
"Começo daqui a pouco, costumava pensar e permitia que os dias passassem por mim, daqui a pouco, daqui a nada, amanhã será diferente, amanhã acordo e o dia nasceu extraordinariamente azul, (...).
Começo onde me esqueci de começar, se for possível, começo no princípio de tudo, no princípio do tempo em que nem tempo havia e juro-te, pai, que vou fazer tudo para absorver bem os minutos, por beber todos os segundos, começar onde me esqueci de começar, (...).
Daqui a nada o dia começará a clarear, abrirá os braços longos sobre as sombras e expulsará a noite, daqui a nada fecharei a janela, a madrugada despertará em mim o frio que ainda não sinto, ..."
Rodrigo Guedes de Carvalho, Daqui a nada, Dom Quixote, 2005, pp. 133, 134 e 147.