quarta-feira, janeiro 06, 2010

Early Night Post (66)

A adoração dos Reis Magos, de Jan Brueghel, "O Velho"


A Estrela

Eu caminhei na noite
Entre silêncio e frio
Só uma estrela secreta me guiava

Grandes perigos na noite me apareceram
Da minha estrela julguei que eu a julgara
Verdadeira sendo ela só reflexo
De uma cidade a néon enfeitada

A minha solidão me pareceu coroa
Sinal de perfeição em minha fronte
Mas vi quando no vento me humilhava
Que a coroa que eu levava era de um ferro
Tão pesado que toda me dobrava

Do frio das montanhas eu pensei
«Minha pureza me cerca e me rodeia»
Porém meu pensamento apodreceu
E a pureza das coisas cintilava
E eu vi que a limpidez não era eu

E a fraqueza da carne e a miragem do espírito
Em monstruosa voz se transformaram
Disse às pedras do monte que falassem
Mas elas como pedras se calaram
Sozinha me vi delirante e perdida
E uma estrela serena me espantava

E eu caminhei na noite minha sombra
De desmedidos gestos me cercava
Silêncio e medo
Nos confins desolados caminhavam
Então eu vi chegar ao meu encontro
Aqueles que uma estrela iluminava

E assim eles disseram: «Vem connosco
Se também vens seguindo aquela estrela»
Então soube que a estrela que eu seguia
Era real e não imaginada

Grandes noites redondas nos cercaram
Grandes brumas miragens nos mostraram
Grandes silêncios de ecos vagabundos
Em direcções distantes nos chamaram
E a sombra dos três homens sobre a terra
Ao lado dos meus passos caminhava
E eu espantada vi que aquela estrela
Para a cidade dos homens nos guiava

E a estrela do céu parou em cima
de uma rua sem cor e sem beleza
Onde a luz tinha a cor que tem a cinza
Longe do verde azul da natureza

Ali não vi as coisas que eu amava
Nem o brilho do sol nem o da água

Ao lado do hospital e da prisão
Entre o agiota e o templo profanado
Onde a rua é mais triste e mais sozinha
E onde tudo parece abandonado
Um lugar pela estrela foi marcado

Nesse lugar pensei: «Quanto deserto
Atravessei para encontrar aquilo
Que morava entre os homens e tão perto»

Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto, pp.29-31

We Three Kings



Na versão dos Blondie ... para o blog entrar em 2010 (finalmente!) com energia e diversão, e encerrar as festividades natalícias.

Um óptimo 2010 para todos!

quinta-feira, dezembro 24, 2009

O come, o come Emmanuel

Pelos Belle and Sebastian

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Natal e não Dezembro

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido…
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave…
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
Talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira
La Recherche de l`auberge, Charles-François Daubigny, Dalhousie University Art Gallery, Halifax

Merry Christmas ...




... Mr Lawrence de Ryuichi Sakamoto, pelo seu trio (Jaques Morelenbaum no violoncelo e Everton Nelson no violino).

sábado, dezembro 19, 2009

Early Night Post (64)

Pablo Picasso, Don Quijote
“Esta é talvez a primeira e mais importante característica de qualquer obra-prima: criar no leitor o impulso evangélico de a partilhar. Alguns livros oferecem-se em silêncio, selando uma união mística mediada pela palavra de outro alguém. Noutros casos, o livro é transferido com as cicatrizes de uma leitura prévia, talvez por se temer que ao recipiente escape o que pensamos ser o melhor da obra, ou para sublinhar o que nela é memória do que já se viveu em comum.”
João Lobo Antunes, A minha aventura com o D. Quixote, in Numa cidade feliz, Gradiva, p. 179.


Little Drummer Boy

Little Drummer Boy por Lauryn Hill

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Palhaçadas

Mais um que vai fazer companhia à Manuela Moura Guedes?
Mário Crespo sem papas na língua, no JN de 14-12-2009.
Ah... e quem será este "palhaço"???


O palhaço

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
Ou nós, ou o palhaço.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

STCP em grande

"Se estamos atrasados, estamos à hora"
"É bom rapaz, tem cara de enfermeiro"
?????????
Algumas das pérolas deste achado arqueológico!

Wife control (exagero?)


quarta-feira, dezembro 09, 2009

Early Night Post (63)

Monet, Waterlilies, Green Reflection, (1916-1923) @ Orangerie, Paris


"Domingo de manhã, 29/3/1998
Caro João,
Um dia era eu miúdo, apanhei um «alfaiate», um desses insectos de patas longas que sobrevoam os riachos como helicópteros. Foi uma glória! Insectos daqueles são dificílimos de capturar, e eu, criança desalmada, pus-me a mirá-lo e a remirá-lo e fiquei deslumbrado com as asas (3 pares, suponho), que eram tão transparentes que se reduziam a delicadas nervuras suspensas do nada.
Como entomólogo de sadismo curioso arranquei uma das asas, a mais pequena e soltei o bicho para ver o resultado. Céus! O voo do «alfaiate», que sempre me inigmara pelas suas miraculosas suspensões, pelos arabescos à tona da água e pela sua inimaginável esquiva, esse voo, em vez de tombar, tomou imediatamente outro desenho. Em vez de planar, corria com as asas na vertical como que a golpear a água…
Lembrei-me disto depois da bela frase com que termina o seu texto de que gostei verdadeiramente muito.
Quantas asas pede um voo que partiu em busca de outro equilíbrio?
Quantas leituras tem um livro olhado pelo mesmo olhar a diferentes horas de nós mesmos? E que leitura será a de um poema em Braille decifrado por alguém que o conheceu antes de cegar?
Desculpe o arrazoado, e obrigado por me ter dado a conhecer este texto. Um abraço sublinhado do seu amigo de sempre.
Zé"

Carta de José Cardoso Pires a João Lobo Antunes in "Numa cidade feliz" de João Lobo Antunes, Gradiva, pp. 174 e 175.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

quinta-feira, dezembro 03, 2009

terça-feira, dezembro 01, 2009

A explicação, possível, de haver menos pessoas nas igrejas*


*Comentário de R.B., a quem devemos o envio da foto.

quarta-feira, novembro 25, 2009

sábado, novembro 21, 2009

Irmãos Bloom

"There's no such thing as an unwritten life. Just a badly-written one."
Quase 120 minutos de uma louca sucessão de golpes, na curiosa procura da perfeição na … vigarice. Uma busca que se assemelha desconcertantemente à demanda da felicidade, já que o golpe perfeito é precisamente aquele em que todos alcançam aquilo que desejam.
Humor bem doseado e servido por um elenco de excepção (Rachel Weisz, Adrien Brody, e, claro, Mark Ruffalo), num enredo assente na delicada linha que separa a verdade da falsidade. Uma linha que raramente aparece bem definida. Apenas se entrevê na tonalidade enigmática que macula os punhos de uma camisa branca.

Cassandra Wilson

Tendo, em vão, procurado na internet a “Pony Blues”, fica a “St. James Infirmary”.
Ontem foi mais ou menos assim, no Centro Cultural de Vila Flor, em Guimarães …

sexta-feira, novembro 20, 2009

quarta-feira, novembro 18, 2009

Oldboy

Julgo que foi a primeira vez que vi um filme sul-coreano. Realizado por Park Chan-Wook, Oldboy (Velho Amigo), de 2003, conta com um argumento absolutamente desconcertante, onde a dor, a loucura, o sofrimento em estado puro e o amor (doentio) ocupam lugar de destaque.
Percebe-se bem o Prémio em Cannes em 2004 e porque agradou tanto a Tarantino. O nonsense e o humor negro deste último ponteiam em Oldboy.
Retenho dois provérbios: "Ri e o mundo ri-se contigo; chora e chorarás sozinho" e "Seja um grão de areia ou uma pedra, na água, ambas se afundam" (este último, a chave do filme).
Obrigado ao P.J. pelo tão simpático comodato:) Ah! Quase me esquecia: como me foi recomendado, não aconselhável a pessoas sensíveis!

terça-feira, novembro 17, 2009

quarta-feira, novembro 11, 2009

Luta antiga e justíssima

De novo, a mais que justa luta pela reactivação do Cineclube do Porto, prometida pelo ex-Ministro da Cultura de Sócrates e que teve em alunos da FDUP um motor essencial.
Assim continua a ser, o que me enche de orgulho.

Por isso, não deixem de assinar mais uma petição. À falta de outro instrumento, usemos este!

movimentocineclubedoporto.blogspot.com

O Porto, o Norte e todo o País agradecem!

terça-feira, novembro 10, 2009

Boas notícias!

Já não era sem tempo!
Finalmente recebemos uma notícia que nos permite sentir algum orgulho...

· Um estudo recente conduzido pela Universidade Técnica de Lisboa mostrou que cada português caminha em média 440 km por ano.
· Outro estudo feito pela Associação Médica de Coimbra revelou que, em média, o português bebe 26 litros de Vinho por ano.
Conclusão:
Isto significa que o português, em média, gasta 5,9 litros aos 100km, ou seja... é económico! ...Afinal, nem tudo está mal, neste País!

segunda-feira, novembro 09, 2009

domingo, novembro 08, 2009

Legado


Tiziano, Alegoria da Prudência, 1565-1570, London National Gallery.

Ecoam risos, estriam vozes,
tolero gente que libeliza.
De súbito, o Gutural!
A Tormenta, a Lancinante,
a Luta das Sombras que ensandecem
todo o Churchill que a elas resistia.
Empunhamos a Ciência; desembainhamos a Técnica.
Responde-nos o Animal; ataca-nos o Básico.
Retorquimos chavoneando:
globalizar, modernizar, simplificar.
Tropeçamos em pedintes, indigentes,
estropiados e carne humana simplesmente…ali, aqui, além, em todo o lado.
É este o mundo do eterno devir
legado aos sobrevivos.
Que querem esses hipócritas nojentos?

Já viram bem a porcaria que nos deixaram?!

F.L.

Cidadela


Henri Matisse, Le bonheur de vivre, 1905-06, Barnes Foundation, Marion.

Do mirante, a cidadela.

Em finos cacos de porcelana
ondeia por searas de gente
carcomida em sulcos de injustiça.
Eis que assoma a Donzela.
Seu palácio a choupana,
onde se foge de quem mente
sobre a vida enquanto liça.
Liça será viver?
Se viver não é,
ao menos que assim pareça:
antes o jugo de morrer
à esperança que pereça!

F.L.

sábado, novembro 07, 2009

Emilia Galotti


Na sequência do tão amável convite do "DireitoàCena", quase todo o Tretas foi em romagem ao TECA a fim de assistir a "Emilia Galotti". Aparte a doença de Ana Bustorff que a impediu de participar na peça, tendo sido substituída por Teresa Sobral, em registo de leitura encenada (bem), tudo correu sem sobressaltos de maior...
O texto, não fosse ele de Lessing, é bastante forte e denso e contém expressões bem curiosas sobre os insondáveis caminhos da justiça, em especial daquela que era aplicada em tempos de monarquias mais ou menos absolutas.
A encenação de Nuno M. Cardoso peca por não ter sido capaz de transmitir maior vivacidade à peça, possivelmente encurtando a sua duração e, em algumas cenas, conferindo mais acção a dados diálogos em registo mais monocórdico. Bom, mas aí entra o trabalho dos actores. Em registo claramente mono esteve Carlos Pimenta (Coronel Odoardo Galotti). Quase desaparecido na trama e sem chama, David Santos (Conde Appiani). Já bastante expressivo e com gestos que raiavam a loucura, o Príncipe Hettore Gonzaga (Albano Jerónimo) e um magnífico Dinarte Branco (Marquês Marinelli).
A trama pode parecer démodée, mas o Amor, o sofrimento por ele e a loucura que se comete em seu nome são intemporais.
No TECA até hoje, 8/11, às 21.30 h.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Kings of Convenience

Rule my World” e “Misread” dos Kings of Convenience.
Duas das canções que deliciaram todos aqueles que estiveram presentes na belíssimo Theatro Circo em Braga na segunda-feira passada e assistiram a um espectáculo inolvidável…



terça-feira, novembro 03, 2009

Diversidades culturais


Há mesma diversas formas de olhar a mesma realidade... e não (só) em sentido filosófico... Interessante é, ainda, que as diferentes latitude e longitude tenham nisso enorme relevância...

segunda-feira, novembro 02, 2009

Mercedes Sosa - Sólo le pido a Dios

Sugestão de um bom Amigo, com excelente gosto e que me chamou a atenção para a importância social da letra.
Mercedes Sosa, uma voz que fala por um Povo e que nos deixou há pouco tempo.
A letra de "Solo de pido a Dios" é fortíssima. Um grito de revolta contra a indiferença em relação à guerra e a todos aqueles que sofrem, quantas vezes mesmo a nosso lado! Se a música (e sobretudo a letra) nos levar ao menos a estar hoje com alguém que sabemos encontrar-se em alguma destas situações, quão melhor dormiremos hoje!


SOLO LE PIDO A DIOS

Letra e música de Leon Gieco

Solo le pido a Dios

Que el dolor no me sea indiferente

Que la reseca muerte no me encuentre

Vacía y sola sin haber hecho lo suficiente

Solo le pido a Dios

Que lo injusto no me sea indiferente

Que no me abofeteen la otra mejía

Después que una garra me arañe esta frente

Solo le pido a Dios

Que la guerra no me sea indiferente

Es un monstro grande y pisa fuerte

Toda la pobre inocencia de la gente

Es un monstro grande y pisa fuerte

Toda la pobre inocencia de la gente

Solo le pido a Dios

Que el engaño no me sea indiferente

Si un traidor puede más que unos cuantos

Que esos cuantos no lo olviden fácilmente

Solo le pido a Dios

Que el futuro no me sea indiferente

Desahuciado está el que tiene que marchar

A vivir una cultura diferente


sábado, outubro 31, 2009

Sunny Road - Emiliana Torrini




Emiliana Torrini @ Centro Cultural de Vila Flor, Guimarães

quinta-feira, outubro 29, 2009

Parabéns Direito à cena!

Como fãs confessos do direitoÀcena, não podíamos deixar de assinalar, aqui no T&L, o seu aniversário.
Os nossos parabéns pelos 10 anos a todos os que fazem parte desse extraordinário grupo!
Que esta seja a primeira de muitas dezenas numa longa existência! E, já agora, que nós possamos continuar a aplaudir os (muitos) futuros sucessos do dÀc!

Aproveitamos, por isso, para nos associar à divulgação de uma das iniciativas de comemoração do aniversário.
Vamos ao teatro com o dÀc?
Aqui fica o convite à FDUP para assistir com a malta do direitoÀcena, à próxima produção do TECA.


"Emilia Galotti"de
Gotthold Ephraim Lessing
dramaturgia e encenaçãoNuno M Cardoso
interpretaçãoAlbano Jerónimo, Ana Bustorff, Carlos Pimenta, David Santos, Dinarte Branco, Rita Calçada Bastos, Teresa Tavares
co-produçãoO Cão Danado e Companhia, TNSJ
Nuno M Cardoso prossegue, na nossa companhia, uma viagem pela literatura alemã, com escalas em Goethe, Fassbinder e Brecht. Desta vez, resgata da sombra a mais controversa das peças legadas pelo filósofo e dramaturgo Gotthold Ephraim Lessing, um dos mais decisivos reformadores da arte dramática europeia. Estreada em 1772, Emilia Galotti foi desde então sucessivamente amada e repudiada, permanecendo uma esfinge com muitos segredos. Nunca saberemos o que verdadeiramente aconteceu no encontro entre o príncipe Gonzaga e a burguesa Galotti. E essa dúvida, que se instala no início do segundo acto, propaga-se como uma “peste emocional” até ao desenlace trágico. Emilia foi seduzida ou seduziu? Foi vítima da arbitrariedade do poder ou da fascinação pelo poder? Lacónico e perverso, o autor não esclarece nem julga as motivações das suas personagens. Em Emilia Galotti aprendemos a desconfiar da verdade. No livro Homens em Tempos Sombrios, Hannah Arendt escolhe uma frase de Lessing que lhe parece condensar a sabedoria de todas as suas obras: “Que cada homem diga o que considera verdade, e deixe ao cuidado de Deus a verdade em si!”.
6.11.2009
21h30
Teatro Carlos Alberto, Porto
Preço dos bilhetes (15 bilhetes disponíveis)
dÀc € 5
FDUP € 7,5
Reservas até dia 31.10.2009, através do email direitoacena@gmail.com ou com os membros do dÀc na FDUP

sábado, outubro 17, 2009

sábado, outubro 10, 2009

"Amália Hoje" (ontem)

Os "Amália Hoje" têm o condão, como foi ontem recordado, de trazer de novo Amália aos públicos que, como eu, não são da época em que a diva se encontrava no auge da sua carreira musical.
Ontem à noite, um Coliseu a abarrotar, com gente a cantar as letras de cor, a dançar e a pular é sempre um espectáculo inolvidável! Quando se lhe junta a orquestração e o arranjo de velhos temas com novas roupagens ditas "pop", o sucesso é garantido.
Foi um Coliseu rendido aos "Hoje", que muito vive da vocalista dos "The Gift". Alguns dirão que se assassinaram fados que deveriam permanecer imutáveis. Como em tudo, penso que é essencial distinguir as boas das más adaptações. As primeiras são também criações, ao passo que as últimas nada mais são que mau gosto. Em geral, os "Amália Hoje" conseguiram criar. Para mim, em especial, no tema "Medo".

quarta-feira, outubro 07, 2009

Pena de Morte na FDUP



Joaquín José Martinez nasceu em 1971 na cidade de Guayaquil, no Equador. Viveu em Espanha a partir dos 5 anos, mas foi nos Estados Unidos que passou grande parte da sua juventude. Em 1989 estabelece-se na Florida com os seus pais, onde estudava e trabalhava, levando uma vida normal. Isto até 1996, ano em que foi detido.

O dia da detenção

No dia 26 de Janeiro de 1996, quando Martinez regressava de casa da sua ex-mulher depois de uma visita às suas duas filhas, foi abordado pela polícia, com um grande aparato de carros e helicópteros. Joaquín foi então preso sob a acusação da morte de um casal de jovens, assassinado três meses antes.
Segundo informações que Martinez pode confirmar posteriormente, nos documentos do seu processo, o rapaz assassinado – Douglas Lawson - era filho do Sheriff da cidade de Brandon (onde ocorreram os assassinatos) e vendia drogas e a rapariga – Sherrie McVoy-Ward - era sua noiva e trabalhava como bailarina de striptease num dos espaços comerciais mais famosos da cidade.

A condenação

As acusações contra ele foram fundamentadas através de:
* Uma gravação áudio cujo conteúdo era imperceptível, mas da qual foi feita uma transcrição pelas autoridades americanas. Esta transcrição foi obtida com a colaboração da sua ex-mulher e da polícia que escreveram a sua interpretação do que se dizia na fita;
* Testemunhos dos polícias envolvidos no caso;
* Depoimentos da sua ex-mulher, da sua noiva e de prisioneiros que afirmaram que ele teria confessado o crime.

No entanto, havia provas que não o apontavam como suspeito, como:
* as impressões digitais e o ADN encontrados, que não lhe pertenciam;
* não havia quaisquer indícios no seu carro ou roupas, que foram levadas da sua casa, que o incriminassem;
* não existia motivo aparente, nem prova de qualquer relação de Martinez com as vítimas, pelo menos nos anos que se seguiram à sua saída de uma empresa onde trabalhou com Douglas Lawson.
Apesar de tudo isto, Joaquín Martinez foi considerado culpado e condenado à morte pelo assassinato de uma das vítimas e a prisão perpétua pela morte da outra, sob as acusações de “assassinato premeditado” e “roubo em domicílio”. O julgamento teve lugar na Florida, em 1997.


A revisão da pena
O caso de Joaquín José Martinez foi largamente divulgado em Espanha, onde os seus pais conseguiram mobilizar centenas de pessoas, meios de comunicação social e diplomatas, que tiveram uma influência decisiva no desenrolar do seu processo. O Parlamento Europeu, o Senado italiano, o Rei de Espanha e o Papa João Paulo II apoiaram também os apelos, para que a sua pena fosse comutada.
A condenação à morte de Martinez foi revogada pelo Supremo Tribunal da Florida no ano 2000, que ordenou um segundo julgamento.
No segundo julgamento, a acusação não pediu a pena de morte, pois diversas testemunhas de acusação alteraram o seu depoimento e a fita áudio que alegadamente continha declarações que incriminavam Joaquín, não foi considerada admissível como prova, uma vez que o seu conteúdo era inaudível. Surgiram também provas de que a transcrição da gravação áudio tinha sido preparada pelo pai da vítima, em colaboração com uma sobrinha que trabalhava no departamento policial como estenógrafa, e que este tinha oferecido uma recompensa de $10,000.
Neste julgamento, concluído a 5 de Junho de 2001, o júri absolveu por unanimidade Joaquín José Martinez depois de ter concluído que as provas contra ele eram insuficientes.
Joaquín Martinez tornou-se assim, desde 1973, no 21.º prisioneiro, no Estado da Florida, e o 96.º detido, nos Estados Unidos da América, a ser exonerado depois de ter estado no corredor da morte.
Nos meses que se seguiram à sua libertação, Joaquín Martinez viajou pelas principais cidades espanholas, para conhecer e agradecer às pessoas que lutaram pela sua libertação.
No dia 20 de Junho de 2001, foi recebido pela Comunidade de Santo Egídio em Roma e participou numa iniciativa no Coliseu, cujas luzes acenderam em celebração da abolição da pena de morte no Chile e da comutação da sentença de morte de Martinez. Sempre que alguém é poupado da sentença de morte ou algum país se torna abolicionista, as luzes brancas do Coliseu dão lugar a luzes douradas, como símbolo da oposição internacional à pena de morte.
Nos últimos anos, Joaquín Martinez, tem dedicado a sua vida à luta contra à pena de morte e ao apoio a prisioneiros que enfrentam esta sentença.
Fonte: Amnistia Internacional Portugal.

Dia 14 de Outubro, Martinez virá ao Porto dar-nos o seu testemunho.

Apareçam! às 17h na Faculdade de Direito da UP

sexta-feira, outubro 02, 2009

Sealife


Isto anda muito parado...
Só um pensamento/opinião partilhado: se já foram ao "Sea Life", não obstante a ideia até ser engraçada, não acharam o espaço pequeno demais para o preço que cobram? Fiquei desconsolado...
Gira, gira, é a publicidade, como se vê aqui...


domingo, setembro 13, 2009

Sacanas


"Inglourious Basterds" ("Sacanas sem Lei"): Tarantino no seu melhor! Banda sonora desarmante em momentos de intensidade dramática quase impossível de alcançar. Brad Pitt dá vida ao papel que desempenha e o argumento mostra uma II Guerra como nunca a vimos. É certo que a realidade histórica não foi como Tarantino a descreve, mas e se tivesse sido? Quantas vidas não se haveriam salvo e quão mais "divertido" (leia-se o adjectivo em puro estilo cinematográfico, claro está!) tudo teria sido...

Teatro x2


Duas experiências de teatro muito diversas: Hedda Gabler, do norueguês Henrik Ibsen, no Teatro do Campo Alegre, e Os Idiotas, de Fiódor Dostoiévski.
Gabler é uma experiência simpática, em ambiente familiar no qual se vai desenrolando uma pequena-grande tragédia que tem o tédio, a falta de amor e o casamento tonto por ingredientes principais. Confesso que Sofia Alves claudica em momentos-chave da peça, não deixando de parecer algo deslocada do que era pedido a uma Hedda dona do mundo e simultaneamente de uma fragilidade assustadora. Nota mais para Vítor de Sousa que, em alguns momentos, parece também ele deslocado, mas agora em função de alguma «televisice TVI/Morangos com Açúcar» da protagonista.
Os Idiotas, no Teatro Nacional São João adivinhava-se como um exercício de «endurance» possivelmente incapaz de ser superado. E foi mesmo... A peça durava 5 horas e meia. Aguentámos 3 h... Já não foi mau! A peça falada em Lituano e com tradução em Português, através de um aparelho que mal dava para ler e acompanhar o desenvolvimento cénico ao mesmo tempo, a que se juntou uma história excessivamente longa e, em muitos passos, desconcertante e «nonsense», aconselharam a saída...
Já se sabe como são as obras de Dostoiévski, mas bem que podiam ter feito um resumo...

sábado, setembro 12, 2009

Casa da Música - rentrée


Já aqui comentei como gosto de Setembro, do retomar dos projectos e concretizações que - e bem - ficam suspensos em Agosto (também é essencial tirarmos férias deles e até uns dos outros; sim, as pessoas precisam de férias umas das outras...).
Pois bem, foi óptimo voltar ontem à Casa da Música para assistir a um dos concertos organizados em torno do grande Haydn, o setecentista que "popularizou" o género sinfónico. por ocasião do bicentenário da sua morte. Boa casa, com público ávido de notas que ecoaram por aquela que é já uma referência nacional e internacional - a "nossa" Casa da Música!

sexta-feira, setembro 04, 2009

Culturicis sofisticadus agudus


Levar a Cultura a sítios onde habitualmente a não encontramos é sempre um desiderato louvável.
Esta afirmação apodíctica choca, todavia, com a ideia "pós-moderna" de que qualquer "instalação" (como agora se diz) é uma obra de arte. Não é.
Exemplo paradigmático encontrei na "Serralves na Baixa", ao lado dos mais concorridos espaços de diversão nocturna actuais do Porto. Uns três pisos de um edifício a necessitar de remodelação urgente (ao que julgo, antiga sede de uma emissora radiofónica), era ver um conjunto de televisores com caras estranhas, com filmes que não se percebem e com sons inimigos dos tímpanos.
Concordo com a ideia de que a arte não tem de ser instantânea. Mas desconfio que muitos dos supostos "artistas" se refugiam na total incompreensibilidade das suas "obras" para tentar ocultar o deserto de ideias em que vivem...
Sobretudo, irrita-me solenemente que o ser humano A pense que todos os outros são destituídos de miolos e que só ele/ela é que foi bafejado/a por Deus (ou similar)...

Vejam com os vossos olhos: Rua Cândido dos Reis, até 20/9. Ah! O que vale é que a entrada é grátis...

quarta-feira, setembro 02, 2009

Que medo!


Começam como exterminadores e acabam exterminados...

sábado, agosto 29, 2009

Early Night Posts (62)

Félix Vallotton, Im Mondschein
“O homem sobre quem escrevo não é célebre e talvez nunca o chegue a ser. É possível que ao atingir o fim da vida, não deixe, da sua passagem pela Terra, vestígio maior do que aquele que a pedra, atirada ao rio, deixa na superfície das águas. (…). Mas é possível que a singular força e doçura do seu carácter tenham uma influência sempre crescente sobre os seus semelhantes (…)”
***
“Larry ouviu-me com os olhos fixos no meu rosto, sem pestanejar, e, não sei porquê, a sua expressão contemplativa levou-me a pensar que ele escutava, não com os ouvidos, mas com algum órgão auditivo mais sensível e mais íntimo. (…)”
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“Que procura nesses livros? – perguntou-me.
- Se o soubesse, estaria pelo menos a meio do caminho.
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“Soprava um forte mistral e a baía, em geral tão lisa, estava salpicada de espuma branca. Os barcos de pesca baloiçavam-se suavemente. O sol brilhava esplendorosamente e, como sempre acontece quando há mistral, todos os objectos pareciam mais nítidos, como se fossem vistos através de lentes admiravelmente enfocadas. Emprestava uma vitalidade latejante, enervante, a tudo o que a gente via. (…) [Larry] Continuou em tristonho silêncio, que não quis perturbar. (…)
- Shri Ganesha costumava dizer que o silêncio também é conversa – murmurou.”

Somerset Maugham, O fio da navalha, Editores Associados, s.d., p. 7, p. 128, p. 217, pp. 253 e 254.

sexta-feira, agosto 21, 2009

A Ressaca


Num registo completamente diferente do post anterior, vale bem a pena "The Hangover".
Uma mistura de Route 66 e de clássicos de amigos-que-vão-a-Vegas-enfrascar-se-em-despedida-de-solteiro, o filme prende pelo nonsense e pelo imprevisto. Em especial, pela cena em que um dos compinchas toca ao piano uma cultíssima (?) música ao lado de uma galinha que olha para o espectáculo como que pensando "estes humanos devem estar loucos!"...