quarta-feira, abril 29, 2009

La Ley de Herodes



La Ley de Herodes (México, 1999), realizado pelo conhecido Luis Estrada, é uma metáfora sarcástica e muito bem conseguida do poder político.

Algures numa aldeia perdida do México, em 1949, um humilde e ainda puro funcionário público e do partido PRI é enviado para San Pedro de Saguados, onde o anterior “presidente municipal” havia sido assassinado brutamente pela população.

As eleições estavam próximas e não se podia correr o risco de o Governo não conseguir dar conta de uma insignificante aldeia.

Escolhido por ser pouco dotado pela inteligência, Juan Vargas, então supervisor de limpeza municipal, chega a uma aldeia sem lei, ou melhor, apenas com a lei da corrupção. Vários métodos são experimentados e apenas o crime parece resultar. O outrora simples e honesto Juan transforma-se no mais abominável político pronto a tudo fazer para conseguir extorquir dinheiro ao povo.

As teias de dependências, o castelo de cartas construído com base em favores pessoais e os altíssimos custos que uma aparência de democracia sempre importa, fazem deste filme um excelente exemplo de como o poder corrompe. Rousseau havia de o ter aplaudido de pé e Maquiavel não renegaria os seus ensinamentos.

O nosso Eça ou, antes dele, o nosso Gil Vicente reconhecer-se-iam na crítica do clero, no papel dos pequenos poderes provincianos. Os juristas veriam a autocracia no seu extremo e deliciar-se-iam com o modo extra-rápido de operar revisões constitucionais profundíssimas!

Em ano de tantas eleições, a representação de Juan (Damián Alcázar) não desmerece tantas que são vão vendo por aí. E não falo na América Central ou Latina…

E a moralidade da história? A corrupção compensa. Assim, com toda a impunidade. E com toda a realidade.

Apetece repetir, como na película, ¡O te chingas o te f****!…, ¡El que no tranza no avanza! e ¡Este país no tiene solución!







sábado, abril 25, 2009

Papillon - Jerry Goldsmith

"Toi qui regardes la mer

Tu es seul avec tes souvenirs

Et malgré tout ce bleu, tout ce vert

Tu es triste à mourir

Mais quand tu fermes les yeux

Un refrain qui te parle en argot

Fait valser tes souvenirs

Avec l'odeur du métro

Chacun s'évade à sa façon

Chacun son rêve papillon"

"Toi qui regardes la mer", com música de Jerry Goldsmith, para o filme "Papillon"

Early Night Post (54)

Pradel representa a vindicta pública. É o acusador oficial e nada tem de humano. Representa a lei, a balança, é ele quem maneja e tudo fará para que esta se incline para o seu lado. Tem um olhar de abutre, fecha um pouco as pálpebras e olha-me intensamente, com toda a altivez.”
Henri Charrière, Papillon.

“Só então encontrou o olhar inexpressivo de Villefort, esse olhar característico dos magistrados, que não querem que lhes leiam o pensamento e que por isso transformam os olhos num vidro despolido. Aquele olhar revelou-lhe que se encontrava diante da justiça, figura de maneiras sombrias.”
Alexandre Dumas, O Conde de Monte-Cristo.

sexta-feira, abril 24, 2009

quarta-feira, abril 15, 2009

Early Night Post (53)

Impression, soleil levant" de Claude Monet
“Muitas vezes pensando nele, mais tarde, frei Petar não podia recordar com exactidão nem a hora nem como chegara ao seu lugar, e muito menos o que dissera na altura. Quando se trata de pessoas com quem mais tarde ficamos próximos, normalmente esquecemos todos os pormenores do primeiro encontro; parece-nos que desde sempre as conhecemos e que desde sempre têm estado connosco. De tudo isso, na memória às vezes surge apenas uma única imagem, vaga e confusa. (..)
A conversa começou espontaneamente. As conversas assim são as melhores. A princípio, algo como uma saudação, palavras escassas e indeterminadas que se procuram e se apalpam. (..)”

Ivo Andric, O Pátio maldito, Cavalo de Ferro, 2008, p. 40-44.

Bach and more

Bach (Concerto for Piano in D major, BWV 1054, Allegro), pelo extraordinário Jacques Loussier e respectivo trio.

La Chinoise

A arte não é o reflexo da realidade, mas a realidade do reflexo.

La Chinoise, Jean-Luc Godard

quarta-feira, abril 01, 2009

To build a home

"To build a home" dos Cinematic Orchestra

terça-feira, março 24, 2009

Legislar


Acabo de receber por e-mail esta "pérola"!

MUITO URGENTE, última alteração ao CPP:

CÓDIGO DE PROCESSO PENAL
LIVRO X - Das execuções
TÍTULO I - Disposições gerais
(...)

Artigo 468°-A
(Águas de Bacalhau)

1. Se o condenado conseguir endrominar pena em que foi condenado, transitada ou não em julgado, por qualquer meio, por período igual ou superior a um ano, nomeadamente com a interposição de recursos manifestamente infundados para todas as instâncias e revista nacionais ou internacionais, ou ainda interpondo recursos extraordinários, iludindo as autoridades responsáveis pela sua captura ou tendo sido declarado na situação de contumácia, tem o direito a requerer ao tribunal que a pena seja declarada em situação de águas de bacalhau.
2. O tribunal não pode deixar de declarar a pena em situação de águas de bacalhau, a qual é irrecorrível, transitando logo em julgado.
3. Se o tribunal não proferir decisão no prazo de 24 horas o cidadão pode recorrer para o julgado de paz competente.
4. A pena declarada em águas de bacalhau não mais poderá ser cumprida ou considerada em cúmulo jurídico, ficando o Ministério Público impedido de promover o respectivo cumprimento.
5. O arguido que tiver pena declarada em situação de águas de bacalhau poderá exigir indemnização ao Estado a calcular no valor de 5.000 € por cada mês ou fracção de prisão não cumprida.
6. Se o arguido for membro ou simpatizante do Partido essa indemnização será de 20.000 € por cada mês ou fracção de prisão não cumprida.
7. No caso previsto no número anterior, nenhuma pessoa ou órgão de comunicação social poderá difundir, ou simplesmente aludir, à existência de pena declarada em situação de águas de bacalhau.

(Redacção introduzida pelo DL 00/2009, com vista a acabar com as campanhas negras contra cidadãos supostamente honestos, que entra imediatamente em vigor e tem efeitos radioactivos e retroactivos desde sempre e enquanto existir o Governo da República).

segunda-feira, março 23, 2009

Dra. Edite Estrela à recepção!

A língua tem destas coisas...

A diferença que um "q" por um "c" faz! Na Rua de Sto. António, em Faro. Dizem...

Peguilhar com uma sportinguista...

Ainda os ecos do desastre sportinguista, depois de uma derrota naquela coisa que tem nome de cerveja, mas que só se ficou a dever a um pénalti mal marcado!
O Paulo Bento bem teve razão no gesto que fez em direcção ao árbitro...

Afinal, a razão do desaire europeu do SCP deve-se a uma dificuldade inultrapassável para quem não é uma empresa de construção civil...
Agradece à Thumbelina a disponibilização da imagem!

Through your eyes

Through your eyes de Nina Kinert.

sexta-feira, março 13, 2009

Gran Torino



Grande Filme!

Gran Torino de Clint Eastwood

Música do próprio e de Jamie Cullum

So tenderly/ Your story is/ Nothing more/ Than what you see/ Or/ What you've done/ Or will become/Standing strong/ Do you belong/ In your skin/ Just wondering/

Gentle now/ The tender breeze/ Blows/ Whispers through/ My Gran Torino/Whistling another/ Tired song

Engine humms/ And bitter dreams/ Grow heart locked/ In a Gran Torino/ It beats/ A lonely rhythm/ All night long/ It beats (...)

Realign all/ The stars/ Above my head/ Warning signs/ Travel far/ I drink instead/ On my own/ Oh,how I've known/ The battle scars/ And worn out beds/

E cantada também pelo Clint Eastwood ...


quinta-feira, março 12, 2009

segunda-feira, março 09, 2009

Early Night Posts (52)

Appel des dernières victimes de la terreur à la prison Saint Lazare à Paris les 7-9 Thermidor an II, Musée national du Château de Versailles

"É uma verdadeira cidade de presos e guardas a que levantinos e marinheiros de todas as nacionalidades chamam Depósito, mas que é mais comhecida por Pátio Maldito, como lhe chama o povo, sobretudo todos os que com ela têm um laço qualquer. (...) Ora, nesta terra, a culpa é muita e de todas as espécies, e a suspeita chega longe, em profundidade e em amplitude. Isto porque a polícia de Constantinopla professa o sagrado princípio de que é mais fácil libertar um inocente do Pátio Maldito do que andar à procura de culpados pelos meandros da cidade"

Ivo Andric, O Pátio Maldito, Cavalo de Ferro, 2.ª ed., 2008, p. 11.

quarta-feira, março 04, 2009

Bei mir bist du schon - Waldeck

"Bei mir bist du schon" por Waldeck.

segunda-feira, março 02, 2009

O mio babbino caro

Não sei bem porquê, hoje fui acompanhado por esta ária. O mio babbino caro, da ópera Gianni Schicchi, de Puccini.

A Cidade dos que Partem



Já não vou a tempo...

Ia recomendar que vissem A Cidade dos que Partem, no Teatro Carlos Alberto, uma produção do grupo Palmilha Dentada. Fabuloso! Rir a bandeiras despregadas sobre um texto inteligente, bem escrito, mordaz. Falar a rir sobre coisas muito sérias: a desumanização das cidades, a partida, a diferença, a podridão de certos núcleos políticos.

Bem, fica ao menos o testemunho!

Fitas





Milk, de facto, é Sean Penn. Fabulosa representação! Cada gesto, cada olhar, retratam na perfeição um líder de um movimento gay que ousou lutar. Muito bem entregue o Óscar!

O Leitor é outro exemplo de excelente representação, agora de Kate Winslet. O romance na adolescência está retratado com sobriedade e encanto. A honra - esse estranho ser - ocupa papel de destaque num mundo de pós-guerra.

Frost/Nixon: uma espécie de policial televisivo. Ocupa o tempo, sem grandes arrebatamentos. Suficiente mais.

Moscow, Belgium, ontem, último dia do Fantasporto. Comédia romântica mediana, com argumento previsível. Valeu por algumas gargalhadas de um Johnny il camionista amoroso...