domingo, fevereiro 20, 2011
According to Greta
According to Greta, 2009, um interessante hino à vida. Nada de obra-prima, mas jeitoso para uns dias de forte gripe...
sábado, fevereiro 12, 2011
Carla Machado
Não tive, com muita pena minha, o gosto de conhecer pessoalmente a Prof.ª Carla Machado, Professora da Escola de Psicologia da Universidade do Minho. Apenas (e não é pouco!) tive o prazer de ler alguns dos seus trabalhos em áreas de interesse comum. Por amigos próximos, fui descobrindo a beleza da sua personalidade.
A Prof.ª Carla Machado deixou-nos há poucos dias. O seu legado, para além da obra científica, conta, de entre outros, com uma crónica que não conhecia e que me tem deixado a reflectir. Muito. Identifico-me amiúde com o «síndroma do eterno queixume português», como lhe chama o Prof. Cândido da Agra, amigo da Prof.ª Carla Machado.
Vou esforçar-me por queixar-me menos e viver mais.
Aqui fica a crónica
A Prof.ª Carla Machado deixou-nos há poucos dias. O seu legado, para além da obra científica, conta, de entre outros, com uma crónica que não conhecia e que me tem deixado a reflectir. Muito. Identifico-me amiúde com o «síndroma do eterno queixume português», como lhe chama o Prof. Cândido da Agra, amigo da Prof.ª Carla Machado.
Vou esforçar-me por queixar-me menos e viver mais.
Aqui fica a crónica
A vida normal
Carla Machado
Público, 24.8.2006
Carla Machado
Público, 24.8.2006
Todos passamos a vida a desejar a vida que não temos. Queixamo-nos do emprego, dos colegas que são chatos, do chefe que não nos dá valor, do muito que trabalhamos e do ordenado que é fraco. Reclamamos do tempo, que chove e não se pode ir à praia, que não chove e faz mal à agricultura, do sol que é pouco ou demasiado, do suor, do frio e do vento, do calor que nunca mais se vai embora e do Verão que nunca mais chega. A família cansa-nos, mas odiamos quando esta nos ignora; dizemos mal do amigos sem os quais não sabemos passar; suspiramos pelo fim do serão em que as visitas se vão embora, mas despedimo-nos combinando um novo jantar. Estamos fartos dos filhos, mas passamos o tempo a falar deles e a mostrar as suas fotografias aos amigos. O barulho que fazem enlouquece-nos, mas o silêncio da sua ausência é insuportável. Queixamo-nos do marido ou da mulher, que não são como dantes, que nos irritam, que não nos surpreendem, mas suspiramos quando nos faltam e reclamamos quando fazem alguma coisa com a qual não contávamos. Estamos no Algarve a suspirar pela frescura do Minho, no Minho damos por nós desejosos da brisa costeira, na cidade irrita-nos o artificialismo e em Trás-os-Montes formigamos com a ânsia de fugir à ruralidade. E do país, todos nos queixamos do país até ao momento em que "lá fora" concluímos com um orgulho disfarçado que realmente "comer, comer bem, só mesmo em Portugal". De queixume em queixume, passamos pela vida muitas vezes sem deixar verdadeiramente que a vida nos atravesse. E só quando somos roubados ao quotidiano que tanto maldissemos damos conta do tempo que perdemos nos lamentos sobre o tempo que os outros nos fazem perder. Há pouco mais de um mês, numa consulta que era suposto ser de rotina, foi-me diagnosticado um tumor. Felizmente benigno, como soube após 24 horas de espera. E, tal como seria de prever, naquele momento inicial em que o espectro de algo mais grave ainda não tinha sido afastado, o meu pensamento imediato foi: "Mas afinal porque é que eu estou aqui, afundada em Braga a trabalhar, em vez de ter já há muito tempo fugido para Bora-Bora?" Passado contudo tal instante, e nas 23 horas que se seguiram, foi da vida normal que tive saudades antecipadas. A vida normal: trabalhar, ir ao cinema, abraçar quem amo, rir-me das pequenas parvoíces do quotidiano, ver a minha filha a dormir e sentir o seu cheiro. A vida normal está aqui mesmo ao lado. E aposto que Bora-Bora tem imensos mosquitos.
Vivam os auscultadores!
Em Portugal, na Alemanha, em todo mundo dito «civilizado», cada vez as pessoas se permitem menos tempo para escutar o silêncio. Escondem-se atrás de «headphones» a toda a hora, na rua, nos transportes públicos, a estudar, a trabalhar, a praticar desporto...
Parece que tememos cada vez mais estar connosco próprios, como se isso fosse demasiado assustador. Ouvir as vozes que ecoam de dentro não é fácil, mas é extremamente necessário. Imagino como farão os mais maníacos desta obsessão anti-silêncio com o sono. Será que também adormecem ao som de música ou de televisão?
Estamos cada vez mais civilizados, dizemos e dizem-nos. Sentamo-nos em cafés de cadeias internacionais do tipo «Starbucks», numa qualquer cidade europeia há poucas décadas atrás quase inacessível para um vulgar tuga. E lá estão os auscultadores...
Bem, com todas estas tretas tirei os ditos cujos e já não me posso ouvir... Vou voltar aos auscultadores e a textos bem interessantes...
A bem do meu sossego interno...
Parece que tememos cada vez mais estar connosco próprios, como se isso fosse demasiado assustador. Ouvir as vozes que ecoam de dentro não é fácil, mas é extremamente necessário. Imagino como farão os mais maníacos desta obsessão anti-silêncio com o sono. Será que também adormecem ao som de música ou de televisão?
Estamos cada vez mais civilizados, dizemos e dizem-nos. Sentamo-nos em cafés de cadeias internacionais do tipo «Starbucks», numa qualquer cidade europeia há poucas décadas atrás quase inacessível para um vulgar tuga. E lá estão os auscultadores...
Bem, com todas estas tretas tirei os ditos cujos e já não me posso ouvir... Vou voltar aos auscultadores e a textos bem interessantes...
A bem do meu sossego interno...
quarta-feira, fevereiro 09, 2011
Eu e "mim"
Quantas vezes eu não concordo comigo mesmo? Quantas vezes desconfio do que fiz e, a final, acabo no mesmo ponto? Eterno retorno ou eterna constância?
sábado, fevereiro 05, 2011
The king's speech
"O discurso do Rei" impressiona pelas duas interpretações soberbas de Colin Firth e de Geoffrey Rush. Ficamos speechless ao vê-los e a dupla funciona com marcada qualidade. Mais ainda, com um humor muito british, como se impõe. Ver um simples zé-ninguém dar ordens a um monarca na década de 30 do passado século não é para qualquer um. A leveza com que Rush o faz é de sublinhar.
Firth tem aqui um dos seus melhores papéis. O modo como interiorizou a gaguez é brilhante, assim como o misto de fleuma e de sentimentos que assolavam o interior de réis ainda em adaptação às mudanças no Império e ao dealbar da II Grande Guerra.
Vale ainda como documento histórico, relatando o processo de abdicação de Eduardo VIII por via do desejo deste casar com Wallis Simpson.
Quase que se fica com pena dos monarcas... mas se pensarmos melhor, pena mesmo era do povo que não tinha as mesmas mordomias...
Nomeações bem merecidas aos Óscares! A ver vamos!
Firth tem aqui um dos seus melhores papéis. O modo como interiorizou a gaguez é brilhante, assim como o misto de fleuma e de sentimentos que assolavam o interior de réis ainda em adaptação às mudanças no Império e ao dealbar da II Grande Guerra.
Vale ainda como documento histórico, relatando o processo de abdicação de Eduardo VIII por via do desejo deste casar com Wallis Simpson.
Quase que se fica com pena dos monarcas... mas se pensarmos melhor, pena mesmo era do povo que não tinha as mesmas mordomias...
Nomeações bem merecidas aos Óscares! A ver vamos!
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
Early Night Posts (75)
“Esta é a história do nosso bairro, ou, melhor dizendo, estas são as histórias do nosso bairro. (…)
Aquele acontecimento aumentou mais ainda a tensão que reinava no bairro. O administrador temia sobretudo uma coisa: que os habitantes se apercebessem que a união deles constituía uma força poderosa para fazer frente ao futuuwat. Por esse motivo julgava necessário acabar com Rifa`a e com todos os que podiam tomar o seu partido.
(…)
Contudo porque será que o nosso bairro sofre de amnésia?
(…)
- Só pela força haveremos de limpar o nosso bairro da podridão dos futuuwat. – continuou Qasim – É pela força que haveremos de realizar a vontade do Fundador! É pela força que haveremos de fazer reinar a justiça, a compaixão e a paz! E a nossa força será a primeira a não ser tirânica! ”
Aquele acontecimento aumentou mais ainda a tensão que reinava no bairro. O administrador temia sobretudo uma coisa: que os habitantes se apercebessem que a união deles constituía uma força poderosa para fazer frente ao futuuwat. Por esse motivo julgava necessário acabar com Rifa`a e com todos os que podiam tomar o seu partido.
(…)
Contudo porque será que o nosso bairro sofre de amnésia?
(…)
- Só pela força haveremos de limpar o nosso bairro da podridão dos futuuwat. – continuou Qasim – É pela força que haveremos de realizar a vontade do Fundador! É pela força que haveremos de fazer reinar a justiça, a compaixão e a paz! E a nossa força será a primeira a não ser tirânica! ”
Maguib Mahfouz, Os filhos do nosso bairro, Civilização Editora, 2009, p. 1, p. 217, p. 239 e p. 301.
A actualidade fez-me recordar esta obra de Maguib Mahfouz que conta a história do bairro do egípcio Gabalawi, em que se sucedem os administradores do waqf e os seus futuwwat, sob o flagelo do esquecimento num tempo para todo o sempre volvido.
terça-feira, fevereiro 01, 2011
segunda-feira, janeiro 31, 2011
Hereafter - Outra vida
Hereafter - Outra vida. Enternecedor diálogo de como lidamos com a morte. Esse tabu supremo que nos acomoda ao desconhecido final. Estórias que se entrelaçam e que, como num "puzzle", acabam por fazer sentido no final. Dor e sofrimento sem sentido que, afinal, terão algum. Apenas algum. Não concebo grande sentido na morte de um filho, de um pai ou de um/a companheiro/a de toda a vida.
Alegoria do efémero, do fraquíssimo significado do "sucesso". Inquietação sobre a mudança (tudo muda!).
Bem realizado, excepto no que toca aos efeitos especiais: muito artificiais.
Alegoria do efémero, do fraquíssimo significado do "sucesso". Inquietação sobre a mudança (tudo muda!).
Bem realizado, excepto no que toca aos efeitos especiais: muito artificiais.
Janelas
Há uma frase que me tem "incomodado": temos de abrir janelas para a felicidade. Se isso não for possível, ao menos que se abram frestas. Mas se se puder abrir portas de par em par, então tudo vale a pena.
sexta-feira, janeiro 28, 2011
Impressões
É impressão minha ou estamos a assistir a uma aplicação da lei do tabaco cada vez mais descuidada, ao contrário do que parecem ser as intenções da DGS? Cada vez que saio à noite, são mais os bares em que se fuma e a extracção é péssima...
Já estava desabituado do cheiro a tabaco impregnado na roupa e no cabelo...
Já estava desabituado do cheiro a tabaco impregnado na roupa e no cabelo...
quarta-feira, janeiro 26, 2011
Modernices

Não me consigo deleitar com a música contemporânea para órgão que ouvi no passado dia 21 de Janeiro, na Igreja da Lapa. Jean Guillou, de quase 81 anos é mundialmente conhecido e, provavelmente, o melhor executante vivo de órgão. É admirável assistir à sua arte, ainda por cima em tão vetusta idade. O pior são as suas composições... Não consigo gostar. Lamento. Sei que não deve ser muito "intelectual", mas é o que temos...
Cópia certificada
De Abbas Kiarostami, com Juliette Binoche, William Shimell e Jean-Claude Carrière nos principais papéis, surpreende pelo modo quase inusitado como termina. Uma teia de rotinas de amor, um fingimento de uma relação que não existe mas que, nessa mesma inexistência, se torna tão real porque igual a tantas relações desgastadas.
Um constante jogo documental do que se cobra entre amantes, das picardias e das grandes arrelias, aqui e além polvilhado por um humor francês?, italiano?, do Médio Oriente?
Um constante jogo documental do que se cobra entre amantes, das picardias e das grandes arrelias, aqui e além polvilhado por um humor francês?, italiano?, do Médio Oriente?
1974
Valeu a pena passar pelo Teatro S. João e ver a peça "1974", criada pelo "Teatro Meridional" e encenada por Miguel Seabra.
Os quadros retratam o Portugal antes e depois do 25 de Abril. Revemo-nos todos em tantos pormenores da nossa história colectiva. Ficamos abismados com a fraqueza dos actuais dias (o último quadro diz respeito à adesão à então CEE), agarrados aos telemóveis e aos demais bens de consumo, deambulando à toa pela cidade.
Excelente representação de um elenco de actores jovens, que dominam com mestria a movimentação em palco, o corpo e a criação de distintos sentimentos, desde a alegria da Revolução à apatia do neoliberalismo.
Os quadros retratam o Portugal antes e depois do 25 de Abril. Revemo-nos todos em tantos pormenores da nossa história colectiva. Ficamos abismados com a fraqueza dos actuais dias (o último quadro diz respeito à adesão à então CEE), agarrados aos telemóveis e aos demais bens de consumo, deambulando à toa pela cidade.
Excelente representação de um elenco de actores jovens, que dominam com mestria a movimentação em palco, o corpo e a criação de distintos sentimentos, desde a alegria da Revolução à apatia do neoliberalismo.
quinta-feira, janeiro 13, 2011
Desconcerto
Viver desconcertado
com a aurora da manhã,
com o sol da tarde,
com as estrelas da noite.
Passear pela cidade e
contemplar edifícios decadentes,
prédios luzidios e funcionais.
Deambular pelos rostos:
fartos de viver, uns,
sedentos de vida, outros,
irradiando calor, uns poucos,
encantados pelo bicho da vida, todos.
Por entre desabafos, sussurros e gritos,
ecoa um plano superior,
uma gaivota desagrilhoada no infinito,
um barco que faz cócegas ao horizonte,
uma criança que nos desarma a sorrir.
Contrastes, inquietações, sentimentos
poderosos de ter e não ter,
de poder e amar.
[Amar é poder ou somente poder amar?]
F.L.
segunda-feira, dezembro 27, 2010
Neurónio(s)

Estava há pouco a escrever uma mensagem de Boas Festas e não é que me saiu esta "coisa"??
Eu ia desejar-lhe Bom Ano de 2011, e desejo-o de igual modo, com toda a sinceridade, mas as notícias que me chegam dos economistas quase me desmotivam... Gostaria de dizer que espero que as suas previsões se equivoquem, mas creio já não ter idade para acreditar no Pai Natal...
Ele há dias em que os dois neurónios fazem faísca...
Eu ia desejar-lhe Bom Ano de 2011, e desejo-o de igual modo, com toda a sinceridade, mas as notícias que me chegam dos economistas quase me desmotivam... Gostaria de dizer que espero que as suas previsões se equivoquem, mas creio já não ter idade para acreditar no Pai Natal...
Ele há dias em que os dois neurónios fazem faísca...
domingo, dezembro 26, 2010
Curiosidades...
Quem disse que o Direito (Penal, embora não pareça...) não tem piada? Nas investigações por distintos motivos, vejam a pérola que encontrei, tão "moderna" e adequada aos nossos tempos:
"Por consequencia o fundamento immediato do matrimonio não é qualquer consentimento, mas um consentimento racional.
Racional ou irracional que fosse o consentimento, nunca elle podia produzir effeito, se da naturesa não tivesse a humanidade recebido o elemento da sociabilidade.
É portanto, a sociabilidade o fundamento primario do matrimonio.
O fim do matrimonio é a educação da prole e a manutensão d'uma communhão physica e moral por toda a vida entre os conjuges".
Joaquim Machado Cabral e Castro, Theoria do Castigo. Principios Fundamentaes. Offerecida aos Juristas da Universidade de Coimbra de 1859-1860, Coimbra: Imprensa Literdria, 1860.
O último parágrafo parece escrito por uma política da nossa praça...
"Por consequencia o fundamento immediato do matrimonio não é qualquer consentimento, mas um consentimento racional.
Racional ou irracional que fosse o consentimento, nunca elle podia produzir effeito, se da naturesa não tivesse a humanidade recebido o elemento da sociabilidade.
É portanto, a sociabilidade o fundamento primario do matrimonio.
O fim do matrimonio é a educação da prole e a manutensão d'uma communhão physica e moral por toda a vida entre os conjuges".
Joaquim Machado Cabral e Castro, Theoria do Castigo. Principios Fundamentaes. Offerecida aos Juristas da Universidade de Coimbra de 1859-1860, Coimbra: Imprensa Literdria, 1860.
O último parágrafo parece escrito por uma política da nossa praça...
quinta-feira, dezembro 23, 2010
Can you hear what I hear? - Natasongs # 22
"Can You hear what I hear?" pelos Pink Martini.
Com Votos de um Feliz Natal
quarta-feira, dezembro 22, 2010
segunda-feira, dezembro 20, 2010
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