segunda-feira, março 02, 2009
O mio babbino caro
A Cidade dos que Partem

Já não vou a tempo...
Ia recomendar que vissem A Cidade dos que Partem, no Teatro Carlos Alberto, uma produção do grupo Palmilha Dentada. Fabuloso! Rir a bandeiras despregadas sobre um texto inteligente, bem escrito, mordaz. Falar a rir sobre coisas muito sérias: a desumanização das cidades, a partida, a diferença, a podridão de certos núcleos políticos.
Bem, fica ao menos o testemunho!
Fitas


O Leitor é outro exemplo de excelente representação, agora de Kate Winslet. O romance na adolescência está retratado com sobriedade e encanto. A honra - esse estranho ser - ocupa papel de destaque num mundo de pós-guerra.
Frost/Nixon: uma espécie de policial televisivo. Ocupa o tempo, sem grandes arrebatamentos. Suficiente mais.


Moscow, Belgium, ontem, último dia do Fantasporto. Comédia romântica mediana, com argumento previsível. Valeu por algumas gargalhadas de um Johnny il camionista amoroso...
Pergunta palerma
Descompostura
sábado, fevereiro 28, 2009
Early Night Posts (51)

quinta-feira, fevereiro 26, 2009
La Calumnia
Prestem bem atenção à letra! Não há Comentário do CP que defina melhor este tipo legal de crime! E coitado de quem cai nas malhas dessa brisa quase gentil que vai crescendo, crescendo...
Sensibilidades milenares
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
terça-feira, fevereiro 17, 2009
Funcionalismo público? Ainda há disso?

Havia um trabalho importante para fazer e Toda-a-Gente tinha a certeza que Alguém o faria. Qualquer-Um podia fazê-lo, mas Ninguém o fez. Alguém se zangou porque era um trabalho para Toda-a-Gente. Toda-a-Gente pensou que Qualquer-Um podia tê-lo feito, mas Ninguém constatou que Toda-a-Gente não o faria. No fim, Toda-a-Gente culpou Alguém, quando Ninguém fez o que Qualquer-Um poderia ter feito.
Foi assim que apareceu o Deixa-Andar, um 5º funcionário para evitar todos estes problemas.
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
Boa sorte, Amigo!
Já não é o primeiro Amigo que se vê forçado a partir visto este país não oferecer condições de trabalho.
Portugal retorna à tradição emigrante após um período fugaz de imigração coincidente com a época em que mais se viveu acima das possibilidades.
A música celebrada por Correia de Oliveira sob letra de Rosalía de Castro nunca foi tão actual.
Dá mesmo vontade de fazer o mesmo e de deixar um país onde nada parece funcionar.
Good luck, my Friend!
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
The Boy in the Striped Pyjamas

The Boy in the Striped Pyjamas não se baseia em um acontecimento pouco relatado no cinema. Muito pelo contrário, a II Guerra Mundial tem sido retratada sob variadíssimos ângulos.
A novidade do filme (realizado por Mark Herman, em adaptação da obra homónima de John Boyne) é também a dos óculos com que esta página negra da História da Humanidade é observada: os de um pequeno miúdo de 8 anos, filho de um comandante do exército nazi que recebe a incumbência de dirigir um campo de concentração para judeus, na altura do início da “Solução Final”.
Uma amizade proibida surge entre o miúdo Bruno e uma outra criança da mesma idade, Shmuel, que cometeu o pecado capital de ter nascido judeu.
O olhar inocente da infância sob um conflito de proporções tão horrendas e a mutação a que se vai assistindo no afivelar de estereótipos impostos (a dado passo, dos judeus diz-se que “não são verdadeiras pessoas”), capaz de fazer da mentira um modo de salvamento perante situações de tensão, constituem o valor acrescentado da película.
Somos percorridos por uma sensação de estranheza, de quase incredulidade
ante tão grande estupidez e desumanidade. Contudo, é essencial que não vejamos o extermínio de qualquer grupo de pessoas como um acontecimento histórico, mas como algo que se vai repetindo e que pode assumir proporções ainda maiores do que as que teve na II Grande Guerra.
E o facto de altos dignitários da Igreja Católica o negarem não ajuda em nada… E também parece que não vai bem com os fundamentos da fé que dizem professar…
Ainda a crise
Ao depararem-se com a pintura abaixo, puseram-se a meditar...
Desabafa Merkel:
- Olhem para a perfeição dos corpos! Ela esguia e esbelta, ele atléticos e musculoso! São de certeza alemães!

Sarkozy não se conteve:
- Nada disso! O erotismo que se nota em cada figura... A tentação... Só podem ser franceses!
Brown atira:

- Not at all! A serenidade dos rostos, a delicadeza da pose, a sobriedade dos gestos! São de certeza britânicos!
José Sócrates não esconde um longo sorriso:

- Estão todos enganados! Vejam: não têm roupa nem sapatos, não têm casa, apenas têm uma maçã para comer... não protestam e ainda pensam que estão no Paraíso! Não tenham a menor dúvida: são de certeza absoluta Portugueses!
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
A origem do mau tempo em Portugal
Ora, vejamos ...
O ilustre treteiro abordava a séria temática da crise económica e financeira. E perscrutando causas e soluções, naturalmente convocou gente de estirpe elevada com as qualidades adequadas ao sensível problema em discussão: ministras e primeiras-damas de méritos inegáveis para as coisas da política e dos negócios.
Ora, inquietando-me um problema mais prosaico, ainda que igualmente actual e com efeitos depressivos - o mau tempo que tem assolado o nosso país (ele é o frio, a chuva, o vento, o granizo) - perguntei-me se não podia ser usado o mesmo raciocínio.
Ora, o primeiro passo era encontrar um país em que o tempo não se apresentasse tão invernal e ver depois o que é que nele existe e que pode estar em falta em Portugal. Eis que me acorre à mente o Brasil e as imagens de Verão que de lá vêm. Num primeiro momento, poderíamos ser tentados a gizar, para tal, uma explicação que pusesse em destaque a sua localização no hemisfério sul. Demasiado linear ... Espicaçado o engenho à luz da metodologia adoptada por filipelamas, não podemos, no entanto, descartar as influências inegáveis que os astros produzem nessas coisas de meteorologia.
E da astronómica constelação brasileira, eis que nos deparamos com algumas estrelas que por lá brilham
Rodrigo Santoro
Reinaldo Gianecchini
Márcio Garcia
E se estes raios de sol não melhorarem o tempo meteorológico, mal não fazem ao psicológico ... ;-))))))))
terça-feira, fevereiro 03, 2009
A origem da crise portuguesa
Revolutionary Road
O novo filme de Sam Mendes destaca-se, entre outras coisas, pelas boas interpretações (sobretudo de Michael Shannon e de Kate Winslet) e pela história que conta (da autoria de Richard Yates).Revolutionary Road retrata a "hopeless emptiness" que invade a vida do simpático casal Wheeler confrontado com a escolha entre um conformado e promissor comodismo e uma louca e incerta prossecução dos sonhos.
"And you know what's so good about the truth?
* Procurei em vão uma das imagens que mais bem retratam o sentimento que perpassa o filme: a da multidão cinzenta e com chapéu que sai apressada dos comboios.
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Slumdog Millionaire

O enredo é relativamente simples: Jamal Malik é uma criança de um bairro pobre de Bombaim (mais tarde, Mumbai) que perde a sua mãe num ataque de uma horda selvagem ao local onde se encontravam todos, pelo simples facto de serem muçulmanos. A partir daí, à extrema pobreza material, junta-se o desnorte sentimental, ficando Jamal entregue ao seu irmão Salim, a quem se junta Latika, uma órfã que acede ao lugar de «terceira mosqueteira».
Relato fiel da degradação humana, do aproveitamento vil da pobreza, de uma Índia plena de contrastes, em que as crianças vivem e se alimentam do lixo, em que tudo é sujo e
desordenado, o filme surpreende pelo paradoxo das cores alegres e vivas que ponteiam as trevas com a formidável esperança da luz. Esperança essa que se conjuga com um amor sem fronteiras de Jamal por Latika e que, em última análise, conduz à morte de Salim.Os dois irmãos simbolizam o bem e o mal como respostas a um ambiente extremo de desfavor social, sendo um hino ao indeterminismo. Jamal não precisou de vencer um concurso milionário para sempre o ter sido. Por certo não em rupias, mas em sentimentos nobres, em noção do justo e do recto, em amor verdadeiro e descomprometido que, no fim, triunfa. Também aqui se denota um optimismo por vezes cândido e naïf do argumento (Simon Beaufoy) que ao espectador transmite um enorme sentido de paz.
Os olhos dos act
ores que representam Jamal (Ayush Khedekar) e Salim (Azharuddin Ismail) falam pela Índia e pelo mundo, no sentido de que não é tudo admissível neste planeta de horror globalizado. Os planos originais de Boyle ajudam a que vejamos a realidade sempre de uma outra perspectiva, mesmo que inclinada. As representações sinceras e despretensiosas de Dev Patel, Madhur Mittal e Freida Pinto mostram que Bollywood, neste domínio, tem coisas melhores que o original.A banda sonora só tem um adjectivo: sublime!
Um sério candidato aos Óscares! É a minha aposta!








