quinta-feira, janeiro 13, 2011

Desconcerto

Viver desconcertado

com a aurora da manhã,

com o sol da tarde,

com as estrelas da noite.

Passear pela cidade e

contemplar edifícios decadentes,

prédios luzidios e funcionais.

Deambular pelos rostos:

fartos de viver, uns,

sedentos de vida, outros,

irradiando calor, uns poucos,

encantados pelo bicho da vida, todos.

Por entre desabafos, sussurros e gritos,

ecoa um plano superior,

uma gaivota desagrilhoada no infinito,

um barco que faz cócegas ao horizonte,

uma criança que nos desarma a sorrir.

Contrastes, inquietações, sentimentos

poderosos de ter e não ter,

de poder e amar.

[Amar é poder ou somente poder amar?]

F.L.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Neurónio(s)


Estava há pouco a escrever uma mensagem de Boas Festas e não é que me saiu esta "coisa"??

Eu ia desejar-lhe Bom Ano de 2011, e desejo-o de igual modo, com toda a sinceridade, mas as notícias que me chegam dos economistas quase me desmotivam... Gostaria de dizer que espero que as suas previsões se equivoquem, mas creio já não ter idade para acreditar no Pai Natal...

Ele há dias em que os dois neurónios fazem faísca...

domingo, dezembro 26, 2010

Curiosidades...

Quem disse que o Direito (Penal, embora não pareça...) não tem piada? Nas investigações por distintos motivos, vejam a pérola que encontrei, tão "moderna" e adequada aos nossos tempos:

"Por consequencia o fundamento immediato do matrimonio não é qualquer consentimento, mas um consentimento racional.
Racional ou irracional que fosse o consentimento, nunca elle podia produzir effeito, se da naturesa não tivesse a humanidade recebido o elemento da sociabilidade.
É portanto, a sociabilidade o fundamento primario do matrimonio.
O fim do matrimonio é a educação da prole e a manutensão d'uma communhão physica e moral por toda a vida entre os conjuges".

Joaquim Machado Cabral e Castro, Theoria do Castigo. Principios Fundamentaes. Offerecida aos Juristas da Universidade de Coimbra de 1859-1860, Coimbra: Imprensa Literdria, 1860.

O último parágrafo parece escrito por uma política da nossa praça...

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Can you hear what I hear? - Natasongs # 22

"Can You hear what I hear?" pelos Pink Martini.

Com Votos de um Feliz Natal

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Natasongs # 21

"Last Christmas" por Florence and the Machine

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Natasongs # 20

Angels from the Realms of Glory por Annie Lennox

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Natasongs # 19

Winter Wonderland por Jason Mraz

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Natasongs # 18

"River" por Joni Mitchell

Natasong # 17


U2 - Christmas (Baby please come home)

sábado, dezembro 11, 2010

Paloma


Veo una paloma en mi ventana abierta;

sigue girando sobre sí misma

cómo si fuera un planeta sobre su

órbita astral.

Se quedó quieta y muda,

me miró con sus ojitos de par en par

y me estropeó los sentidos.

De planeta sólo guarda el color gris y

de órbita sólo las cavidades donde aloja

a sus lámparas fosforescentes.

Paloma, palomita

cómo te extraño en Navidad…

F.L.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Manifesto anti-capitalista


Jan van Eyck. Man in a Red Turban (Self Portrait?), 1433, National Gallery, London.

Descalço e nu sou dado ao mundo.
Percorro a terrena eternidade de sapatos revestido.
Abandono o barco de novo desnudo.
Abraço o Mistério de alma vestido.
Afinal, para que queremos os trapos?

FL

Natasong # 16


Frank Sinatra - Hark! The Herald Angels Sing

quinta-feira, novembro 25, 2010

Dos Homens e dos Deuses (Des hommes et des Dieux)

Dos Homens e dos Deuses
Realização : Xavier Beauvois
Argumento: Etienne Comar, Xavier Beauvois
França, 2010, 122 min.

“Dos Homens e dos Deuses” é um filme superior. Daqueles que se demoram muito a escapar da atenção de quem os viu.

A história, baseada em factos verídicos (um conjunto de monges cistercienses que vivem num Mosteiro em Argel em harmonia e cooperação com a população local e são atingidos pelo acção terrorista de grupos de fundamentalistas islâmicos), é contada, por Xavier Beauvois, de um modo muito verdadeiro. Sem artifícios, sem excessos. No tempo devido, com vagar e placidez.

Mas a atenção do espectador não se perde na maior lentidão da narração (sobretudo no início do filme), antes podendo espraiar-se pelos preciosos pormenores de bom gosto que se multiplicam ao longo da história. Penso, por exemplo, nos momentos de reflexão e debate interior da personagem Christian num diálogo mudo com a paisagem circundante e do momento em que finalmente toma uma decisão e como que agradece o esclarecimento a uma árvore secular vizinha. Penso, também, na dança de emoções ao som de uma obra de Tchaicovsky e em tantos outros momentos.
É muito curioso, aliás, que, não havendo nos primeiros 20 minutos do filme extensos diálogos, se consiga perceber o carácter e sentimento das várias personagens (algumas sem terem enunciado uma palavra) e se consiga intuir acertadamente a resposta que darão quando forem confrontados com a decisão de partir ou ficar. A primeira resposta. Depois virão as dúvidas que com eles vivemos e compreendemos.
As interpretações são muito boas, tão boas que quando acompanhamos a história daquele grupo de monges nos esquecemos dos actores que os interpretam. É, por isso, com alguma injustiça para os demais que destaco Michael Lonsdale, como médico Luc, e Lambert Wilson, como irmão Christian.
Parece um filme de outro tempo, feito a partir de uma realidade também de outro tempo e provinda de um espaço distante. E, no entanto, é um filme demasiado próximo e actual.
Não é um filme sobre heróis, a menos que sejam uns heróis diferentes cheios de dúvidas e incertezas e com muitas humanas fraquezas. Diria antes que é um filme sobre os ramos em que os pássaros anseiam por pousar.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Do not stand at my grave and weep,
I am not there, I do not sleep.

I am in a thousand winds that blow,
I am the softly falling snow.

I am the gentle showers of rain,
I am the fields of ripening grain.
I am in the morning hush,
I am in the graceful rush
Of beautiful birds in circling flight,
I am the starshine of the night.

I am in the flowers that bloom,
I am in a quiet room.
I am in the birds that sing,
I am in each lovely thing.

Do not stand at my grave and cry,
I am not there. I do not die.

(Atribuído a Mary Elisabeth Frye, 1932)


Obrigado, L.

domingo, novembro 14, 2010

Austeridade?

Vale a pena escutar e pensar nestas palavras de um reputado economista, sobre a chamada "austeridade" e os efeitos muito perniciosos que ela pode trazer à economia mundial. Ao fim de contas (expressão aqui tão adequada...), são sempre os mesmos a pagar a crise...

Natasong#15



I'll be home for Christmas, Josh Groban (o Natal na guerra, longe de casa).

terça-feira, novembro 09, 2010

Glórias Portuguesas (ou talvez não...) 3

De novo, um regresso de outra rubrica tão aclamada...
Élvio Santiago, Vou-te bloquear no meu Hi5, grande importação de tema brasileiro original...

LINDO!!!

Natasong#14

Retomamos hoje uma linda tradição iniciada no ano transacto de ir "postando" músicas típicas de Natal, época do ano de que os Treteiros tanto gostam!
Vejam as do ano passado na etiqueta respectiva. Tentaremos não repetir!
Se tiverem sugestões, agradecemos!

Para recomeçar, aqui fica Have yourself a merry little Christmas, na voz mítica de Frank Sinatra, com letra e tudo!

Recuerdos

Um amigo da minha faixa etária (enfim, pelos 20:)lol), mandou-me o link para um sítio da internet que faz as delícias de recordar programas da nossa infância:

http://www.misteriojuvenil.com/

Dêem um salto por lá!

Mendes Corrêa (1888-1960)


Um dos erros mais banais da nossa época é o de supôr que certos valores cristalizaram em fórmulas definitivas e que muitas das nossas concepções não sofrerão no futuro as transformações profundas que o nosso tempo impoz às do passado.

***
As figuras históricas desfilam sem excepção nas galerias clínicas.

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Antes a ignorância, a sorrir e a cantar numa atmosfera de douradas ilusões, do que uma aparente sabedoria, cruel e macabra, semeando de ruínas tristes e de lúgubres fantasmas o caminho rude da vida!

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E quantos patifes passam a vida praticando imoralidades, sem que a lei penal os encarcere nas suas malhas!

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A virtude não floresce na secura dos desertos da alma nem na água pútrida dos pântanos sociais.

Corrêa (A. A. Mendes), A Nova Antropologia Criminal, Pôrto: Faculdade de Sciências da Universidade do Pôrto, Instituto de Antropologia, 1931, pp. 63-64, 67-68, 268, e 318.