domingo, abril 11, 2010

Cambridge

Bridge of Sights

Imagens do St. John`s College


Punting - River Cam

Uma árvore (supostamente :-)) descendente daquela sob a qual Isaac Newton descobriu a gravidade - à entrada do Trinity College onde Newton estudou

Árvore à entrada do Clare College


A proeminente capela do King`s College

Mais Punts no River Cam

No interior da sala de jantar do Gonville & Caius College (a imagem não faz jus à magnificência da sala. Um cenário digno de um filme de Harry Potter)

Ao Gonville & Caius College pertenceram 12 prémios Nobel (por exemplo, Sir James Chadwick que descobriu o neutrão ou Francis Crick que descobriu a estrutura do ADN) . Um número extraordinário, mas superado pelo Trinity College.
Aliás, a Universidade de Cambridge e os seus 31 Colleges já "produziram" mais de 80 prémios Nobel. Neste ponto está muito à frente do "the other place" (ie, Oxford).

Corpus Christi College (onde me encontro alojada)


Uma das famosas cabines de telefone vermelhas e (ao longe) a torre da Biblioteca da Universidade de Cambridge, ambas desenhadas por Sir Giles Gilbert Scott.

Mais Punts

Parker`s Piece


A marca portuguesa - in casu devida aos carregamentos de vinho do Porto

quinta-feira, abril 08, 2010

Quero / I want


Ippolito Scarsella, Virgin and angels imploring Christ not to punish lust, avarice and pride.

Quero ver o sol beijar os ladrilhos da tua Alma
e aspergir rios de mel em torrentes de lava.
Quero ver a lua ondear teus cabelos de calma
vestidos e de filigrana urdidos.
Quero ver um cometa desfazer a pedra cava
em melodias de orquestrados sentidos.
Quero.

F.L.

I want to see the Sun kiss your soul’s bricks

and strew Honey Rivers on lava streams.

I desire to see the moon dimpling your calm

dressed and filigree weaved hair.

I long to see a comet destroy the concave rock

in orchestrated senses melodies.

I do want.

F.L.


Embrace Life

terça-feira, abril 06, 2010

Dicionário Alternativo


By Appointment and with the necessary Authorization of Her Excellency, the Minister for Cultural Affairs of the High Kingdom of the Oven, Ms. Thumbelina, Duchess of St. Oven-in-the- Fields:

Alternative dictionary's new word: "pieira".

Not going anywhere

Por Keren Ann

sábado, abril 03, 2010

Brecht, poética, governar e WC

O Príncipe de Maquiavel é, como sabemos, o livro de cabeceira aconselhado a qualquer político.

A antologia de poemas de Bertolt Brecht (Porto: Campo das Letras, 2000) deveria ser o livro que todos nós, administrados, deveríamos ler em suaves tragos ao acordar. Lê-lo ao deitar por certo retiraria a tranquilidade necessária para um sono repousado. Ao iniciar o dia, quando bem digerida, a palavra brechtiana seria mais perigosa que qualquer conspiração terrorista.

Não se ignora que Brecht era ideologicamente comprometido. Apesar de nunca se ter inscrito no Partido Comunista, o homem que nasceu alemão (1898) e morreu austríaco (1956) elabora hinos profundos dirigidos à classe operária («Quem construiu Tebas, a das sete portas?/Nos livros vem o nome dos reis./Mas foram os reis que transportaram as pedras?» – Perguntas de um operário letrado). Entre uma super-estrutura e uma infra-estrutura de medo, desânimo, escravatura e uma ironia contagiante, o Poeta ridiculariza Hitler e todos os ditadores. Não que nisto se encontre uma visão maniqueísta. Ela só o é aparentemente. Recorde-se que Brecht parece sentir aversão intrínseca ao arquétipo de “homem bom”: «Escolhemos um bom paredão e vamos fuzilar-te com/Boas balas atiradas por bons fuzis e enterrar-te com/Uma boa pá debaixo da terra boa» [de que adianta ser bom?] – Algumas perguntas a um «homem bom». A conclusão de que os proletários são bons e os burgueses e latifundiários são maus é uma redutora e inconsequente visão da sua poética.

A ironia e o desdém em relação aos poderes instituídos são por demais evidentes. No poema Sente-se, cortante é o verso em que a idiotice é apresentada como o sumo alimento da classe: «Não há dinheiro que o pague.». Os políticos são satirizados ao ponto de a sua missão ser apresentada como o alfa e o ómega da ventura humana: «E atrever-se-ia a nascer o sol/Sem a autorização do Führer?» [amiúde referido como «o pintor», conhecida que era a vocação de Hitler em dedicar-se a essa carreira. A pintura teria perdido incomensuravelmente menos que a Humanidade…] (Dificuldade de governar). A esta figura, de jeito tão merecido apresentada como o anti-Cristo em Brecht, está reservado um mimo notável: «Se este homem insubstituível ressuscitasse ao oitavo dia [ao sétimo não poderia ser, marcando-se com a certeza da aritmética o que a História já deixava a descoberto] /Não acharia em todo o império uma vaga de porteiro» (A propósito da notícia da doença de um poderoso estadista).

De modo explícito e em tom acusatório puro: «Ou será que/Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira/São coisas que custam a aprender?» (idem). A resposta é dada e surge com uma simplicidade infantil comovente: «Mas não seria mais simples para o governo/Dissolver o povo/E eleger outro?» (A solução) – o uso de mecanismos democráticos invertidos em um jogo que desafia os traços estruturantes da ciência política.

O Autor fala de modo desabrido de um dos possíveis fins – do suicídio tem uma visão que diríamos romanceada, embora a pedagogia que assalta toda a sua obra logo o obrigue a asseverar-nos que: «De qualquer modo/Não se deve dar a impressão/De que se dava/Muita importância a si mesmo» (Epístola sobre o suicídio). Da relatividade da vida (e da morte) dá testemunho seguro ao ditar-nos o seu testamento (cerrado): «Gostaria que nela [pedra tumular] escrito fosse:/Ele deu sugestões: nós/Aceitámo-las./Uma tal inscrição/A todos honraria.» (Dispenso a pedra tumular).

Brecht não faz poemas para o leitor, mas sim com o leitor. Este último é convidado de honra na sua obra, é estrela da primeira companhia da guerra que tão de perto viveu e que o fez transformar-se em cidadão do Velho e do Novo Mundo. Em Sente-se, Brecht apelida o leitor de «idiota», confrontando-o com a sua pequenez («Você é um idiota./Está realmente a escutar-me?/Não há pois dúvida alguma de que me ouve com clareza e distinção?») e com a crueza do auto-conhecimento («E no entanto não é desinteressante para você saber o que você é/E no entanto é uma desvantagem para você não saber o que toda a gente sabe»).

Ele é capaz do escatológico, com uma inesperada ode heróica ao WC (O canto de Orge): «Nesse lugar é permitida a cada um a alegria/De ter por cima a estrela e, por baixo, a porcaria.»; «Lugar de humildade: nele saberás bem/Que não passas de um homem que nada retém».

Adverte-nos para a necessidade de estarmos sempre abertos ao que é novo, a não nos quedarmos pelo imobilismo, até porque a mudança está inscrita na natureza das coisas: «Quem ainda está vivo nunca diga nunca./O que é seguro não é seguro.» (Elogio da dialéctica). Contudo, da modernidade tem o Autor uma visão desconfiada, sancionando concepção bíblica de que nada de novo existe debaixo do sol: «A carne nova come-se com velhos garfos. (…) As novas antenas continuaram a difundir as velhas asneiras. [boutarde à comunicação social?] /A sabedoria continuou a passar de boca em boca.» [um apelo ao historicismo desligado do Volkgeist de que o nacional-socialismo se serviu como sustentáculo de hermenêutica jurídica?]

A visão descomprometidamente comprometida de Brecht fá-lo retornar aos assomos bíblicos: «Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.», revelando o génio da ascese, do sacrifício, do estóico suportar da ignominia: «Pela glória, quem não faria grandes coisas/Mas quem/As faz pelo olvido?» (Elogio do trabalho clandestino).

Dono de uma inigualável riqueza interior, da dor tem a preclara visão de caminho para a redenção e para a mudança: «Para atingir o que é grande há que passar por grandes transformações./E as pequenas transformações são inimigas das grandes transformações./Tenho inimigos. Logo devo ser célebre» (Citação). Cortes abruptos de pensamento são constantes na poética brechtiana.

A inteligência aguda e o modo inquietante como vê de um ângulo nunca visto as realidades estão bem patentes em Da Violência: «Do rio que tudo arrasta se diz que é violento./Mas ninguém diz violentas/As margens que o comprimem.». Ainda mais: «O que tem fome e te rouba/O último pedaço de pão chama-lo teu inimigo/Mas não saltas ao pescoço/Do teu ladrão que nunca teve fome» (Quem é o teu inimigo). Ainda: «Ah, nem todo o homem que regressa a sua casa é um vencedor/Mas não há vencedor que não regresse a sua casa.» (Este homem sabia elaborar um plano, e caiu…). Palavras incómodas contra o comodismo de encarar a realidade segundo grelhas de leitura pré-dadas e que se recebem de forma acrítica. Escrita revolucionário, dado que carregar no sangue o espírito revolucionário é ver o que mais ninguém vê; é sujeitar o mundo a uma leitura alumiada por uma perspectiva de jogo de luzes impassível de apreensão instantânea.

Devemos terminar. Brecht, neste exacto momento, asseveraria, com um olhar que imaginamos matreiro, sagaz e estupidamente humano: «Criança educada deve saber estar calada.» (O que uma criança tem de gramar).

André Lamas Leite

Docente Universitário

Elpino Duriense


Ulrich Zasius, O jurista, 1566, Stockholm, Statens Konstsamlingar.


Vós perguntais as razões

Porque tenho noite e dia

Sobre a meza em companhia

As Pandectas e o Camões:

He, se vós o não sabeis,

Que a leitura do Poeta

He correctiva dieta

Depois de ter lido as Leis.

António Ribeiro dos Santos (1745-1818), Poesias de Elpino Duriense, vol. III, pp. 136-137.

quarta-feira, março 31, 2010

;-) Grazie

Grazie di cuore

Até Breve - Bis später


Die Schönheit der Kleinigkeiten
(Und das Wichtigsten: die Verständniss für die Kleinigkeiten haben)

terça-feira, março 30, 2010

Die andere Musik

Annett Louisan

Matthäus Passion (Bach) @ St.Michaelis Kirche


Memórias visuais de um concerto extraordinário numa tarde inesquecível.

segunda-feira, março 29, 2010

Justizgebäude

Strafjustizgebäude



Und natürlich: Ziviljustizgebäude

Das Hamburger Musikleben


Ainda bem que tenho podido usufruir um bocadinho da extraordinária oferta cultural da cidade de Hamburgo.

- Il Barbieri di Siviglia na Staatsoper
Rosina: “Una voce poco fa
qui nel cor mi risuonò
.” (...)
Berta: “Ma che cosa è quest’amore
che fa tutti delirar?
Egli è un male universale,
una smania, un pizzicore,
un solletico, un tormento,
poverina, anch’io lo sento
né so come finirà.
Oh, vecchietta maledetta
!”

- Brahms pelos St. Petersburg Virtuosen na sala pequena da Laeiszhalle;

Magnífica interpretação de obras Brahms, um músico de Hamburgo.


- Die Weihe des Hauses de Beethoven e Die vier Temperamente de Carl Nielsen na Laeiszhalle, pela Orquestra sinfónica NDR e dirigida por Alan Gilbert na sala grande da Laeishalle;

Concerto memorável. Muito interessante a obra de Carl Nielsen, dinamarquês.

Para Beethoven e a interpretação da orquestra e os dois solistas (violino e violoncelo) não há palavras.

- Matthäus Passion de Bach na St. Michaelis-Kirche.

Merece um post distinto.

rtp regressa à Mãe-Pátria

quinta-feira, março 25, 2010

Fado em 5 momentos



Sou um tipo sério e anafado.
Bem-posto, de chapéu bem colocado
em cima de cabeça arejada (segundo dizem!).
(momento reflexivo e levemente armante)
Lá no fundo, acho que sim.
Se arejado for deixar o vento
passar pela pinha…
E sair como o ar de um trombone…
(momento ralé)
Imagem bonita esta…
Ah, sim! Estava na parte do tipo sério,
mas que se ri. E muito!
E que adora mesmo rir, e sorrir,
e todas as derivações deriváticas que daí derivem…
(momento repetitivo pós-moderno)
E que diz “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite”.
E se levanta nos autocarros para dar o lugar
a senhoras velhinhas de puxo.
(momento mentiroso e politicamente (in)correcto)
Ora, é isso mesmo…
A vida é feita de momentos e há que aproveitar
porque a vida são dois dias…
(momento cliché e de dificuldade em conjugar singular e plural)

F.L.

segunda-feira, março 22, 2010

Barkassenfahrt - Speicherstadt

Die Barkasse der RTP :-)

Blick Von Speicherstadt

Das Gebäude der Polizei - Nortruf Hafenkante (ie, Hamburgo 112)

Bunt Hamburg entlang der Elbe

domingo, março 21, 2010

Salome@Staatsoper Hamburg








Salomé
Música de Richard Strauss a partir de uma obra de Oscar Wilde.

“Das Geheimnis der Liebe sei grösser als das Geheimnis des Todes”

En(tarde)cedo


Salvador Dalí, Liquid Clocks.

Ontem dizem-me que saí tarde.

Não me lembro ao certo,

Por ter sempre tardia memória.

Mas se era assim tão tarde,

Como cheguei hoje tão cedo

À conclusão de que tardiamente

Ontem me afastei daquele lugar?

Não, talvez fosse cedo.

Sim.

Se cedo fora, então como explicar

A tardia hora em que percebi que

O cedo de ontem era o tarde de amanhã,

Ou que o amanhã de tarde ontem cedo despertou?

F.L.


sábado, março 20, 2010

Portrait


RTP`s Portrait by an non-communitarian MPI Researcher ;-)


Thank you AA! *

sexta-feira, março 19, 2010

E a Primavera já chegou a Hamburgo.
Ontem as temperaturas ultrapassaram os 18.º graus!
E as esplanadas e as margens do Lago encheram-se de pessoas!






Ah ... e as joaninhas já deram um ar da sua graça!

quarta-feira, março 17, 2010

Early Night Post (71) - Frühling ou a anunciação da Primavera


Frühling lässt sein blaues Band
Wieder flattern durch die Lüfte
Süße, wohlbekannte Düfte
Streifen ahnungsvoll das Land
Veilchen träumen schon,
Wollen balde kommen
Horch, von fern ein leiser Harfenton!
Frühling, ja du bist's!
Dich hab ich vernommen!

Eduard Mörike (1804-1875)
Como (quase) tudo na Alemanha a Primavera vai ser pontual. O tempo melhorou significativamente.
As temperaturas estão bem mais amenas (hoje máxima de 9, amanhã prevêem-se 12 graus positivos!)
Como me explicaram hoje, a Primavera é um tema muito versado na poesia alemã. Precisamente pela ânsia com que é esperada durante um Inverno muito rigoroso.
E, sobre o mesmo tema, do "nosso" Miguel Torga

ANUNCIAÇÃO
Surdo murmúrio do rio,
a deslizar, pausado, na planura.
Mensageiro moroso
dum recado comprido,
di-lo sem pressa ao alarmado ouvido
dos salgueirais:
a neve derreteu
nos píncaros da serra;
o gado berra
dentro dos currais,
a lembrar aos zagais
o fim do cativeiro;
anda no ar um perfumado cheiro
a terra revolvida;
o vento emudeceu;
o sol desceu;
a primavera vai chegar, florida.
Miguel Torga

terça-feira, março 16, 2010

Early Night Post (71)

Don Quijote, Paula Modersohn-Becker

"Não se tinham adaptado a uma existência comum, às alegrias das pessoas normais, a um destino mediano; viviam lado a lado com a mesma esperança sem nunca falarem nisso, ou porque não se apercebiam ou simplesmanete porque eram soldados ciosos do pudor das suas almas.
Se calhar também Tronk, provavelmente. Tronk seguia à risca os artigos do regulamento, a disciplina matemática, o orgulho da responsabilidade escrupulosa, e tinha a ilusão de que isso lhe bastava. Mas se lhe tivessem dito: será sempre assim enquanto viveres, sempre igual até ao fim, também ele teria despertado. Impossível, teria dito. Algo diferente terá de acontecer, qualquer coisa realmente digna, que nos permita dizer: agora, mesmo que tenha chegado o fim, paciência.
(...)
Parecia que tinha sido ontem, contudo o tempo não deixara de se dissipar com o seu ritmo imóvel, igual para todos os homens, nem mais lento para quem é feliz nem mais veloz para os desventurados.
Nem depressa, nem devagar, três meses tinham passado. O Natal já se dissolvera na distância, e também o novo ano chegara, trazendo por alguns minutos estranhas esperanças aos homens."

"O deserto dos tártaros", Dino Buzzati, Cavalo de Ferro, 2008, pp. 60-61 e

Dar


Dar é guardar sempre um pouco do outro. Receber é sempre entender do outro ao menos um pouco.


F.L.


Foto: Google

KZ- Gedenkstätte Neuengamme








Neuengamme KZ

"Vós que viveis tranquilos
Nas vossas casas aquecidas,
Vós que encontrais regressando à noite
Comida quente e rostos amigos:
Considerai se isto é um homem
Quem trabalha na lama
Quem não conhece paz
Quem luta por meio pão
Quem morre por um sim ou por um não.
Considerai se isto é uma mulher,
Sem cabelos e sem nome
Sem mais força para recordar
Vazios os olhos e frio o regaço
Como uma rã no Inverno.
Meditai que isto aconteceu:
Recomendo-vos estas palavras.
Esculpi-as no vosso coração
Estando em casa andando pela rua,
Ao deitar-vos e ao levantar-vos;
Repeti-as aos vossos filhos.
(...)"
Primo Levi, “Se isto é um homem” , Teorema, 2009.