domingo, março 14, 2010

Pudera / Could I


Benjamin West, Omnia Vincit Amor aka The Power of Love in the Three Elements.


Pudera eu decidir e comandava o fim da tristeza, da angústia e do isolamento. Nomeava a esperança guardiã do Reino e o sorriso o seu fiel escudeiro. Pudera eu mandar e não mais verteria uma lágrima, não mais esboçaria um gesto de desânimo ou um sinal de fraqueza. Pudera eu reinar e amar-te-ia e tu amar-me-ias como inteiros, como Pessoas com brancos e negros, com escuridões escondidas atrás de portas de despensas. Pudera eu imperar sobre os homens e eles não mais se vergariam ao desmando, ao desprezo, à altivez do poder. Pudera eu soberanear e os únicos limites da Democracia seriam os limites do Homem. Sim, pudera eu mandar e o mundo seria diferente. Mas já não seria o mundo.


Could I decide and I would ordain the end of sadness, of anguish and of isolation. I would nominate hope the Kingdom’s guardian and smile its faithful shield-bearer. Could I command and I would no longer shed a tear, I would no longer outline a gesture of discourage or a sign of weakness. Could I reign and I would love you and you would love me as single pieces, as Persons with whites and blacks, with hidden darkness behind pantries’ doors. Could I domain over men and they would no longer have to bend over tyranny, contempt and powers’ haughtiness. Could I be a sovereign and the sole limits to Democracy would be Men’s limits.

Yes, could I command and the world would be different. But it would no longer be the world.


sexta-feira, março 12, 2010

Early Night Post (70)

Magritte, Decalcomania

"Cada um de nós é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmos."
Bernardo Soares, O livro do Desassossego.


"Jeder von uns ist mehrere, ist viele, ist ein übermass an Selbsten."
Bernardo Soares, Das Buch der Unruhe.


*****

"E muitos deles (papéis) me parecem de um estranho; desreconheço-me neles."

Bernardo Soares, O livro do Desassossego.


"Und viele von ihnen kommen mir von einem Fremden geschrieben vor; ich kann mich in ihnen nicht wiedererkennen."

Bernardo Soares, Das Buch der Unruhe.

quarta-feira, março 10, 2010

segunda-feira, março 08, 2010

domingo, março 07, 2010

quarta-feira, março 03, 2010

segunda-feira, março 01, 2010

Early Night Post (69)

René Magritte

“Espezinhamos tanto com as palavras na boca como com os pés na erva. Mas com o silêncio também.
Edgar calou-se.
(…)
***

Emudecemos e tornamo-nos desagradáveis, disse Edgar. Falamos e tornamo-nos ridículos.”


Herta Müller, A terra das Ameixas Verdes, Difel, 2009, pp. 9 e 203.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Just Breathe

Pelos Pearl Jam

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

desalento ou a importância da pontuação



já não há poemas

apenas palavras

desalinhadas fora de ordem imprecisas sujas

o poeta desalentou

o sangue do seu ofício já não corre

é simplesmente uma matéria

vermelha e coalhada

as palavras cortantes desenfreadas oxigenadas de vida

partiram para parte incerta

nesse estado de ausência pré-morte presumida

o poeta resiste e das sílabas faz sons

que balbucia a despropositadas horas

segundos minutos horas

palavras apenas de uma outra

que dizem ser «dia»

já não há poemas

apenas palavras

descarnadas pungentes e definitivas


FL

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Cold Water

Cold Water Por Damien Rice.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

domingo, janeiro 31, 2010

Invictus


Invictus, Clint Eastwood, 2009

Mandela: "Forgiveness liberates the soul.
It removes fear. That is why it is such a powerful weapon."
Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

William Ernest Henley (1849–1903)

quinta-feira, janeiro 28, 2010

65 anos - Early Night Post (68)

“(…) porque o Lager é uma grande máquina para nos reduzir a animais, nós não devemos tornar-nos animais; (…) também neste lugar se pode sobreviver, e por isso, é preciso sobreviver, para contar, para testemunhar; (…). Que somos escravos, privados de qualquer direito, expostos a qualquer injúria, condenados à morte quase com certeza, mas que uma faculdade nos restou, e temos de a defender com todo o vigor porque é a última: a faculdade de negar o nosso consentimento. (…) Temos de engraxar os sapatos, não porque a tal obriga o regulamento, mas por dignidade e por propriedade. Temos de caminhar direitos, sem arrastar as socas, certamente não em homenagem à disciplina prussiana, mas para nos mantermos vivos, para não começarmos a morrer.”
***
“É Null Achtzehn. Não tem outro nome, Zero dezoito, os últimos três algarismos do seu número de matrícula: como se cada um se tivesse apercebido de que só um homem é digno de ter um nome, e de que Null Achtzehn já não é um homem. Penso que ele próprio se esqueceu do seu nome, age sem dúvida como se assim tivesse acontecido. Ao falar, ao olhar, dá a impressão de estar interiormente vazio, nada mais do que um invólucro , como algumas cartilagens de insectos (…), pegadas por um fio às pedras, e sacudidas pelo vento."
***
25 de Janeiro [de 1945] Como nos cansamos da alegria, do medo, da própria dor, do mesmo modo também nos cansamos da espera. Chegados a 25 de Janeiro (…), a maioria de nós estava demasiado exausta para esperar. (…)

26 de Janeiro [de 1945]. Jazíamos num mundo de mortos e de larvas. O último vestígio de civilização desaparecera à nossa volta e dentro de nós. (…)
Uma parte da nossa existência reside nas almas de quem entra em contacto connosco: eis porque é não-humana a experiência de quem viveu dias em que o homem foi uma coisa aos olhos do homem. Nós os três [Levi, Charles e Sómogyi] devemos uns aos outros ter conseguido evitá-lo em grande parte (…)
Mas a milhar de metros por cima de nós, nos rasgos entre as nuvens cinzentas, desenvolviam-se os complicados milagres dos duelos aéreos. Por cima de nós, nus, impotentes e inermes, homens do nosso tempo procuravam a morte recíproca com os instrumentos mais requintados. Um gesto do seu dedo podia provocar a destruição de todo o campo, aniquilar milhares de homens; enquanto o conjunto de todas as nossas energias e vontades não chegria para prolongar um minuto a vida de um só de nós.

27 de Janeiro [de 1945]. Madrugada (…)
Os russos chegaram enquanto Charles e eu levávamos Sómogyi para um lugar pouco afastado. Estava muito leve. Virámos a maca na neve cinzenta.
Charles tirou o boné. Tive pena de não ter boné. (...)"

Primo Levi, "Se isto é um homem", Teorema, 2009, p. 40, pp. 43-44 e pp. 174-176.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Tempo

Depois da chuva ...



quarta-feira, janeiro 13, 2010

I love the rain ...

... the most when it stops.

Por Joe Purdy.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Birds

Por EmilianaTorrini

Let's stay awake and listen to the dark

Before the birds, before they all wake up

(...)

Lend me your wings and teach me how to fly

Show me, when it rains

The place you go to hide

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Early Night Post (67)

L`Espoir Rapide, Réné Magritte, Hamburg-Kunsthalle

"Todos descobrem, mais tarde ou mais cedo na vida, que a felicidade perfeita não é realizável, mas poucos se detêm a pensar na consideração oposta: que também uma infelicidade perfeita é, igualmente não realizável. Os momentos que se opõem à realização de ambos os estados-limites são da mesma natureza: derivam da nossa condição humana, que é inimiga de tudo o que é infinito. Opõe-se-lhe o nosso sempre insuficiente conhecimento do futuro; a isto se chama, num caso esperança; no outro, incerteza do amanhã. Opõe-se-lhe a certeza da morte, que impõe um limite a qualquer alegria, mas também a qualquer dor."
Primo Levi, "Se isto é um homem", Teorema, 2009, p. 15

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Early Night Post (66)

A adoração dos Reis Magos, de Jan Brueghel, "O Velho"


A Estrela

Eu caminhei na noite
Entre silêncio e frio
Só uma estrela secreta me guiava

Grandes perigos na noite me apareceram
Da minha estrela julguei que eu a julgara
Verdadeira sendo ela só reflexo
De uma cidade a néon enfeitada

A minha solidão me pareceu coroa
Sinal de perfeição em minha fronte
Mas vi quando no vento me humilhava
Que a coroa que eu levava era de um ferro
Tão pesado que toda me dobrava

Do frio das montanhas eu pensei
«Minha pureza me cerca e me rodeia»
Porém meu pensamento apodreceu
E a pureza das coisas cintilava
E eu vi que a limpidez não era eu

E a fraqueza da carne e a miragem do espírito
Em monstruosa voz se transformaram
Disse às pedras do monte que falassem
Mas elas como pedras se calaram
Sozinha me vi delirante e perdida
E uma estrela serena me espantava

E eu caminhei na noite minha sombra
De desmedidos gestos me cercava
Silêncio e medo
Nos confins desolados caminhavam
Então eu vi chegar ao meu encontro
Aqueles que uma estrela iluminava

E assim eles disseram: «Vem connosco
Se também vens seguindo aquela estrela»
Então soube que a estrela que eu seguia
Era real e não imaginada

Grandes noites redondas nos cercaram
Grandes brumas miragens nos mostraram
Grandes silêncios de ecos vagabundos
Em direcções distantes nos chamaram
E a sombra dos três homens sobre a terra
Ao lado dos meus passos caminhava
E eu espantada vi que aquela estrela
Para a cidade dos homens nos guiava

E a estrela do céu parou em cima
de uma rua sem cor e sem beleza
Onde a luz tinha a cor que tem a cinza
Longe do verde azul da natureza

Ali não vi as coisas que eu amava
Nem o brilho do sol nem o da água

Ao lado do hospital e da prisão
Entre o agiota e o templo profanado
Onde a rua é mais triste e mais sozinha
E onde tudo parece abandonado
Um lugar pela estrela foi marcado

Nesse lugar pensei: «Quanto deserto
Atravessei para encontrar aquilo
Que morava entre os homens e tão perto»

Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto, pp.29-31

We Three Kings



Na versão dos Blondie ... para o blog entrar em 2010 (finalmente!) com energia e diversão, e encerrar as festividades natalícias.

Um óptimo 2010 para todos!

quinta-feira, dezembro 24, 2009

O come, o come Emmanuel

Pelos Belle and Sebastian

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Natal e não Dezembro

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido…
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave…
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
Talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira
La Recherche de l`auberge, Charles-François Daubigny, Dalhousie University Art Gallery, Halifax

Merry Christmas ...




... Mr Lawrence de Ryuichi Sakamoto, pelo seu trio (Jaques Morelenbaum no violoncelo e Everton Nelson no violino).

sábado, dezembro 19, 2009

Early Night Post (64)

Pablo Picasso, Don Quijote
“Esta é talvez a primeira e mais importante característica de qualquer obra-prima: criar no leitor o impulso evangélico de a partilhar. Alguns livros oferecem-se em silêncio, selando uma união mística mediada pela palavra de outro alguém. Noutros casos, o livro é transferido com as cicatrizes de uma leitura prévia, talvez por se temer que ao recipiente escape o que pensamos ser o melhor da obra, ou para sublinhar o que nela é memória do que já se viveu em comum.”
João Lobo Antunes, A minha aventura com o D. Quixote, in Numa cidade feliz, Gradiva, p. 179.


Little Drummer Boy

Little Drummer Boy por Lauryn Hill

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Palhaçadas

Mais um que vai fazer companhia à Manuela Moura Guedes?
Mário Crespo sem papas na língua, no JN de 14-12-2009.
Ah... e quem será este "palhaço"???


O palhaço

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
Ou nós, ou o palhaço.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

STCP em grande

"Se estamos atrasados, estamos à hora"
"É bom rapaz, tem cara de enfermeiro"
?????????
Algumas das pérolas deste achado arqueológico!

Wife control (exagero?)


quarta-feira, dezembro 09, 2009

Early Night Post (63)

Monet, Waterlilies, Green Reflection, (1916-1923) @ Orangerie, Paris


"Domingo de manhã, 29/3/1998
Caro João,
Um dia era eu miúdo, apanhei um «alfaiate», um desses insectos de patas longas que sobrevoam os riachos como helicópteros. Foi uma glória! Insectos daqueles são dificílimos de capturar, e eu, criança desalmada, pus-me a mirá-lo e a remirá-lo e fiquei deslumbrado com as asas (3 pares, suponho), que eram tão transparentes que se reduziam a delicadas nervuras suspensas do nada.
Como entomólogo de sadismo curioso arranquei uma das asas, a mais pequena e soltei o bicho para ver o resultado. Céus! O voo do «alfaiate», que sempre me inigmara pelas suas miraculosas suspensões, pelos arabescos à tona da água e pela sua inimaginável esquiva, esse voo, em vez de tombar, tomou imediatamente outro desenho. Em vez de planar, corria com as asas na vertical como que a golpear a água…
Lembrei-me disto depois da bela frase com que termina o seu texto de que gostei verdadeiramente muito.
Quantas asas pede um voo que partiu em busca de outro equilíbrio?
Quantas leituras tem um livro olhado pelo mesmo olhar a diferentes horas de nós mesmos? E que leitura será a de um poema em Braille decifrado por alguém que o conheceu antes de cegar?
Desculpe o arrazoado, e obrigado por me ter dado a conhecer este texto. Um abraço sublinhado do seu amigo de sempre.
Zé"

Carta de José Cardoso Pires a João Lobo Antunes in "Numa cidade feliz" de João Lobo Antunes, Gradiva, pp. 174 e 175.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

quinta-feira, dezembro 03, 2009

terça-feira, dezembro 01, 2009

A explicação, possível, de haver menos pessoas nas igrejas*


*Comentário de R.B., a quem devemos o envio da foto.

quarta-feira, novembro 25, 2009

sábado, novembro 21, 2009

Irmãos Bloom

"There's no such thing as an unwritten life. Just a badly-written one."
Quase 120 minutos de uma louca sucessão de golpes, na curiosa procura da perfeição na … vigarice. Uma busca que se assemelha desconcertantemente à demanda da felicidade, já que o golpe perfeito é precisamente aquele em que todos alcançam aquilo que desejam.
Humor bem doseado e servido por um elenco de excepção (Rachel Weisz, Adrien Brody, e, claro, Mark Ruffalo), num enredo assente na delicada linha que separa a verdade da falsidade. Uma linha que raramente aparece bem definida. Apenas se entrevê na tonalidade enigmática que macula os punhos de uma camisa branca.

Cassandra Wilson

Tendo, em vão, procurado na internet a “Pony Blues”, fica a “St. James Infirmary”.
Ontem foi mais ou menos assim, no Centro Cultural de Vila Flor, em Guimarães …

sexta-feira, novembro 20, 2009

quarta-feira, novembro 18, 2009

Oldboy

Julgo que foi a primeira vez que vi um filme sul-coreano. Realizado por Park Chan-Wook, Oldboy (Velho Amigo), de 2003, conta com um argumento absolutamente desconcertante, onde a dor, a loucura, o sofrimento em estado puro e o amor (doentio) ocupam lugar de destaque.
Percebe-se bem o Prémio em Cannes em 2004 e porque agradou tanto a Tarantino. O nonsense e o humor negro deste último ponteiam em Oldboy.
Retenho dois provérbios: "Ri e o mundo ri-se contigo; chora e chorarás sozinho" e "Seja um grão de areia ou uma pedra, na água, ambas se afundam" (este último, a chave do filme).
Obrigado ao P.J. pelo tão simpático comodato:) Ah! Quase me esquecia: como me foi recomendado, não aconselhável a pessoas sensíveis!

terça-feira, novembro 17, 2009

quarta-feira, novembro 11, 2009

Luta antiga e justíssima

De novo, a mais que justa luta pela reactivação do Cineclube do Porto, prometida pelo ex-Ministro da Cultura de Sócrates e que teve em alunos da FDUP um motor essencial.
Assim continua a ser, o que me enche de orgulho.

Por isso, não deixem de assinar mais uma petição. À falta de outro instrumento, usemos este!

movimentocineclubedoporto.blogspot.com

O Porto, o Norte e todo o País agradecem!

terça-feira, novembro 10, 2009

Boas notícias!

Já não era sem tempo!
Finalmente recebemos uma notícia que nos permite sentir algum orgulho...

· Um estudo recente conduzido pela Universidade Técnica de Lisboa mostrou que cada português caminha em média 440 km por ano.
· Outro estudo feito pela Associação Médica de Coimbra revelou que, em média, o português bebe 26 litros de Vinho por ano.
Conclusão:
Isto significa que o português, em média, gasta 5,9 litros aos 100km, ou seja... é económico! ...Afinal, nem tudo está mal, neste País!

segunda-feira, novembro 09, 2009

domingo, novembro 08, 2009

Legado


Tiziano, Alegoria da Prudência, 1565-1570, London National Gallery.

Ecoam risos, estriam vozes,
tolero gente que libeliza.
De súbito, o Gutural!
A Tormenta, a Lancinante,
a Luta das Sombras que ensandecem
todo o Churchill que a elas resistia.
Empunhamos a Ciência; desembainhamos a Técnica.
Responde-nos o Animal; ataca-nos o Básico.
Retorquimos chavoneando:
globalizar, modernizar, simplificar.
Tropeçamos em pedintes, indigentes,
estropiados e carne humana simplesmente…ali, aqui, além, em todo o lado.
É este o mundo do eterno devir
legado aos sobrevivos.
Que querem esses hipócritas nojentos?

Já viram bem a porcaria que nos deixaram?!

F.L.

Cidadela


Henri Matisse, Le bonheur de vivre, 1905-06, Barnes Foundation, Marion.

Do mirante, a cidadela.

Em finos cacos de porcelana
ondeia por searas de gente
carcomida em sulcos de injustiça.
Eis que assoma a Donzela.
Seu palácio a choupana,
onde se foge de quem mente
sobre a vida enquanto liça.
Liça será viver?
Se viver não é,
ao menos que assim pareça:
antes o jugo de morrer
à esperança que pereça!

F.L.

sábado, novembro 07, 2009

Emilia Galotti


Na sequência do tão amável convite do "DireitoàCena", quase todo o Tretas foi em romagem ao TECA a fim de assistir a "Emilia Galotti". Aparte a doença de Ana Bustorff que a impediu de participar na peça, tendo sido substituída por Teresa Sobral, em registo de leitura encenada (bem), tudo correu sem sobressaltos de maior...
O texto, não fosse ele de Lessing, é bastante forte e denso e contém expressões bem curiosas sobre os insondáveis caminhos da justiça, em especial daquela que era aplicada em tempos de monarquias mais ou menos absolutas.
A encenação de Nuno M. Cardoso peca por não ter sido capaz de transmitir maior vivacidade à peça, possivelmente encurtando a sua duração e, em algumas cenas, conferindo mais acção a dados diálogos em registo mais monocórdico. Bom, mas aí entra o trabalho dos actores. Em registo claramente mono esteve Carlos Pimenta (Coronel Odoardo Galotti). Quase desaparecido na trama e sem chama, David Santos (Conde Appiani). Já bastante expressivo e com gestos que raiavam a loucura, o Príncipe Hettore Gonzaga (Albano Jerónimo) e um magnífico Dinarte Branco (Marquês Marinelli).
A trama pode parecer démodée, mas o Amor, o sofrimento por ele e a loucura que se comete em seu nome são intemporais.
No TECA até hoje, 8/11, às 21.30 h.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Kings of Convenience

Rule my World” e “Misread” dos Kings of Convenience.
Duas das canções que deliciaram todos aqueles que estiveram presentes na belíssimo Theatro Circo em Braga na segunda-feira passada e assistiram a um espectáculo inolvidável…



terça-feira, novembro 03, 2009

Diversidades culturais


Há mesma diversas formas de olhar a mesma realidade... e não (só) em sentido filosófico... Interessante é, ainda, que as diferentes latitude e longitude tenham nisso enorme relevância...