Pausa (para a fotografia)

Ao sabor do vento - rtp
“Nisto descobriram trinta ou quarenta moinhos de vento que há naquele campo; e logo que D. Quixote os viu disse ao seu escudeiro:
- A ventura vai guiando as nossas coisas melhor do que poderíamos desejar; porque vês ali, amigo Sancho Pança, donde se avistam trinta ou poucos mais desaforados gigantes, com quem penso travar batalha (…);
- Que gigantes? – perguntou Sancho Pança.
- Aqueles que ali vês – respondeu seu amo – de braços compridos, que alguns costumam ter quase duas léguas.
- Olhe vossa mercê – retorquiu Sancho – que aqueles que ali se avistam não são gigantes, e o que neles parecem braços são as aspas que volteadas pelo vento, fazem girar a pedra do moinho.
- Bem se vê que – observou Dom Quixote – que não estás formado nisto de aventuras; aquilo são gigantes, e se tens medo afasta-te daí e põe-te em oração enquanto eu vou entrar com eles em fera e desigual batalha.”
Miguel de Cervantes, “O Engenhosos Fidalgo Dom Quixote da Mancha”, Civilização, 1999, p. 54.