terça-feira, setembro 30, 2008

Never see you

@ The hottest State de Ethan Hawk.

Pastor





Um pastor tem sempre necessidade de um carneiro-guia - ou tem ele próprio ocasionalmente de o ser.

Friedrich Nietzsche, Máximas, Lisboa: Publicações Europa-América, 1996, p. 28.


Nietzsche, visto por Munch, 1906.

Cheirinho de férias... tão longe elas já vão...



Aqui fica um dos típicos autocarros de Malta, bem ao estilo anos 50-60, ainda "andadeiros", mas em regra pouco confortáveis. Agradável era o preço: trinta e qualquer coisa cêntimos! Na ilha de Gozo (2.ª maior ilha do arquipélago maltês), a cor dos autocarros era outra, mais para o azulado.
E reparem bem no "slogan" constante do dito! Se a Prevenção Rodoviária vê isto, pode ser que fique com ideias...

Dicionário alternativo


By Appointment and with the necessary Authorization of Her Excellency, the Minister for Cultural Affairs of the High Kingdom of the Oven, Ms. Thumbelina, Duchess of St. Oven-in-the- Fields:

Alternative dictionary's new word: "bargalaz".

quinta-feira, setembro 25, 2008

Porto de Vista Esclarecida (XXVIII)

O Duarte acertou mais uma vez! Parabéns!
E, como não sei nada significativo sobre o pormenor decorativo, nem sobre o imóvel em que se encontra, reproduzo as palavras do vencedor: "Este belo baixo relevo situa-se perto da Câmara Municipal do Porto, mais concretamente no cruzamento entre a rua de Ramalho Ortigão (que começa nos Aliados) e a rua do Almada. Esta frontaria encima a entrada de uma pequena papelaria/livraria da baixa que (...) se denomina «Nelita»"

Luzzi

Luzzi
(In Marsaxlokk)

terça-feira, setembro 23, 2008

Perguntas palermas (IV)


Se, parafraseando Montesquieu, a liberdade não consiste em fazer tudo o que se quer, mas aquilo que as leis permitem, porque é que a incontinência legislativa dos nossos dias não torna o Homem mais livre?

segunda-feira, setembro 22, 2008

Early Night Post (44)

Monet

The Road Not Taken
TWO roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
Robert Frost (1874–1963). Mountain Interval. 1920

16:44 h

Enquanto pequena peça que separa o Verão do Inverno, o Outono é uma espécie de "ária".
O dito "chegou" hoje às 16:44 h. Confesso que nunca percebi como é possível prever que uma estação do ano simplesmente "chegue"... Como se deve fazer? "Sr. Outono, seja bem-vindo! Entre, entre, que está a chover! Ponha-se à vontade! Dê cá a gabardina e o chapéu de chuva que eu arrumo! Aceita um chá?".
Confesso que o Outono me apanhou a trabalhar. Espero que seja augúrio de um tempo de boas colheitas!

Porto de Vista (XXVIII)

domingo, setembro 21, 2008

Antes que o diabo saiba que morreste


Antes que o Diabo Saiba que Morreste ("Before the Devil Knows You're Dead")
Realização: Sidney Lumet
Interpretação: Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Albert Finney
Género: Dra, Thr
EUA/GB, 2007, Cores, 117 min.

"Antes que o diabo saiba que morreste" é uma história simples, mas muito bem contada.
Tudo gravita em torno de um dramático momento que abala, numa pacata manhã de sábado, o equilíbrio (instável, como vamos percebendo depois) da família Hanson. Os acontecimentos que a ele conduzem e que a ele se sucedem são-nos relatados numa desordem cronológica que vamos arrumando, como peças de um puzzle intrincado.
O fatum, aqui, começa a ser escrito pelos irmãos Andy e Hank, membros da família Hanson. Um crime sem vítimas é o que se propõem cometer (um assalto à ourivesaria "do papá e da mamã", cujos prejuízos seriam cobertos pelo seguro). Mas a jogada que lhes parecia vencedora, termina com um resultado muito distante do idealizado. A história sai dos seu controlo e as primeiras vítimas acabam por ser os seus protagonistas e os familiares mais próximas. Um drama familiar, em suma.
Drama que já era vivido e que o assalto apenas veio tornar visível. E é o o jogo da descoberta dos limites do que cada um pode fazer em situações de desespero e o perscrutar das razões que motivam os actos de cada uma das personagens que tornam a narrativa tão interessante. Sobretudo as razões dos dois irmãos.
Percebemos, então, que Hank, o irmão mais novo, é uma criança grande, que voluntariosamente mas pouco racionalmente procura resolver os problemas que um casamento fracassado acrescenta a uma dia-a-dia cheio de dívidas e de alguns vícios inconfessáveis.
O outro, Andy, apesar de bem sucedido profissionalmente, vive o drama da permanente insatisfação. A fachada do sucesso esconde um grande vazio, emocional, desde logo, mas também, cada vez mais, monetário. No meio de perigosas dependências, procura recuperar o instante de felicidade vivido com a mulher, numas férias no Rio (de Janeiro). O seu todo é menos do que as partes que o compõem, queixa-se. Essas partes já não formam o todo que ele é ou aquele que ele queria ser. E o que não queria ser é precisamente o que é: a imagem do pai.
As duas horas do filme oferecem interpretações muito boas de Philip Seymour Hoffman, vencedor do óscar para melhor actor em Capote, de Etanh Hawk e de um experiente Albert Finney.
As últimas palavras são para a mestria do realizador. O veterano Sideny Lumet sabe contar a história. Doseia o suspense. Interrompe o fio cronológico com recuos e avanços imprevisíveis, com repetições de cenas vividas de perspectivas diferentes. Conta a história aos pedacinhos. E os pedacinhos, todos juntos, somam-se num todo que vai muito além do somatório de todos eles.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Antídoto para depressão de fim de domingo

Antídoto para a habitual depressão de pré-segunda-feira, também conhecida por depressão de fim-de-domingo: ver o Mamma Mia com a Meryl Streep (que grande actriz e que grande mulher para a idade que tem!), Pierce Brosnan e companhia! Não há verdadeiramente história, mas isso pouco importa tendo em conta a alegria transbordante e as cenas hilariantes de típicos gregos a fazerem de coro de estrelas de Hollywood! E olhem que eu não gosto de musicais! Ficamos com um travo de que a vida é mesmo uma festa e acreditem que esta segunda-feira até nem me parece início de semana!

Vai daí, aqui fica a original versão dos ABBA tão brilhantemente homenageados neste filme!


sexta-feira, setembro 12, 2008

Come with me

"Come with me" na voz de Nneka.

Nas Nuvens



Depois da interessante previsão do tempo de Antímeo de Azevedo, ficam as fotos de várias espécies nublosas que consegui captar da Red Bull Race do passado fim-de-semana. Iam-se os aviões, ficavam os cúmulos, os nimbos e os estratos ... :-)

quinta-feira, setembro 11, 2008

7 anos depois. Nunca serão demasiados anos depois.


O artista indiano Sudarshan Pattnaik escolheu a areia de uma praia em Puri, no sudeste da Índia, para erguer uma escultura de homenagem às vítimas dos atentados de 11 de Setembro de 2001.

terça-feira, setembro 09, 2008

Genial!

Qual é a parte de que mais gostaram nestas pérolas do jornalismo luso?

segunda-feira, setembro 08, 2008

O tempo, por Antímeo de Azevedo


Previsão meteorológica para a semana que ora se inicia:

Gente (?) com asas e olheiras enormes sobrevoando o País em monomotores, planadores, avionetas e parafernálias voadoras, com vento moderado a forte por pingos de café e cerveja.

Recuerdo


Juan Gris, The Open Window, 1921, Colecção M. Meyer, Zurique.

Recomeços siderais em altos montes ponteados por formas de ulmeiros carpidos nas fragas da tarde. Cheiro de pneus em asfalto ressequido pelo Sol. Crianças e baldes e ancinhos e sandes e barracas e protector solar. Dormir e dormir e festas e festas. Refúgio em altas serras e passeios extasiados pela cidade por onde se vagueia em frenesim constante e que agora se saboreia em pedaços pequenos de paralelos graníticos. Aviões, malas, hotéis, bagagens perdidas e sempre reclamadas. Cheiro a férias que se evade e volta para o ano.

sexta-feira, setembro 05, 2008

A luz do sonho

Há uns dias atrás, contaram-me que uma criança, confessando o medo do escuro e perguntada sobre como o resolvia quando fechava os olhos para dormir, respondeu com a candura das coisas óbvias com que estes pequenos grandes seres a cada passo nos surpreendem: “Ora, quando estou a dormir não tenho medo! Aí tenho a luz do sonho!”

Desarmante, a resposta!

Em dia cinzento, prenúncio de um Outono a chegar, é de luzes como esta que todos nos devíamos alimentar!

Pintar com luzes, é o desafio que deixo com este “spot” fabuloso!


quinta-feira, setembro 04, 2008

Overpowered



Uma musiquinha divertida de Roisin Murphy: Overpowered.
Digamos que a indumentária da intérprete, no vídeo, podia fazer pendant com o outfit infra postado. ;-)

sábado, agosto 30, 2008

Moda Outono/Inverno 2008-2009

Ciente da importância extrema das tendências da moda, o Tretas sugere, para a próxima época Outono/Inverno, o seguinte modelo vindo directamente do Reino Unido e fotografado em rigoroso exclusivo pela RTP.
Aceitam-se encomendas. Existem várias cores e tamanhos.

T&L in Liverpool, a few months ago...

Filho de peixe...

Tirando o Nelson Évora e a Vanessa Fernandes, a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos saldou-se por um chorrilho de desculpas: os árbtitros (um clássico português em que somos recordistas mundiais absolutos - se houvesse medalha de ouro para este desporto, ela era, de certeza, dos lusos), o calor, as pernas (essas malditas com que se corre...), enfim, a falta de apoios e de condições de treino...
Quem não se queixou nada foi a figura dos Jogos: o grande (literalmente falando!) Michael Phelps.
Sabe-se agora que esta paixão por chegar sempre primeiro vem de longe...
Filho de peixe...

quinta-feira, agosto 14, 2008

domingo, agosto 10, 2008

Mário Cláudio, "Boa Noite, Senhor Soares"


Mário Cláudio, Boa Noite, Senhor Soares,

Publicações Dom Quixote, Lisboa: 2008, 10 €.

Ainda não tinha lido nada de Mário Cláudio. Estreei-me agora com o “Boa Noite, Senhor Soares”. Uma excelente estreia!

A ideia é original: como veria um jovem companheiro de trabalho de Fernando Pessoa esse ser misterioso, sério, quase sombrio, tantas vezes austero e outras demasiado humano? Se a isto acrescentarmos o facto de Mário Cláudio cobrir a personagem com o véu de um outro nome – Senhor Soares –, com uma diversa profissão (tradutor de uma empresa comercial e habilidoso na arte de guarda-livros), temos o ambiente criado para uma história de desenvolvimento de um jovem homem que vai crescendo a admirar aquela criatura tão culta, a com ela sonhar durante a velhice e, até certo ponto, a desejar a sua redenção através do Senhor Soares.

O Autor não foge, embora de jeito subliminar, a questões como as da orientação sexual do Poeta, da sua solidão ou até de certos comportamentos erráticos. Tudo em linguagem clara, cristalina, aqui e além colando-se ao estilo pessoano. Sente-se Lisboa, as suas ruelas, o Bairro Alto, a pequenez e a alegre e honrada pobreza de um Portugal ainda mais atrasado, situado nas décadas de 20 em diante do passado século.

Morre o Senhor Soares. Um cortejo de heterónimos desfila ao lado de excelsos desconhecidos. O narrador sobrevive uma velhice como tantas outras. Uma sensação de dever cumprido enche-nos a alma.

***

Como “bónus”, o leitor é presenteado com a versão da “Medeia” de Eurípedes por Mário Cláudio. Boa ideia original: Medeia é uma decadente actriz em busca de subsídio do Ministério da Cultura, digerindo o facto de Eurípedes a ter transformado para sempre na horrível mulher que, por despeito em ter sido trocada, mata os seus filhos.

Boa ideia, de facto, mas pobre desenvolvimento, principalmente num monólogo em que se vive da extrema força que o texto deve conter. O desafio era enorme e Mário Cláudio parece ter acusado o nível de exigência.

sábado, agosto 09, 2008

Inspiring quotes (13)


Às vezes um charuto é apenas um charuto.

Sigmund Freud
(1856-1939)






Freud visto por Andy Warhol.

De outros tempos


quinta-feira, agosto 07, 2008

Melpo Mene, I Adore You

Melpo Mene é um grupo sueco a fazer furor nos EUA, muito devido a "I Adore You" ser a banda sonora do anúncio publicitário do C70 da Volvo.
Vale bem a pena, para apaixonados e não apaixonados... e não deixem de reparar no trabalho gráfico do vídeo.

Lavagante, José Cardoso Pires


José Cardoso Pires, Lavagante, Encontro Desabitado, Edições Nelson de Matos, 2,ª ed., Lisboa: 2008, 9.00 €.


Lavagante, Encontro Desabitado, de José Cardoso Pires, corresponde a um conto que o Autor escreveu e que soa agora, anos após a sua morte, vê a luz do dia.

Escrito sob a divisa napoleónica “É necessário cometer algumas imprudências, mas convém que sejam devidamente calculadas”, trata-se de uma pequena novela passada na Lisboa salazarista, em que um amor proibido entre um alto quadro e uma jovem universitária acaba da maneira mais realista que podíamos imaginar. A comparação com o lavagante, o qual vai alimentando o safio que se mantém em pequenas grutas até atingir dimensões tais que o impedem de sair, altura em que o lavagante mata e se alimenta da sua iguaria tão diligentemente tratada, é uma constante. Tal como o animal, também algumas pessoas vão alimentando relações até que o outro não se conseguir libertar de algo que deixa de ser positivo e passa a ser uma prisão.

Por vários motivos, retenho a seguinte passagem: “(…) com efeito não se nasce homem, (…) não se nasce mulher; (…) é necessário forjar o homem, trabalhá-lo. On devient homme et on devient femmeOn devient femme como?” (p. 56).

Uma leve leitura de Verão!

Duas excelentes propostas


Caso ainda estejam em cartaz, o Tretas aconselha que vejam os filmes O meu irmão é filho único e Eu servi o rei de Inglaterra.

Estilos muito diversos, mas mantendo em comum a originalidade das histórias, a boa realização e o humor acutilante, em especial em O meu irmão é filho único, um retrato muito interessante de uma Itália pós-fascista em que se cruzam as vidas de dois irmãos tão diferentes que parecem iguais, disputando um amor que resiste a ideologias, estas, tão a propósito nos nossos dias, desconchavadas e erigidas em nonsense.

Eu servi o rei de Inglaterra impressiona pela esquizofrenia dos assuntos, pelo sarcasmo com que a II Grande Guerra é encarada, entre lautas refeições servidas em restaurantes e hotéis de luxo, entre oportunidades únicas de negócio e sempre com algum erotismo à mistura. Uma produção checa impressiva e desconcertante.

Dicionário explicado

Parabéns à luísa n e ao valter rego!

“Pimpimeira” significa coisa sem sentido, sem gosto, pirosa, sendo palavra de uso muito revente no excelso Reino do Forno e tendo a sua origem na pessoa de Pimpinha (ou será Pipinha?), filha de uma conhecida “socialite” nacional, por via da sua enorme falta de gosto.

“Aquele é um Neves”, como argutamente intuiu o Senhor Dom Valter Rego, significa “aquele é um homem traído, um homem vítima de adultério”. Como de modo óbvio se percebe, terá sido um tal Neves que, no séc. XII, era useiro e vezeiro em ter a cabeça pesada, à custa de Ludovina, moça roliça e de boas carnes que, em moitas, veredas ou fontes, era dada à emancipação da carne… Vai daí, a expressão pegou e nenhuma família no Reino usa hoje tal apelido.

Como é hábito, os felizes contemplados são dignos de graça e de adoração, mandando o Senhor Marquis que o dia de hoje seja proclamado “urbi et orbe” como o dia da “Pimpineve”, em homenagem aos dois distintíssimos amigos deste vetusto monarca.

Em relação ao cargo de Ministra dos Assuntos Culturais, mando o Senhor Marquis que seja nomeada a Senhora Dona Thumbelina, a quem incumbirá, doravante, a responsabilidade deste espaço de protecção e divulgação da língua fornense.

sexta-feira, agosto 01, 2008

segunda-feira, julho 28, 2008

Do meu e-mail (XX)

ARTIGO DE NUNO MARKL P/ OS TRINTÕES
(revejo-me no artigo, até porque, numa aula há alguns meses atrás, quando disse "follow me", ninguém associou ao programa que nos fez a muitos aprender as primeiras palavras em Inglês, ou quando me referi à "pasta medicinal Couto" ou ao "desodorizante Lander"... e não me perguntem a que propósito falei eu destas matérias nas minhas aulas... ninguém sabe!)

http://mail.google.com/mail/?ui=1&realattid=0.0.4&attid=0.0.2&disp=emb&view=att&th=11afcba12b9a3348

A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida.

E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta.

O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer.

'Quem?', perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer! Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo?

A própria música: 'Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além...' era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.

Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora.

O D'Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas,lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual...

E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração: O Verão Azul.

Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.

Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos:Ele nunca subiu a uma árvore!

E pior, nunca caiu de uma. É um mole.

Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema.

Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos.

Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos.

Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra.

Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.

Confesso, senti-me velho...

Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador.

Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft.

Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros.

Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído.

Doenças com nomes tipo 'Moleculum infanticus', que não existiam antigamente.

No meu tempo, se um gajo dava um malho muitas vezes chamado de 'terno' nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse.

Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos.

Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo.

Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia.

E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade?

E ainda nos chamavam geração 'rasca'... Nós éramos mais a geração 'à rasca', isso sim. Sempre à rasca de dinheiro,sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos.

Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de presente de anos e Natal, tudo junto.

Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo.

Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta.

Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos.

Antes, só havia um cromo por turma. Era o totó de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas.

É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada.'

(Nota: ...os chocolates não eram gamados no 'Pingo Doce'... Ainda se chamava 'Pão de Açúcar'!!!)

quinta-feira, julho 24, 2008

Early Night Posts (43)

Super Lamb Banana *
"É sabido que aquilo com que este cidadão médio sonha são a natureza, o idílico, a paz e a beleza. É igualmente sabido que todas essas coisas belas, que, ainda há pouco tempo, existiam na terra inteira, são para ele pouco saudáveis, uma vez que não as consegue assimilar. Mas como, mesmo assim, as quer ter, como virou a natureza do avesso, foi criada, tal como inventaram o café sem cafeína e os cigarros sem nicotina, uma natureza limpa, sem perigos, higiénica e desnaturada. Em tudo isto reinou o primeiro princípio do moderno comércio da arte: a exigência absoluta de «autenticidade». Essa imposição, que anteriormente não era conhecida, tem toda a razão de ser, pois outrora uma ovelha era de facto uma ovelha e dava lã autêntica, uma vaca era uma vaca verdadeira e dava mesmo leite, e ainda não tinham sido inventadas ovelhas e vacas artificiais. Mas, depois de terem sido inventadas e afastado, quase completamente, as verdadeiras, rapidamente se criou o ideal de autenticidade. (...)
(1925)"

Hermann Hesse, "As mais belas histórias", casa das letras, 3.ª ed., 2008, pp. 7 e 8.
Com um muito obrigada a quem escolheu tão belo presente.

* É, actualmente, um dos ex-libris da cidade de Liverpool. Foi criada, em 1998, por Taro Chiezo, artista plástico sedeado no Japão e procurou constituir um alerta para os perigos dos alimentos geneticamente manipulados, conjugando nesta obra as figuras do cordeiro e da banana (produtos que pontificavam no tráfico comercial que se desenrolou ao longo da história no porto de Liverpool).

terça-feira, julho 22, 2008

Do meu e-mail (XIX)

Numa prova de entrada para a Universidade...

Questão : Interpretar o seguinte trecho de poema de Camões:

"Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer".



Uma aluna deu a sua interpretação:


"Ah Camões, se vivesses hoje em dia,
tomarias uns antipiréticos,
uns quantos analgésicos
e Prozac para a depressão.
Comprarias um computador,
consultarias a Internet
e descobririas que essas dores que sentias,
esses calores que te abrasavam,
essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
mas somente falta de sexo!"


Teve nota máxima. Foi a primeira vez, depois de mais de 500 anos, que
alguém entendeu qual era a ideia do Camões...

Recebida via Rocky, que vai dando sinais de vida!:)

domingo, julho 20, 2008

Habemus RTP!

Annuntio vobis gaudium magnum:
Habemus RTP
!

O calendário gregoriano assinala 20 de Julho como o dia em que foi eleito o Papa Hormisdas (Habemus Papam, típico do filme Os Bórgias, tão ao gosto de quem virá mais à frente), o dia da Tomada do Castelo de Stirling: Eduardo I de Inglaterra conquista a última fortaleza rebelde na Guerra da Independência Escocesa, bem como em que a Colômbia proclama sua independência da Espanha (é, na verdade, muito independente e moderna a moçoila de que se falará), o dia em que nasceu Carlos Santana (canta maravilhosamente em coros de casamento e afins…), ou a esbelta Gisele Bündchen, modelo brasileira um pedaço mais velha que a figura em referência e um pedaço menos bonita, também… e é o Dia do Amigo, o evento que, sem sombra de dúvidas, mais se aproxima da grande apoteose em termos de acontecimentos marcantes de 20 de Julho……………………

O ANIVERSÁRIO DA RTP!!!!

Há dias assim, em que só maravilhas acontecem, em que os deuses se reúnem em conclave extraordinários e a todos nos deliciam com a beleza, a doçura, a inteligência, sagacidade, tenacidade, Amizade infinda de seres únicos e irrepetíveis como a nossa RTP, a quem temos a imensa joie de vivre de ter como AMIGA!

Dado que para seres tão extraordinários não existem prendas capazes de ombrear com a dignitas de quem se homenageia, estes dois humildes servos deixam uma música que é já antiga (como o filipelamas…) e um pouco lamechas, mas que muito diz do que sentimos pela RTP, neste dia de Santa Paula e São Elias (aqui está a resposta para uma das questões de ontem…)!

Rocky
Filipelamas

sexta-feira, julho 11, 2008

Early Night Posts (42)


Bernardo Strozzi, A Personification of Fame, 1635-6?, National Gallery, Londres.


O que vale a minha vida? No fim (não sei que fim)
Um diz: ganhei trezentos contos,
Outro diz: tive três mil dias de glória,
Outro diz: estive bem com a minha consciência e isso é bastante...
E eu, se lá aparecerem e me perguntarem o que fiz,
Direi: olhei para as cousas e mais nada.
E por isso trago aqui o Universo dentro da algibeira.
E se Deus me perguntar: e o que viste tu nas cousas?
Respondo: apenas as cousas... Tu não puseste lá mais nada.
E Deus, que apesar de tudo é esperto, fará de mim uma nova espécie de santo.

17-9-1914

Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos.

quinta-feira, julho 10, 2008

Dicionário alternativo 2 in 1

Parabéns, luísa n!
De facto, o Senhor Marquis manda dizer que "mal ajambrado" significa "mal arranjado", "com falta de aprumo", "descuidado quanto à aparência ou quanto a qualquer outra qualidade em que se exige o mínimo de cuidado na apresentação".
Mais manda dizer que, em virtude da vacatura do cargo de Ministro dos Assuntos Culturais, por ora apenas lhe presta público louvor:)

E deixa mais um desafio, ou melhor, dois:

"pimpineira"
"aquele é um Neves".

Alea jacta est!

The Bird and the Bee

"Again and again" dos The Bird and the Bee.