quinta-feira, janeiro 08, 2009

Do meu e-mail


O Presidente de certa empresa, casado há 25 anos, está com uma grande dúvida:
fazer amor com a própria mulher, depois de tanto tempo de casamento,
é trabalho ou prazer?
Na dúvida, ligou ao Director-Geral e perguntou.
Por sua vez, o Director ligou ao Sub-Director e fez a mesma pergunta.
O Sub-Director ligou ao Gerente e fez a mesma pergunta.
E assim se seguiu a corrente de ligações até que a pergunta
chegou ao Sector Jurídico e o Advogado perguntou, como é normal, ao
Estagiário que estava todo atarefado a fazer mil coisas ao mesmo tempo:
- Rapaz, quando o Presidente da Empresa faz amor com a mulher
dele é trabalho ou prazer?
- É prazer, Doutor ! - respondeu prontamente o estagiário.
- Como é que você pode responder a isso com tanta segurança e
rapidez??
-... se fosse trabalho, já me tinham mandado a mim!

domingo, janeiro 04, 2009

O Silêncio de Lorna


O Silêncio de Lorna

O filme conquistou o prémio de melhor argumento em Cannes (Jean-Pierre Dardenne
Luc Dardenne). Talvez tivesse sido mais adequado o prémio de melhor meio argumento, uma vez que, sensivelmente a meio do filme, parece que os argumentistas foram para férias ou entraram em greve. Aquilo que começa por ser uma história de grande potencial dramático e real – o ilícito da venda de nacionalidade da U.E. a troco de um casamento forjado com uma albanesa que, após um matrimónio também ele falso, adquire a nacionalidade belga –, transforma-se numa vulgar historieta de traição e loucura.
Mesmo assim, as interpretações estão, em regra, a bom nível, em especial Arta Dobroshi, no papel de Lorna. Um semi-sucesso dentro de um semi-fracasso.

A Vida é que exagera


René Magritte, Ceci n'est pas une pipe, 1928-29.


A Vida é que exagera;

não estou assim tão mal!

Mesmo que me sinta ridículo

e abandonado ao deambular

por corredores de nenúfares em que

me afundo a cada passo.

A Vida é que exagera;

sinto-me muito melhor!

Ainda que alcance a rigidez

óssea do féretro eterno da tua

boca, que teima em fechar-se

e em ostentar raízes tuberculosas.

A Vida é que exagera;

vou melhorzinho, obrigado!

Mesmo que tenha o diafragma

nas têmporas e o sangue ofegante

nas veias em que venho encarnando.

Ainda que o escuro sadio

de todos me aparte e me transforme

em delfim do Ridículo;

mesmo que de mim rias ao

afagar cabelos desvitalizados

e dentes calvos.

A Vida é que exagera;

estou bom, venho curado!


Filipe Lamas

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Natasongs #9

Jose Feliciano é o cantor porto-riquenho que popularizou a música "Feliz Navidad", a qual se tornou já há muito tempo num "hit" desta quadra.
Para os membros do Tretas, a música tem um significado especial, não podendo, por isso, faltar nesta nossa colectânea de "Natasongs" que, esperamos nós, venha a conhecer a luz do dia com a prestigiada e prestigiante etiqueta da "Thumbelina Records":)

Feliz Navidad a todos vós e a todos nós!

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Natasongs # 8

Com os votos de um Feliz Natal

"Christmastime" dos Smashing Pumpkins

"We watch the children playing/ Beside the christmas tree/ The presents are wrapped up/ It's beautiful and secretly! the gifts still hide/ The fun awaits for you inside/ Christmastime has come/ There'll be toys for everyone/ Cause christmastime has come for you/ I remember dreaming Wishing hoping praying for this day/ Now i sit and watch them/ The little ones i love so excited by the wait/ Christmastime has come/ There'll be toys for everyone/ Cause christmastime has come for you/ And now the word is given/ It's time to peek inside/ It's time to let the toys out/ So anxious for your look of joy and delight/ Waiting for just your surprise/ Christmastime has come/ There'll be toys for everyone/ Cause christmastime has come for you"

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Natasongs # 7

"2000 miles" dos (The) Pretenders.

"Tailorado"


René Magritte, Le fils de l'homme, 1964.


Em mim mesmo não caibo.

A minha pele estica e sobrepõe-se

ao ser que debaixo dela irrompe.

Em cada manhã me contemplo

e estranho, como a água estranha

a quentura e por isso borbulha.

Em meus ossos me não parto.

Mas também me não sinto.

Sou um fato sem cabide, despido

de irreverências e de rebuços, tailorado

em fazenda axadrezada de vida exagerada.

Ao contrário de Pessoa, tudo nada

exagero

e assim me motivo e passo indelével

pelos dias loquazes.

Parece que caibo em minha carne

quando calco o empedrado da rua e

em solas vivo.

Mas é mesmo minha a carne,

ou do estranho que nela habita?


Filipe Lamas

domingo, dezembro 21, 2008

Natasongs#6

"I believe in Father Christmas" na versão dos U2.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Early Night Posts (49)


Aquilo que as pessoas que esgrimem a analogia com a selva querem realmente dizer, mas não dizem porque parece demasiado pessimista, demasiado predestinista, é: homo homini lupus. Não podemos colaborar porque a natureza humana – pondo de parte a natureza do mundo – é degradada, viciosa, predadora (Pobres feras difamadas! O lobo não é predador de outros lobos: lupus lupo lupus seria uma calúnia.)

J. M. Coetzee (Prémio Nobel da Literatura 2003), Diário de um Mau Ano, Alfragide: Publicações D. Quixote, 2008, p. 86.

Ewige Wiederkunft


Dizem que sou velho. Só se for por ter vivido tempos cinzentos de mordaça ao peito e de desfiar rotineiro de vãos fados. Talvez seja por me recordar de serões passados em volta de lareiras fumegantes de corações entrelaçados e urdidos em tessituras têxteis de tule tecidas. Porventura referem-se às épocas em que jardins de flores sobressaíam em cidades humanizadas de tamanho portátil para gente com rosto. Ah! Se calhar é por mendigar tanto por ideologias fundacionais e utópicas, por sonhos políticos infantis e contagiantes. Nada disso… Criticam-me o facto de ainda contemplar as hastes de animais selvagens nas nuvens de cal branca em precipitação sobre os montes.

Sim! Deixá-los escarnecer. Lamentam os pobres coitados viver estes tempos tal como os meus avós não haviam digerido a era de seus pais e eu próprio abomino a dos meus.

Hipótese: o que sentimos pelo presente é inveja de um passado que conforta quando se antecipa o futuro.

Método: científico, pois claro!

Conclusão: regresso ao início ou a inveja pelo eterno retorno.

Natasongs #5

Os três Grandes, em "Amazing Grace".

segunda-feira, dezembro 15, 2008

It's shoe time!!!

Disponível em http://www.caglepost.com/cartoon/Dave+Granlund/58792/Bush++Iraq+Shoes.html

domingo, dezembro 14, 2008

Natasongs #4

"Let it snow" interpretada por Jamie Cullum

Do meu email

sábado, dezembro 13, 2008

Simples-mente


Frederick Bazille, Retrato de Renoir, 1867, Musée d'Orsay (Paris)


Se quiseres sorrir, sorri simplesmente.

Não contorças os lábios

nem faças um esgar de olhos.

Nada no sorriso esqueças,

desde o levantar do lábio

ao mostrar dos dentes.

Não te preocupes com a beleza dos lábios

nem com a qualidade dos dentes.

És sempre belo quando sorris!

Nas pequenas coisas da tua cara

evita dar ordens racionais:

o pensamento é inimigo do sorriso.

Assim, quando te apetecer sorrir

e depois rir,

não te escondas atrás de tapumes,

nem peças licença para o fazer!

Mostra antes a todos que os teus lábios

se desprenderam

e, separados um do outro,

conduzem uma sinfonia de felicidade!

Só desta forma rirás e

renegarás qualquer outra!

Apenas desta maneira o sol aquece:

sem mais. Simplesmente aquece.


Filipe Lamas