já não há poemas
apenas palavras
desalinhadas fora de ordem imprecisas sujas
o poeta desalentou
o sangue do seu ofício já não corre
é simplesmente uma matéria
vermelha e coalhada
as palavras cortantes desenfreadas oxigenadas de vida
partiram para parte incerta
nesse estado de ausência pré-morte presumida
o poeta resiste e das sílabas faz sons
que balbucia a despropositadas horas
segundos minutos horas
palavras apenas de uma outra
que dizem ser «dia»
já não há poemas
apenas palavras
descarnadas pungentes e definitivas
FL







