
German-Austria must return to the great German mother country, and not because of any economic considerations. No, and again no: even if such a union were unimportant from an economic point of view; yes, even if it were harmful, it must nevertheless take place. One blood demands one Reich. (…)
When man attempts to rebel against the iron logic of Nature, he comes into struggle with the principles to which he himself owes his existence as a man. And this attack I must lead to his own doom. (…)
Unfortunately, the military defeat of the German people is not an undeserved catastrophe, but the deserved chastisement of eternal retribution. (…)
A state which in this age of racial poisoning dedicates itself to the care of its best racial elements must some day become lord of the earth. May the adherents of our movement never forget this if ever the magnitude of the sacrifices should beguile them to an anxious comparison with the possible results. (…)
Excertos de Mein Kampf.
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A 18 de Julho de 1925 era publicada «Mein Kampf» de Adolf Hitler. Certamente não é uma das minhas obras de cabeceira, mas há algum tempo atrás tive curiosidade de o ler. Sempre me impressionaram os fenómenos de loucura colectiva, de alienação em torno de um líder clarividente que, qual Rei Sol, anuncia que a verdade reside em si mesmo.
O que mais me tocou foram a maneira singela como o esperanto é apresentado como parte de uma conspiração judaica de controlo do mundo e as explicações de meridiana clareza explanadas a propósito da Alemanha da década de vinte do passado século.
Obra de um homem alienado, mostra o perigo das explicações redutoras e das conclusões apodícticas. Lembro-me de ter escrito à margem de uma página: «o determinismo levado ao extremo é não apenas a negação da liberdade, mas também da própria humanidade». Judeus e alemães estariam, segundo Hitler, condenados quase geneticamente a uma posição de vassalo-suserano. A superioridade ariana, assente em clamorosos erros históricos, justificaria a «educação» da Europa e do Mundo, incapaz de perceber o real alcance de Vestefália.
Os erros históricos pagam-se muito caros e a capitulação dos povos perante uma plateia de vencedores sequiosos e loquazes foi o melhor húmus em que frutificou o que o Führer sabia que todos temos de mais humano e profundo: a desconfiança pelo Outro, o medo da diferença.
«Mein Kampf» não é só um livro ideológico, marca do nacional-socialismo. É também, por rectas contas, um romance que insufla auto-estima em um povo desalentado. Ultrapassando qualquer «Índex», demonstra-se à saciedade que essa luta encontra pasto incandescente nas sociedades hodiernas. Pasto este que será de chama aberta enquanto não aceitarmos de vez que receamos o diferente e enquanto não o integrarmos. Não tanto através de manobras estaduais sensacionalistas e de efeito avulso, mas dentro das nossas relações mais próximas, ou melhor, dentro de nós mesmos. Aquele pensamento «diferente» que tive deve transformar-se na minha luta, ou devo lutar contra ele?


























