
sábado, dezembro 19, 2009
sexta-feira, dezembro 18, 2009
Palhaçadas
Mais um que vai fazer companhia à Manuela Moura Guedes?
Mário Crespo sem papas na língua, no JN de 14-12-2009.
Ah... e quem será este "palhaço"???
O palhaço
O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
Ou nós, ou o palhaço.
Mário Crespo sem papas na língua, no JN de 14-12-2009.
Ah... e quem será este "palhaço"???
O palhaço
O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
Ou nós, ou o palhaço.
quinta-feira, dezembro 17, 2009
STCP em grande
"Se estamos atrasados, estamos à hora"
"É bom rapaz, tem cara de enfermeiro"
?????????
Algumas das pérolas deste achado arqueológico!
"É bom rapaz, tem cara de enfermeiro"
?????????
Algumas das pérolas deste achado arqueológico!
quarta-feira, dezembro 09, 2009
Early Night Post (63)
"Domingo de manhã, 29/3/1998
Caro João,
Caro João,
Um dia era eu miúdo, apanhei um «alfaiate», um desses insectos de patas longas que sobrevoam os riachos como helicópteros. Foi uma glória! Insectos daqueles são dificílimos de capturar, e eu, criança desalmada, pus-me a mirá-lo e a remirá-lo e fiquei deslumbrado com as asas (3 pares, suponho), que eram tão transparentes que se reduziam a delicadas nervuras suspensas do nada.
Como entomólogo de sadismo curioso arranquei uma das asas, a mais pequena e soltei o bicho para ver o resultado. Céus! O voo do «alfaiate», que sempre me inigmara pelas suas miraculosas suspensões, pelos arabescos à tona da água e pela sua inimaginável esquiva, esse voo, em vez de tombar, tomou imediatamente outro desenho. Em vez de planar, corria com as asas na vertical como que a golpear a água…
Lembrei-me disto depois da bela frase com que termina o seu texto de que gostei verdadeiramente muito.
Quantas asas pede um voo que partiu em busca de outro equilíbrio?
Quantas leituras tem um livro olhado pelo mesmo olhar a diferentes horas de nós mesmos? E que leitura será a de um poema em Braille decifrado por alguém que o conheceu antes de cegar?
Desculpe o arrazoado, e obrigado por me ter dado a conhecer este texto. Um abraço sublinhado do seu amigo de sempre.
Como entomólogo de sadismo curioso arranquei uma das asas, a mais pequena e soltei o bicho para ver o resultado. Céus! O voo do «alfaiate», que sempre me inigmara pelas suas miraculosas suspensões, pelos arabescos à tona da água e pela sua inimaginável esquiva, esse voo, em vez de tombar, tomou imediatamente outro desenho. Em vez de planar, corria com as asas na vertical como que a golpear a água…
Lembrei-me disto depois da bela frase com que termina o seu texto de que gostei verdadeiramente muito.
Quantas asas pede um voo que partiu em busca de outro equilíbrio?
Quantas leituras tem um livro olhado pelo mesmo olhar a diferentes horas de nós mesmos? E que leitura será a de um poema em Braille decifrado por alguém que o conheceu antes de cegar?
Desculpe o arrazoado, e obrigado por me ter dado a conhecer este texto. Um abraço sublinhado do seu amigo de sempre.
Zé"
Carta de José Cardoso Pires a João Lobo Antunes in "Numa cidade feliz" de João Lobo Antunes, Gradiva, pp. 174 e 175.
Carta de José Cardoso Pires a João Lobo Antunes in "Numa cidade feliz" de João Lobo Antunes, Gradiva, pp. 174 e 175.
sexta-feira, dezembro 04, 2009
quinta-feira, dezembro 03, 2009
terça-feira, dezembro 01, 2009
quarta-feira, novembro 25, 2009
segunda-feira, novembro 23, 2009
sábado, novembro 21, 2009
Irmãos Bloom
"There's no such thing as an unwritten life. Just a badly-written one."
Quase 120 minutos de uma louca sucessão de golpes, na curiosa procura da perfeição na … vigarice. Uma busca que se assemelha desconcertantemente à demanda da felicidade, já que o golpe perfeito é precisamente aquele em que todos alcançam aquilo que desejam.
Humor bem doseado e servido por um elenco de excepção (Rachel Weisz, Adrien Brody, e, claro, Mark Ruffalo), num enredo assente na delicada linha que separa a verdade da falsidade. Uma linha que raramente aparece bem definida. Apenas se entrevê na tonalidade enigmática que macula os punhos de uma camisa branca.
Humor bem doseado e servido por um elenco de excepção (Rachel Weisz, Adrien Brody, e, claro, Mark Ruffalo), num enredo assente na delicada linha que separa a verdade da falsidade. Uma linha que raramente aparece bem definida. Apenas se entrevê na tonalidade enigmática que macula os punhos de uma camisa branca.
Cassandra Wilson
Tendo, em vão, procurado na internet a “Pony Blues”, fica a “St. James Infirmary”.
Ontem foi mais ou menos assim, no Centro Cultural de Vila Flor, em Guimarães …
sexta-feira, novembro 20, 2009
quarta-feira, novembro 18, 2009
Oldboy
Julgo que foi a primeira vez que vi um filme sul-coreano. Realizado por Park Chan-Wook, Oldboy (Velho Amigo), de 2003, conta com um argumento absolutamente desconcertante, onde a dor, a loucura, o sofrimento em estado puro e o amor (doentio) ocupam lugar de destaque.
Percebe-se bem o Prémio em Cannes em 2004 e porque agradou tanto a Tarantino. O nonsense e o humor negro deste último ponteiam em Oldboy.
Retenho dois provérbios: "Ri e o mundo ri-se contigo; chora e chorarás sozinho" e "Seja um grão de areia ou uma pedra, na água, ambas se afundam" (este último, a chave do filme).
Obrigado ao P.J. pelo tão simpático comodato:) Ah! Quase me esquecia: como me foi recomendado, não aconselhável a pessoas sensíveis!
Percebe-se bem o Prémio em Cannes em 2004 e porque agradou tanto a Tarantino. O nonsense e o humor negro deste último ponteiam em Oldboy.
Retenho dois provérbios: "Ri e o mundo ri-se contigo; chora e chorarás sozinho" e "Seja um grão de areia ou uma pedra, na água, ambas se afundam" (este último, a chave do filme).
Obrigado ao P.J. pelo tão simpático comodato:) Ah! Quase me esquecia: como me foi recomendado, não aconselhável a pessoas sensíveis!
terça-feira, novembro 17, 2009
quarta-feira, novembro 11, 2009
Luta antiga e justíssima
De novo, a mais que justa luta pela reactivação do Cineclube do Porto, prometida pelo ex-Ministro da Cultura de Sócrates e que teve em alunos da FDUP um motor essencial.
Assim continua a ser, o que me enche de orgulho.
Por isso, não deixem de assinar mais uma petição. À falta de outro instrumento, usemos este!
Assim continua a ser, o que me enche de orgulho.
Por isso, não deixem de assinar mais uma petição. À falta de outro instrumento, usemos este!
movimentocineclubedoporto.blogspot.com
O Porto, o Norte e todo o País agradecem!
terça-feira, novembro 10, 2009
Boas notícias!
Já não era sem tempo!
Finalmente recebemos uma notícia que nos permite sentir algum orgulho...
· Um estudo recente conduzido pela Universidade Técnica de Lisboa mostrou que cada português caminha em média 440 km por ano.
· Outro estudo feito pela Associação Médica de Coimbra revelou que, em média, o português bebe 26 litros de Vinho por ano.
Finalmente recebemos uma notícia que nos permite sentir algum orgulho...
· Um estudo recente conduzido pela Universidade Técnica de Lisboa mostrou que cada português caminha em média 440 km por ano.
· Outro estudo feito pela Associação Médica de Coimbra revelou que, em média, o português bebe 26 litros de Vinho por ano.
Conclusão:
Isto significa que o português, em média, gasta 5,9 litros aos 100km, ou seja... é económico! ...Afinal, nem tudo está mal, neste País!
segunda-feira, novembro 09, 2009
domingo, novembro 08, 2009
Legado

Tiziano, Alegoria da Prudência, 1565-1570, London National Gallery.
Ecoam risos, estriam vozes,
tolero gente que libeliza.
De súbito, o Gutural!
A Tormenta, a Lancinante,
a Luta das Sombras que ensandecem
todo o Churchill que a elas resistia.
Empunhamos a Ciência; desembainhamos a Técnica.
Responde-nos o Animal; ataca-nos o Básico.
Retorquimos chavoneando:
globalizar, modernizar, simplificar.
Tropeçamos em pedintes, indigentes,
estropiados e carne humana simplesmente…ali, aqui, além, em todo o lado.
É este o mundo do eterno devir
legado aos sobrevivos.
Que querem esses hipócritas nojentos?
Já viram bem a porcaria que nos deixaram?!
F.L.
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