segunda-feira, março 02, 2009

O mio babbino caro

Não sei bem porquê, hoje fui acompanhado por esta ária. O mio babbino caro, da ópera Gianni Schicchi, de Puccini.

A Cidade dos que Partem



Já não vou a tempo...

Ia recomendar que vissem A Cidade dos que Partem, no Teatro Carlos Alberto, uma produção do grupo Palmilha Dentada. Fabuloso! Rir a bandeiras despregadas sobre um texto inteligente, bem escrito, mordaz. Falar a rir sobre coisas muito sérias: a desumanização das cidades, a partida, a diferença, a podridão de certos núcleos políticos.

Bem, fica ao menos o testemunho!

Fitas





Milk, de facto, é Sean Penn. Fabulosa representação! Cada gesto, cada olhar, retratam na perfeição um líder de um movimento gay que ousou lutar. Muito bem entregue o Óscar!

O Leitor é outro exemplo de excelente representação, agora de Kate Winslet. O romance na adolescência está retratado com sobriedade e encanto. A honra - esse estranho ser - ocupa papel de destaque num mundo de pós-guerra.

Frost/Nixon: uma espécie de policial televisivo. Ocupa o tempo, sem grandes arrebatamentos. Suficiente mais.

Moscow, Belgium, ontem, último dia do Fantasporto. Comédia romântica mediana, com argumento previsível. Valeu por algumas gargalhadas de um Johnny il camionista amoroso...

Pergunta palerma

Porque é que fiquei muito feliz com o facto de "só" ter demorado uma hora na repartição de Finanças? Poderemos exigir assim tão pouco dos nossos serviços públicos?

Descompostura


Vale mesmo a pena ler a descompostura (e não "descompustura") de António Lobo Antunes a Deus. Nem mais. Palavras que, estou seguro, todos subscrevemos várias vezes na vida.

http://aeiou.visao.pt/descompustura-ao-meu-amigo-la-de-cima=f496759

sábado, fevereiro 28, 2009

Early Night Posts (51)


"Todos os dias o saúdo, e todos os dias o Papá Hemingway me responde indicando-me que o ofício de escrever é um trabalho de artesão. Saúdo-o e digo-lhe que os seus conselhos são para mim mandamentos: « (...) Lembra-te de que podem escrever-se excelentes romances com palavras de vinte dólares, mas o mérito está em escrevê-los com palavras de vinte centavos. Nunca te esqueças que o teu ofício é apenas uma parte do teu destino. Uma risca a menos não altera a pele do tigre, mas uma palavra a mais mata qualquer história. (...)"

Luís Sepúlveda, As Rosa de Atacama, Edições ASA, p. 105.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

La Calumnia

Foi sugestão musical de um Colega penalista. Aliás, atendendo a que se trata da ária "La calumnia" do "Barbeiro de Sevilha" de Rossini, só podia ser...
Prestem bem atenção à letra! Não há Comentário do CP que defina melhor este tipo legal de crime! E coitado de quem cai nas malhas dessa brisa quase gentil que vai crescendo, crescendo...

Sensibilidades milenares




EVA: Adão, amas-me ?

ADÃO: Não !

EVA: (a chorar) Então porque fizeste amor comigo?

ADÃO: Hellooooooooooo? Vês por aqui mais alguém?

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Cigarettes

Cigarettes na voz de Lourdes Férnandez (Russian Red).

Bom Tempo. Tempo Bom

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Funcionalismo público? Ainda há disso?


ERA UMA VEZ... 4 funcionários públicos chamados Toda-a-Gente, Alguém, Qualquer-Um e Ninguém.

Havia um trabalho importante para fazer e Toda-a-Gente tinha a certeza que Alguém o faria. Qualquer-Um podia fazê-lo, mas Ninguém o fez. Alguém se zangou porque era um trabalho para Toda-a-Gente. Toda-a-Gente pensou que Qualquer-Um podia tê-lo feito, mas Ninguém constatou que Toda-a-Gente não o faria. No fim, Toda-a-Gente culpou Alguém, quando Ninguém fez o que Qualquer-Um poderia ter feito.

Foi assim que apareceu o Deixa-Andar, um 5º funcionário para evitar todos estes problemas.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Boa sorte, Amigo!

Daqui a pouco tempo será mais um.
Já não é o primeiro Amigo que se vê forçado a partir visto este país não oferecer condições de trabalho.
Portugal retorna à tradição emigrante após um período fugaz de imigração coincidente com a época em que mais se viveu acima das possibilidades.
A música celebrada por Correia de Oliveira sob letra de Rosalía de Castro nunca foi tão actual.
Dá mesmo vontade de fazer o mesmo e de deixar um país onde nada parece funcionar.

Good luck, my Friend!

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

The Boy in the Striped Pyjamas


The Boy in the Striped Pyjamas não se baseia em um acontecimento pouco relatado no cinema. Muito pelo contrário, a II Guerra Mundial tem sido retratada sob variadíssimos ângulos.

A novidade do filme (realizado por Mark Herman, em adaptação da obra homónima de John Boyne) é também a dos óculos com que esta página negra da História da Humanidade é observada: os de um pequeno miúdo de 8 anos, filho de um comandante do exército nazi que recebe a incumbência de dirigir um campo de concentração para judeus, na altura do início da “Solução Final”.

Uma amizade proibida surge entre o miúdo Bruno e uma outra criança da mesma idade, Shmuel, que cometeu o pecado capital de ter nascido judeu.

O olhar inocente da infância sob um conflito de proporções tão horrendas e a mutação a que se vai assistindo no afivelar de estereótipos impostos (a dado passo, dos judeus diz-se que “não são verdadeiras pessoas”), capaz de fazer da mentira um modo de salvamento perante situações de tensão, constituem o valor acrescentado da película.

Somos percorridos por uma sensação de estranheza, de quase incredulidade ante tão grande estupidez e desumanidade. Contudo, é essencial que não vejamos o extermínio de qualquer grupo de pessoas como um acontecimento histórico, mas como algo que se vai repetindo e que pode assumir proporções ainda maiores do que as que teve na II Grande Guerra.

E o facto de altos dignitários da Igreja Católica o negarem não ajuda em nada… E também parece que não vai bem com os fundamentos da fé que dizem professar…


Ainda a crise

Depois de mais uma reunião do Conselho Europeu, alguns dos Chefes de Estado e de Governo decidiram ir "relaxar" para o Louvre.
Ao depararem-se com a pintura abaixo, puseram-se a meditar...

Desabafa Merkel:
- Olhem para a perfeição dos corpos! Ela esguia e esbelta, ele atléticos e musculoso! São de certeza alemães!



Sarkozy não se conteve:
- Nada disso! O erotismo que se nota em cada figura... A tentação... Só podem ser franceses!





Brown atira:
- Not at all! A serenidade dos rostos, a delicadeza da pose, a sobriedade dos gestos! São de certeza britânicos!



José Sócrates não esconde um longo sorriso:
- Estão todos enganados! Vejam: não têm roupa nem sapatos, não têm casa, apenas têm uma maçã para comer... não protestam e ainda pensam que estão no Paraíso! Não tenham a menor dúvida: são de certeza absoluta Portugueses!



quinta-feira, fevereiro 05, 2009

A origem do mau tempo em Portugal

O post anterior do filipelamas desenvolve um raciocínio ... curioso (à falta de melhor palavra). Após uma primeira reacção de estupefacção, pareceu-me que a linha argumentativa nele espraiada pode ser aproveitada para outros domínios com resultados bem mais proveitosos.
Ora, vejamos ...
O ilustre treteiro abordava a séria temática da crise económica e financeira. E perscrutando causas e soluções, naturalmente convocou gente de estirpe elevada com as qualidades adequadas ao sensível problema em discussão: ministras e primeiras-damas de méritos inegáveis para as coisas da política e dos negócios.
Ora, inquietando-me um problema mais prosaico, ainda que igualmente actual e com efeitos depressivos - o mau tempo que tem assolado o nosso país (ele é o frio, a chuva, o vento, o granizo) - perguntei-me se não podia ser usado o mesmo raciocínio.
Ora, o primeiro passo era encontrar um país em que o tempo não se apresentasse tão invernal e ver depois o que é que nele existe e que pode estar em falta em Portugal. Eis que me acorre à mente o Brasil e as imagens de Verão que de lá vêm. Num primeiro momento, poderíamos ser tentados a gizar, para tal, uma explicação que pusesse em destaque a sua localização no hemisfério sul. Demasiado linear ... Espicaçado o engenho à luz da metodologia adoptada por filipelamas, não podemos, no entanto, descartar as influências inegáveis que os astros produzem nessas coisas de meteorologia.
E da astronómica constelação brasileira, eis que nos deparamos com algumas estrelas que por lá brilham

Rodrigo Santoro

Reinaldo Gianecchini
Márcio Garcia

E se estes raios de sol não melhorarem o tempo meteorológico, mal não fazem ao psicológico ... ;-))))))))

terça-feira, fevereiro 03, 2009

A origem da crise portuguesa

Em Espanha, está em funções o Governo com mais mulheres de sempre.

Em Itália, esta senhora, Mara Carfagna, é Ministra... para a Igualdade!!!
Em França, a Primeira-Dama é Carla Bruni.

E em Portugal...


Ainda se admiram que o país esteja em crise!!

Libertango de Astor Piazzola

Hoje tinha que ser Piazzola.

Revolutionary Road

O novo filme de Sam Mendes destaca-se, entre outras coisas, pelas boas interpretações (sobretudo de Michael Shannon e de Kate Winslet) e pela história que conta (da autoria de Richard Yates).
Revolutionary Road retrata a "hopeless emptiness" que invade a vida do simpático casal Wheeler confrontado com a escolha entre um conformado e promissor comodismo e uma louca e incerta prossecução dos sonhos.
Deixa ao espectador a questão maior que é a de saber qual é (deve ser?) a fronteira dos sonhos. Todos justificam uma revolução na vida de quem os sonha ou há alguns que devem apenas ser sonhados?

"And you know what's so good about the truth?
Everyone knows what it is however long they've lived without it.
No one forgets the truth, Frank, they just get better at lying"

* Procurei em vão uma das imagens que mais bem retratam o sentimento que perpassa o filme: a da multidão cinzenta e com chapéu que sai apressada dos comboios.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Slumdog Millionaire


Tive o prazer de assistir ontem à antestreia de Slumdog Millionaire (2008), traduzido para cá por Quem Quer ser Bilionário? (vá-se lá saber porque não é «milionário»…; talvez seja pelos 20 milhões de rupias em jogo…), um aclamado filme nos Globos de Ouro e um dos candidatos aos Óscares para Melhor Filme e Melhor Realizador. Quanto a este último, depois de êxitos como Trainspotting e 28 Days Later, não é de estranhar que Danny Boyle tenha construído uma verdadeira obra-prima.

O enredo é relativamente simples: Jamal Malik é uma criança de um bairro pobre de Bombaim (mais tarde, Mumbai) que perde a sua mãe num ataque de uma horda selvagem ao local onde se encontravam todos, pelo simples facto de serem muçulmanos. A partir daí, à extrema pobreza material, junta-se o desnorte sentimental, ficando Jamal entregue ao seu irmão Salim, a quem se junta Latika, uma órfã que acede ao lugar de «terceira mosqueteira».
Relato fiel da degradação humana, do aproveitamento vil da pobreza, de uma Índia plena de contrastes, em que as crianças vivem e se alimentam do lixo, em que tudo é sujo e desordenado, o filme surpreende pelo paradoxo das cores alegres e vivas que ponteiam as trevas com a formidável esperança da luz. Esperança essa que se conjuga com um amor sem fronteiras de Jamal por Latika e que, em última análise, conduz à morte de Salim.

Os dois irmãos simbolizam o bem e o mal como respostas a um ambiente extremo de desfavor social, sendo um hino ao indeterminismo. Jamal não precisou de vencer um concurso milionário para sempre o ter sido. Por certo não em rupias, mas em sentimentos nobres, em noção do justo e do recto, em amor verdadeiro e descomprometido que, no fim, triunfa. Também aqui se denota um optimismo por vezes cândido e naïf do argumento (Simon Beaufoy) que ao espectador transmite um enorme sentido de paz.

Os olhos dos actores que representam Jamal (Ayush Khedekar) e Salim (Azharuddin Ismail) falam pela Índia e pelo mundo, no sentido de que não é tudo admissível neste planeta de horror globalizado. Os planos originais de Boyle ajudam a que vejamos a realidade sempre de uma outra perspectiva, mesmo que inclinada. As representações sinceras e despretensiosas de Dev Patel, Madhur Mittal e Freida Pinto mostram que Bollywood, neste domínio, tem coisas melhores que o original.

A banda sonora só tem um adjectivo: sublime!

Um sério candidato aos Óscares! É a minha aposta!

quarta-feira, janeiro 28, 2009