domingo, janeiro 18, 2009
Mafalda
A cantora é das raras que ainda valoriza a profundidade das suas letras, mesmo que algo repetitivas. O público correspondeu numa sala apinhada com gente de idades muito diversas, o que só depõe a favor de Mafalda.
Pena é que a musicalidade - ao menos para mim - não seja mais variada...
Valeu bem a pena, com um encore grande... demasiado grande...
Fica aqui o "Cada lugar teu", também ao vivo.
sexta-feira, janeiro 09, 2009
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Do meu e-mail

O Presidente de certa empresa, casado há 25 anos, está com uma grande dúvida:
fazer amor com a própria mulher, depois de tanto tempo de casamento,
é trabalho ou prazer?
Na dúvida, ligou ao Director-Geral e perguntou.
Por sua vez, o Director ligou ao Sub-Director e fez a mesma pergunta.
O Sub-Director ligou ao Gerente e fez a mesma pergunta.
E assim se seguiu a corrente de ligações até que a pergunta
chegou ao Sector Jurídico e o Advogado perguntou, como é normal, ao
Estagiário que estava todo atarefado a fazer mil coisas ao mesmo tempo:
- Rapaz, quando o Presidente da Empresa faz amor com a mulher
dele é trabalho ou prazer?
- É prazer, Doutor ! - respondeu prontamente o estagiário.
- Como é que você pode responder a isso com tanta segurança e
rapidez??
-... se fosse trabalho, já me tinham mandado a mim!
domingo, janeiro 04, 2009
O Silêncio de Lorna

O Silêncio de Lorna
Luc Dardenne). Talvez tivesse sido mais adequado o prémio de melhor meio argumento, uma vez que, sensivelmente a meio do filme, parece que os argumentistas foram para férias ou entraram em greve. Aquilo que começa por ser uma história de grande potencial dramático e real – o ilícito da venda de nacionalidade da U.E. a troco de um casamento forjado com uma albanesa que, após um matrimónio também ele falso, adquire a nacionalidade belga –, transforma-se numa vulgar historieta de traição e loucura.
Mesmo assim, as interpretações estão, em regra, a bom nível, em especial Arta Dobroshi, no papel de Lorna. Um semi-sucesso dentro de um semi-fracasso.
A Vida é que exagera
A Vida é que exagera;
não estou assim tão mal!
Mesmo que me sinta ridículo
e abandonado ao deambular
por corredores de nenúfares em que
me afundo a cada passo.
A Vida é que exagera;
sinto-me muito melhor!
Ainda que alcance a rigidez
óssea do féretro eterno da tua
boca, que teima em fechar-se
e em ostentar raízes tuberculosas.
A Vida é que exagera;
vou melhorzinho, obrigado!
Mesmo que tenha o diafragma
nas têmporas e o sangue ofegante
nas veias em que venho encarnando.
Ainda que o escuro sadio
de todos me aparte e me transforme
em delfim do Ridículo;
mesmo que de mim rias ao
afagar cabelos desvitalizados
e dentes calvos.
A Vida é que exagera;
estou bom, venho curado!
Filipe Lamas
quinta-feira, dezembro 25, 2008
Natasongs #9
Para os membros do Tretas, a música tem um significado especial, não podendo, por isso, faltar nesta nossa colectânea de "Natasongs" que, esperamos nós, venha a conhecer a luz do dia com a prestigiada e prestigiante etiqueta da "Thumbelina Records":)
Feliz Navidad a todos vós e a todos nós!
quarta-feira, dezembro 24, 2008
Natasongs # 8
Com os votos de um Feliz Natal
"Christmastime" dos Smashing Pumpkins
"We watch the children playing/ Beside the christmas tree/ The presents are wrapped up/ It's beautiful and secretly! the gifts still hide/ The fun awaits for you inside/ Christmastime has come/ There'll be toys for everyone/ Cause christmastime has come for you/ I remember dreaming Wishing hoping praying for this day/ Now i sit and watch them/ The little ones i love so excited by the wait/ Christmastime has come/ There'll be toys for everyone/ Cause christmastime has come for you/ And now the word is given/ It's time to peek inside/ It's time to let the toys out/ So anxious for your look of joy and delight/ Waiting for just your surprise/ Christmastime has come/ There'll be toys for everyone/ Cause christmastime has come for you"
segunda-feira, dezembro 22, 2008
"Tailorado"
René Magritte, Le fils de l'homme, 1964.
Em mim mesmo não caibo.
A minha pele estica e sobrepõe-se
ao ser que debaixo dela irrompe.
Em cada manhã me contemplo
e estranho, como a água estranha
a quentura e por isso borbulha.
Em meus ossos me não parto.
Mas também me não sinto.
Sou um fato sem cabide, despido
de irreverências e de rebuços, tailorado
em fazenda axadrezada de vida exagerada.
Ao contrário de Pessoa, tudo nada
exagero
e assim me motivo e passo indelével
pelos dias loquazes.
Parece que caibo em minha carne
quando calco o empedrado da rua e
em solas vivo.
Mas é mesmo minha a carne,
ou do estranho que nela habita?
Filipe Lamas
domingo, dezembro 21, 2008
quarta-feira, dezembro 17, 2008
Early Night Posts (49)

J. M. Coetzee (Prémio Nobel da Literatura 2003), Diário de um Mau Ano, Alfragide: Publicações D. Quixote, 2008, p. 86.
Ewige Wiederkunft
Dizem que sou velho. Só se for por ter vivido tempos cinzentos de mordaça ao peito e de desfiar rotineiro de vãos fados. Talvez seja por me recordar de serões passados em volta de lareiras fumegantes de corações entrelaçados e urdidos em tessituras têxteis de tule tecidas. Porventura referem-se às épocas em que jardins de flores sobressaíam em cidades humanizadas de tamanho portátil para gente com rosto. Ah! Se calhar é por mendigar tanto por ideologias fundacionais e utópicas, por sonhos políticos infantis e contagiantes. Nada disso… Criticam-me o facto de ainda contemplar as hastes de animais selvagens nas nuvens de cal branca em precipitação sobre os montes.
Sim! Deixá-los escarnecer. Lamentam os pobres coitados viver estes tempos tal como os meus avós não haviam digerido a era de seus pais e eu próprio abomino a dos meus.
Hipótese: o que sentimos pelo presente é inveja de um passado que conforta quando se antecipa o futuro.
Método: científico, pois claro!
Conclusão: regresso ao início ou a inveja pelo eterno retorno.
segunda-feira, dezembro 15, 2008
domingo, dezembro 14, 2008
sábado, dezembro 13, 2008
Simples-mente
Frederick Bazille, Retrato de Renoir, 1867, Musée d'Orsay (Paris)
Se quiseres sorrir, sorri simplesmente.
Não contorças os lábios
nem faças um esgar de olhos.
Nada no sorriso esqueças,
desde o levantar do lábio
ao mostrar dos dentes.
Não te preocupes com a beleza dos lábios
nem com a qualidade dos dentes.
És sempre belo quando sorris!
Nas pequenas coisas da tua cara
evita dar ordens racionais:
o pensamento é inimigo do sorriso.
Assim, quando te apetecer sorrir
e depois rir,
não te escondas atrás de tapumes,
nem peças licença para o fazer!
Mostra antes a todos que os teus lábios
se desprenderam
e, separados um do outro,
conduzem uma sinfonia de felicidade!
Só desta forma rirás e
renegarás qualquer outra!
Apenas desta maneira o sol aquece:
sem mais. Simplesmente aquece.
Filipe Lamas

