mundo ordenado, limpio y transparente donde el bien y el mal, la belleza y la fealdad, la verdad y la mentira estén nítidamente separados entre sí y donde jamás se entremezclen, para poder estar seguros de cómo son las cosas, hacia dónde ir y cómo proceder. Soñamos con un mundo donde las valoraciones puedan hacerse y las decisiones puedan tomarse sin la ardua tarea de intentar comprender. De este sueño nuestro nacen las ideologías, esos densos velos que hacen que miremos sin llegar a ver. Es a esta inclinación incapacitadora nuestra a la que Étienne de la Boétie denominó «servidumbre voluntaria». Y fue el camino de salida que nos aleja de esa servidumbre el que Cervantes abrió para que pudiésemos seguirlo, presentando el mundo en toda su desnuda, incómoda, pero liberadora realidad: la realidad de una multitud de significados y una irremediable escasez de verdades absolutas. Es en dicho mundo, en un mundo donde la única certeza es la certeza de la incertidumbre, en el que estamos destinados a intentar, una y otra vez y siempre de forma inconclusa, comprendernos a nosotros mismos y comprender a los demás, destinados a comunicar y de ese modo, a vivir el uno con y para el otro."
ZYGMUNT BAUMAN, na cerimónia de entrega dos Prémios Príncipe de Astúrias para a Comunicação e Humanidades, 22 de Outubro de 2010

quarta-feira, setembro 29, 2010

Embargo

"Embargo", de António Ferreira, baseado na obra homónima de José Saramago, é uma experiência de "nonsense" e de algum humor. Um homem preso ao carro que urina pelas pernas abaixo, um coelho "mágico", uma trotinete em troca de uma máquina ultra-moderna que elabora desenhos tridimensionais de pés que seria a grande aposta da indústria do calçado...
Interpretações fraquinhas, com falta de vigor e de expressão, luz fraca e planos antiquados compõem o ramalhete.
Vale por alguns momentos de humor e por alguma alegoria do Homem preso à máquina, à tecnologia, por alguma (pouca) densidade de um diálogo entre pai e filha, pelo alheamento da realidade.

Obrigado à T. e ao T. pelo convite:)

domingo, setembro 26, 2010

Wall Street 2 ou o triunfo da economia do nada

Wall Street 2, de Oliver Stone, alia a lucidez da reflexão sobre a actual situação económico-financeira com os mais puros sentimentos humanos. Puros no sentido de serem pertença do género humano. A ganância e a generosidade. O amor e o egoísmo.
De tudo somos mesmo capazes, ainda que em detrimento daqueles que nos são mais próximos. Retenho a frase: "Os pais são os ossos onde os filhos afiam os dentes". Um verdadeiro "case study" para os Colegas psicólogos...
A vertigem do boato e o modo como ele influencia decisivamente os mercados de acções e daí se propaga à dita "economia real" são assustadores. Tudo, ao fim e ao cabo, se baseia na informação: boa ou má, saudável ou "lixo do subprime". A economia produtiva que tanta tinta e sangue fez correr, que alimentou revoluções e ideais, que fez nascer génios e ditadores, essa parece posta de lado, uma espécie de peça de museu. Viva a economia baseada... no Nada..., ou melhor, no nada.
Eu, por mim, preferia aquela que se baseava em produtos que víssemos, em géneros que comêssemos ou mesmo em adornos que pudéssemos usar. Devo ser um antiquado.